(714) Sentindo a dor das ausências.

Todos nós precisamos “procurar”, “encontrar” e saber escolher o que nos completa.”

São minhas palavras e muitas vezes silenciosas, nos meus momentos de “incompletudes”. O que motivou este nosso encontro foi a leitura do artigo “Um inventário de saudades”, de Helena Cunha Di Ciero, que é membro efetivo da Sociedade Brasilira de Psicanálise de São Paulo (BPSP). Dele destaco:

– “A incompletude é responsável pelo meu desenvolvimento, porque não me basto, procuro o outro. Eu me associo, crio. Podemos pensar que o sentimento mais poderoso do mundo, o amor, é complementar ao mais temido: a ausência.”

Ela justificou o título do seu artigo com estas considerações:

– “Talvez seja este o trato: não há como permanecer vivo sem sentir falta de algo. Todos nós temos um inventário de saudades que ganha ao longo da vida mais elementos. A lista é longa e os itens crescem conforme andam os ponteiros do relógio. O filme “Aftersun” foi motivado pelas saudades que a diretora, Charlotte Wells, sentia do pai. O desejo era de contar para o mundo todo que ele havia existido. Ela deu a eles uma cena inesquecível de uma dança sublime. Ao fundo, tocava Queen: this is our last dance, this is our song. E a música combinava tanto com a cena, de um jeito tão doce, que a saudade se transfornou numa coreografia espontânea e bonita que lembrou todas as últimas danças de todas as pessoas que assistiam. Já não era mais só a violência e o buraco da saudade, existia também uma cena de ternura. Sentimento que floresce em quem assiste ao dueto dos atores Frankie Corio e Paul Menescal numa das últimas cenas do filme.”

Sobre a dor da saudade, ela ensinou:

– “A dor precisa ser transfornada; para que uma falta seja elaborada, é preciso de tempo. É ele o único capaz de mudar uma falta na prateleira dentro da nossa alma. O tempo transforma a dor, mas é fundamental ter paciência, essa virtude em desuso.”

Pensem nisso!

Notas:
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3. As cnsiderações da Pisicanalista Helena Cunha Di Ciero foram reproduzidas da Edição 181 da Revista Humanitas, publicação da Editora Escala.

Muita paz e harmonia espiritual para todos.

Publicado por

Edson Rocha Bomfim

Sou advogado, natural do Rio de Janeiro e moro em Brasília. Idade: Não conto os anos. Tenho vida. Gosto de Arte, Psicologia, Filosofia, Neurociência, Sociologia, Sincronicidade e Espiritualidade. Autores preferidos: Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Mark Nepo, Cora Coralina, Clarice Lispector, Lya Luft, Mia Couto, Mario Sergio Cortella e Mauro Maldonato. edsonbsb@uol.com.br

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