(612) Sentindo como modelar o nosso viver.

Viver é acalentar sonhos e esperanças, fazendo da fé a nossa inspiração maior. É buscar nas pequenas coisas, um grande motivo para ser feliz!

São palavras do poeta Mario Quintana (1906-1994), um esplendor humano do modernismo brasileiro que se notabilizou como “o poeta das coisas simples”. Foi um dos poucos seres humano que conseguia me encantar apenas com a expressão espontânea e contagiante do seu sorriso. Saudade! Sinto muito a sua falta entre nós. Sobre o nosso “viver” já dediquei 14 (quatorze) mensagens nesta nossa caminhada para o “autoconhecimento” – uma jornada de transformação interior: 598, 534, 439, 438, 425, 358, 321, 320, 319, 318, 187, 112, 037 e 019. Enriqueço com esta “receita de viver”, de Pedro Bloch (1914-2004), por ele revelada em entrevista para Clarice Lispector (1920-1977):

Clarice pergunta:
– “Pedro, você me parece expansivo, espontâneo. E no entanto, é um homem também reservado, voltado para dentro de si, no sentido em que você dá aos outros e pouco pede para si. Como é você de verdade?

Ele responde:
– “Fiz, uma vez, uma receita de viver que acho que me revela. Viver é expandir, é iluminar. Viver é derrubar barreiras entre os homens e o mundo. Compreender. Saber que, muitas vezes, nossa jaula somos nós mesmos, que vivemos polindo as grades em vez de libertar-nos. Procuro descobrir nos outros sua dimensão universal e única. Não podemos viver permanentemente grandes momentos, mas podemos cultivar sua expectativa. A gente só é o que faz aos outros. Somos consequência dessa ação. Talvez a coisa mais importante da vida seja não vencer na vida. Não se realizar. O homem deve viver se realizando. O realizado botou ponto final. Tenho um profundo respeito humano. Um enorme respeito à vida. Acredito nos homens. Até nos vigaristas. Procuro desenvolver um sentido de identificação com o resto da humanidade. Não nado em piscina se tenho o mar. Gosto de gostar. Todo mundo é perfeito até prova em contrário. Gosto de fazer… Não fazer… me deixa extenuado. Acredito mais na verdade que na bondade. Acho que a verdade é a quintessência da bondade, a bondade a longo prazo. Tenho defeitos mas procuro esquecê-los a meu modo. “Saber olvidar lo malo también es tener memoria.” [Frase do poema épico argentino Martín Fierro, de José Hernández, do século XIX].

PERGUNTO:

VOCÊ JÁ FEZ A SUA RECEITA DE VIVER?

Pense nisso.

Notas:
1. A reprodução parcial ou total de qualquer parte desta mensagem, dependem de prévia autorização (Lei nº 9.610/98).
2. Havendo nesta mensagem qualquer alegação ou citação que mereça ser melhor avaliada ou que seja contrária aos interesses dos seus autores, mande sua solicitação para edsonbsb@uol.com.br
3. Essa receita de Pedro Bloch foi reproduzida do livro “Clarice Lispector entrevista”, publicação da Editora Rocco, organizada por Claire Williams, que recomendo como leitura obrigatória.

Muita paz e harmonia espiritual para todos.

Publicado por

Edson Rocha Bomfim

Sou advogado, natural do Rio de Janeiro e moro em Brasília. Idade: Não conto os anos. Tenho vida. Gosto de Arte, Psicologia, Filosofia, Neurociência, Sociologia, Sincronicidade e Espiritualidade. Autores preferidos: Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Mark Nepo, Cora Coralina, Clarice Lispector, Lya Luft, Mia Couto, Mario Sergio Cortella e Mauro Maldonato. edsonbsb@uol.com.br

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