(541) Sentindo que nem tudo nós perpetuamos, escrevendo nos livros da nossa vida.

O tempo que a vida se realiza é o que a define. É a sua travessia que nos dá a medida do que vivenciamos. Pode ser longa. Pode ser curta. Não sabemos.”

São palavras do filósofo e psicanalista Érico Andrade, publicadas com o título “Apologia à Vida”, na sua coluna sobre cinema divulgada na edição 184 da Revista Humanitas da Editora Escala. Ele comenta o filme, “Meu bolo favorito”, uma comédia dramática, de Behtash Sanaeeha. Na minha avaliação, uma sua interessante e profunda percepção para a qual peço a sua atenção:

– “O tempo que a vida se realiza é o que a define. É a sua travessia que nós dá a medida do que vivemos. Pode ser curta. Não sabemos. Nem quem comete suicídio sabe, desde o início de sua existência, a hora de encerrar a travessia. Nesse sentido, toda época é a época de quem está vivo. A frase “na minha época” emitida por quem está vivo – efetivamente vivo – não poderia ser mais enganosa. Meu Bolo Favorito é uma apologia à vida. E a vida não é um protocolo. Um roteiro onde todos os personagens seguem o script apontado como modelo correto da existência (…) há quem resista e demonstre que o presente, como diria Drummond, é enorme. É impossível, para quem está vivo, não nutrir esperança. A vida é verbo. É preciso, contudo, firmeza para que ela se mantenha como trânsito, movimento. Por isso, o avançar da idade não é uma indicação do fim da vida, mas pode ser o terreno onde a firmeza, na forma de resistência, pode ser consolidada e transmitida como Mahin (Lili Farhadpour) faz para a jovem abordada pela polícia moral: seja firme!
Meu Bolo Favorito mostra, é importante destacar, como o transcorrido da idade não é um limite para a vida. A idade já avançada de Mahin está dentro do seu arco de vida (…).”

Érico finaliza com esta sua análise sobre o tipo de vida dos principais personagens desse filme:

– “O casal vive insessantemente a paixão de uma noite, com conversa no jardim, bolo feito com esmero (é proibido beber no irã) e um desejo de aprumar a relação, como mostra a cena absolutamente impar do banho juntos no chuveiro em que os dois personagens estão vestidos. E se tudo na vida é, em certa medida, inesperado, é crucial observar que a própria vida acontece na sua simetria com a morte: sem que nós sejamos avisados.”

Assim manifesto o meu “sentir” sobre esse filme – Simplesmente fantástico, nada a acrescentar. Isto porque, como entendo, somos nós que escrevemos no “livro da vida” muitos dos nossos “desejos”, das manifestações subjetivas do nosso “sentir”, e, também, nele ocultamos, verdades sobre o que somos e não queríamos ser.

Pensem nisso.

Notas:
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Muita paz e harmonia espiritual para todos.

Publicado por

Edson Rocha Bomfim

Sou advogado, natural do Rio de Janeiro e moro em Brasília. Idade: Não conto os anos. Tenho vida. Gosto de Arte, Psicologia, Filosofia, Neurociência, Sociologia, Sincronicidade e Espiritualidade. Autores preferidos: Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Mark Nepo, Cora Coralina, Clarice Lispector, Lya Luft, Mia Couto, Mario Sergio Cortella e Mauro Maldonato. edsonbsb@uol.com.br

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