(375) Sentindo que o meu “certo”, poderá ser para você o seu “errado” (vice-versa).

“Os reconhecimentos perceptivos do que é “certo” ou “errado”, em nós também espelham significados subjetivos das nossas realidades inconscientes.”

São minhas palavras, que me foram intuídas logo após ter lido esta introdução do astrólogo Oscar Quiroga, no seu horóscopo divulgado no dia 26 deste mês de maio:

Certo e errado
Como fazer o certo se andamos discordando sobre o que seja certo ou errado? Toda criança compreende rapidamente ao longo de seu desenvolvimento a diferença entre o certo e o errado, e as consequências de cada uma das opções, e pela rapidez da assimilação até parece que nascemos com essa distinção implícita em nossas naturezas.
Demora mais, porém, e sem garantia de acontecer, para aprendermos os valores da razão e da proporção, virtudes que, em conjunto prático, nos orientam a respeito do que seja certo ou errado em dimensões além de nossas necessidades e desejos particulares, porque apesar de algumas coisas serem certas para nós individualmente, se vistas de pontos de vista mais amplos e inclusivos se tornam promotoras de males que, em última instância, afetariam negativamente também a nós em particular.

Quiroga começa a introdução do seu horóscopo com uma pergunta que nunca tinha feito para mim mesmo – “Como fazer o certo se andamos discordando sobre o que seja certo ou errado?” Talvez seja porque muito cedo me ensinaram não existir o “certo” e nem o “errado”. Com o passar do tempo aprendi que o meu “certo”, pode ser para você “errado”.

Na realidade existem outros “certo” e “errado”, além do meu e do seu. Refiro-me aos definidos pelas normas de costumes prevalecentes em nossos diversos grupos de convivências e de interações existenciais. Para o direito consuetudinário, emergem do conjunto de costumes e práticas de uma determinada comunidade, que são aceitos como se fossem leis.
A parte final da introdução de Quiroga pertence à percepção subjetiva de cada um de nós; concordo que somos ensinados e educados para entender, conhecer e, principalmente, para praticar o que é “certo” [não, para o que seja “errado”]. Mas cada um de nós somos “seres únicos”, com suas pluralidades de preferências de condutas definidas por nós mesmos. Por esta razão, em uma sociedade juridicamente organizada caberá ao legislador e, também, às autoridades competentes definir o que é “certo” ou “errado” e, assim, harmonizar o interesse de todos.

Vejam o que já disseram sobre o “certo” e o “errado”: Paulo Freire, com a sua autoridade de educador: “Só, na verdade, quem pensa certo, mesmo que, às vezes, pense errado, é quem pode ensinar a pensar certo.”; Renato Russo: “Quando tudo nos parece dar errado, acontecem coisas boas que não teriam acontecido se tudo tivesse dado cero.” Lao Tsé: “Se estiveres no caminho certo, avança; se estiveres no errado, recua.”; Daniel O’Connell: “Nada pode ser politicamente certo se for moralmente errado.”; Frase Islâmica: “Adquire conhecimento: ele habilita o seu possuidor a discernir o certo do errado.”; José Saramago: “O certo e o errado são apenas modos diferentes de entender nossa relação com os outros”.

Pensem nisso.

Notas:
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Muita paz e harmonia espiritual para todos.

Sobre Edson Rocha Bomfim

Sou advogado, natural do Rio de Janeiro e moro em Brasília. Idade: Não conto os anos. Tenho vida. Gosto de Arte, Psicologia, Filosofia, Neurociência, Sociologia, Sincronicidade e Espiritualidade. Autores preferidos: Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Mark Nepo, Cora Coralina, Clarice Lispector, Lya Luft, Mia Couto, Mario Sergio Cortella e Mauro Maldonato. edsonbsb@uol.com.br
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