(598) Sentindo o idealizar do nosso viver, como na criação do “belo” em uma obra de arte.

Uma pessoa traumatizada é regida pelo passado.”

São palavras de psicoterapeuta Bel Cesar, mãe Lama Michel Rinpoche, mestre do budismo tibetano. Selecionei do livro “Grande Amor – um objetivo de vida”, publicação da Editora gaia. Ela explica:

– [A pessoa nessa situação] “está de fato presa à situação que foi intensa demais, rápida demais, ou aconteceu cedo demais para ser completamente elaborada. Isso faz com que ela não se sinta presente no aqui e agora. Mesmo que viva bons momentos, não se sente preenchida por eles, que vêm e vão e não se se integram no seu sistema psicofísico. Assim que eles acabam, a pessoa volta para o estado vazio e ausente em que antes se encontra. Como ficou congelada numa experiência em que não pode atacar ou fugir, permanece presa a uma tarefa inacabada. Ela precisa descongelar essa paralisia por meio de uma descarga, quer dizer, completar sua ação em vez de mantê-la reprimida. Essa descarga deve ocorrer gradualmente, sem catarses, para não retraumatizá-la.”

Ontem, por coincidência, estava relendo o livro “Pensar é transgredir” de Lya Luft, para quem dediquei esta nossa caminhada para o “autoconhecimento” – uma trajetória de buscas de transformações interiores. Publicação da Editora Record, que recomendo como leitura obrigatória (mensagem 001). Destaco do seu quarto capítulo (numerei):

1. “Não me lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos – para não morremos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos. Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. (…) Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo.”

2. “Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar. Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo.”

3. “O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.”

4. “Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes ousada.”

PERGUNTO:

– Como conseguimos elaborar e reprogramar o nosso “viver”?

Entendo ser através de uma silenciosa e consciente prática de interiorização. Portanto, de “autoconhecimento”. E, assim, favorecer a percepção subjetiva dos significados das nossas necessidades de realizações em todos os sentidos do nosso “existir” e do nosso “viver”.

Termino este nosso encontro, com estas palavras de Clarice Lispector:

– “Dizem que a vida é para quem sabe viver, mas ninguém nasce pronto. A vida é para quem é corajoso o suficiente para se arriscar e humilde o bastante para aprender.”

Pensem nisso.

Notas:
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Muita paz e harmonia espiritual para todos.

Publicado por

Edson Rocha Bomfim

Sou advogado, natural do Rio de Janeiro e moro em Brasília. Idade: Não conto os anos. Tenho vida. Gosto de Arte, Psicologia, Filosofia, Neurociência, Sociologia, Sincronicidade e Espiritualidade. Autores preferidos: Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Mark Nepo, Cora Coralina, Clarice Lispector, Lya Luft, Mia Couto, Mario Sergio Cortella e Mauro Maldonato. edsonbsb@uol.com.br

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