“Se a gente cresce com os golpes duros da vida, também podemos crescer com os toques suaves na alma.”
Que maravilha! São palavras da poetiza Cora Coralina (1889-1985) ser humano iluminada que, como sempre desejei, merecia ter estado mais do que os seus 104 anos, nesta dimensão de vida. À ela devo muito do meu interesse pela leitura e, também, pelo contemplar a vida com as matizes subjetivas dos meus sentimentos de beleza. Acrescento que muito do que sou aprendi a ser com Cora Coralina. Também aprecio as inspirações poéticas de Adélia Prado, que foi merecedora dos Prêmios Camões e Jabuti de Personalidade Literária. Dela, selecionei este nosso encontro, esta sua inspiração poética:
– “De vez em quando Deus me tira a poesia. Olho pedra, vejo pedra mesmo. O mundo, cheio de departamentos, não é bola bonita caminhando solta no espaço”.
Encontrei esse “sentir” de Adélia no bem fundamentado artigo, “Imaginação e realidade”“, do psicólogo e analista junguiano Thiago Domingues. Vejam que interessante ele escreveu sobre a nossa “alma”:
– “É proposital e imprescindível a adoção de metáforas para nos referirmos à alma pois, antes de tudo, quando falamos de alma, falamos de relação, de uma experiência de intimidade, amor e comunhão, uma experiência imaginativa e imaginante em conexão direta com as vivências do corpo no mundo, uma noção não conceitual conquanto presente e pulsante
na origem de qualquer conceito, inaugurada e constantemente reformulada por pensadores como Platão, Plotino, Marsílio Ficino, Carl Jung, James Hillman e Thomas Moore. Se, para esses autores, a perspectiva da alma evoca os valores associados a vínculo, cuidado, corpo, imagem, interioridade e poiésis da vida diária (Moore, 1994, p.14), a perda da alma ou dos valores associdos a ela é um processo diretamente ligado ao desenvolvimento de “obsessões, vícios, violência e perda de significado [existencial] (Moore, 1994, p. 9) O adoecimento surge quando os laços, o olhar poético para a vida, a imaginação e a memória deixam de ser cultivados.”
Termino este nosso encontro, com este meu “sentir”:
– Os nossos sensoriais encantamentos com o “Belo” também encobrem muitas das imagens da razão, envolvendo-nos em profundos estados emocionais com plenitudes de integração interior, existencial e espiritual.
Pensem nisso!
Notas:
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3. O artigo do Psicólogo Thiago Domingues foi publicado na Edição 150 da Revista PSIQUE, da Editora Escala.
Muita paz e harmonia espiritual para todos.