Como é que você define Maysa? Uma pessoa essencialmente boa de coração, bastante insegura, mas já a caminho do encontro. Nunca fiz meu autorretrato. Você já foi analisada? Comecei por três vezes, mas descobri que estava em mim mesma a resposta.
Essas perguntas foram feitas para a cantora Maysa Matarazzo (1936-1977), em entrevista concedida a Clarice Lispector em 27/09/1969, publicada na edição 910 da Revista Manchete. Na década de 1950 ela recebeu vários prêmios e foi a primeira cantora brasileira a se apresentar no Japão. Pergunto para meus seguidores:
– Alguns de vocês teriam dificuldade para responder a primeira pergunta feita para Maysa?
Como acredito que muitas das suas respostas seriam de natureza muito subjetiva, por serem essencialmente pessoal.
Agora vejam que interessante:
Em um dos nossos encontros anteriores (mensagem 501), pela primeira vez fiz referência a Thomas Goschke, cientista cognitivo e doutor em psicologia da Universidade Técnica de Desdren, na Alemanha, para conhecer o seu entendimento sobre as nossas “percepções intuitivas”. Em entrevista concedida ao psicólogo e jornalista Steve Ayan, ele respondeu esta pergunta: Quando se deve confiar na “intuição”, quando é melhor que se dê preferência à análise lógica dos fatos?: – “Isso, é claro, não é possível para responder assim, de forma generalizada. A intuição se baseia no saber advindo da experiência, tanto faz se adquirido no âmbito de um experimento ou em anos de treinamento. Pense num enxadrista profissional, que numa fração de segundo faz a jogada correta, ou no bombeiro que pressente intuitivamente onde está o foco do incêndio. Em geral, sem o saber específico correspondente, também a intuição falha.”
Na entrevista do início deste nosso encontro, Clarice Lispector também perguntou para Maysa: – “De onde vem essa insegurança que você diz ter? Maysa respondeu:
– “Talvez da brusca mudança no tempo desde que eu nasci até hoje. Houve tantos tabus que hoje não existem mais, e isso criou essa insegurança. Quanto a tudo. Como, por exemplo, conviver com as demais pessoas fora do meu círculo de família. Mas não tenho nenhuma insegurança artística. Inclusive acredito que eu esteja numa fase muito boa de busca.”
Termino este nosso encontro, com este ensinamento de Fritz Perls (1893-1970), um dos fundadores da Gestalt-terapia:
– “A nossa sensação pessoal de realidade é criada pela nossa percepção; pela maneira como enxergamos as nossas experiências, e não pelos eventos em si.”
Pensem nisso.
Notas:
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3. A parte da entrevista com a cantora Maysa, foi reproduzida do livro “Clarice Lispector – entrevista grandes personalidades, com organização e notas de Claire Williams e tradução da introdução por Clóvis Marques, publicação da Editora Rocco.
4. A entrevista de Goschke concedida ao psicólogo e jornalista Steve Ayan foi publicada na Edição Especial 54, Ano XI, da Revista mente cérebro, da Scientific American.
Muita paz e harmonia espiritual para todos.