(582) Sentindo o que devemos aprender com as “interpretações”, sejam de que natureza forem.

Sincronizar mentes e corações é um ato divino, uma bênção. Todo momento de comunhão, de entendimento mútuo, de partilha, há de ser valorizado, é uma graça. É a vida se manifestando sem limites e obstáculos.””

A experiência de vida é complexa para nossa humanidade, porque acontece em dimensões muito diferentes entre si e ao mesmo tempo. Isso faz com que tenhamos de gastar muito tempo e energia tentando entender o que acontece.”

A dinâmica dos dias atuais é veloz e cheia de manobras, requerendo de você uma presença de espírito e atenção fora do habitual. Isso é assim porque o momento encerra valores e importâncias sobre seu futuro. Por vir.”

São “interpretações” do astrólogo Oscar Quiroga no seu horóscopo divulgado no dia 17/08/2025. Foram escolhidas para iniciar este nosso encontro, porque na minha avaliação apresentam entre si uma interessante inteiração subjetivas sobre as influências que podemos receber dos posicionamentos dos astros em nossas vidas, considerando as datas dos nossos nascimentos. Nesta nossa caminhada para o “autoconhecimento” – uma trajetória de buscas de transformações interiores, mais uma vez merece atenção a sua peculiar faculdade de conseguir, por meio de uma comunicação escrita de fácil compreensão, a subjetividade de suas previsões astrológicas”.

Como entendo, não basta apenas “interpretar” mas também e principalmente, saber transmitir os significados das essências das nossas “interpretações”.

Essa “faculdade humana” de saber, e também de aprimorar nossos modos de “interpretações”, como entendo é reveladora de uma das nossas subjetivas necessidades repito, de inteirações existenciais. Gosto desta primorosa explicação da doutora Ana Maria Haddad Baptista, que possui mestrado e doutorado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), referindo-se ao que ela nominou de “associações subjetivas” na sua consistente e bem fundamentada abordagem sobre “As armadilhas da interpretação” de um texto escrito [na minha avaliação, que também se aplica a tudo que precisamos entender]:

– “(…) não podemos confundir interpretação com associações subjetivas que no momento de uma leitura poderemos inferir, com interpretação de texto. Acrescento: naturalmente que se daqui a alguns dias voltarmos à leitura do mesmos texto, muito provável que nossas associações subjetivas em relação ao texto possam ser outras. Mas isso não altera os referenciais textuais.
Uma das afirmações mais inadequadas e frequentes é dizer, por exemplo, que um texto literário pode ser interpretado de acordo com nossa perspectiva subjetiva! Ora, isso fragiliza extremamente o objeto artístico. Lembro que um o objeto artístico exige, sim, por parte de seu autor, uma perspectiva predominantemente subjetiva. Isso sim. Porque quê? Porque nos momentos privilegiados do ato criativo, de acordo com a cosmologia de Peirce, entre outros sérios que investigaram profundamente a questão, a percepção, os desvios de significados literais, a criatividade, a imaginação, a fantasia predominam. O lado sensível que todos nós temos. No entanto, para fixar o objeto do artista é preciso uma linguagem. Esta, por definição, é um elemento palpável e material. Portanto, possui, sim, graus de objetividade imaterial. Não justificado. Inexistente. Impalpável.”

Em seguida complementa:

“A verdade é que olhamos para o mundo interpretando-o! Toda e qualquer interpretação, seja lá do que for, envolve, essencialmente, o nosso repertório. Não apenas o existencial, mas, sobretudo, todas as formas de leitura, disciplinada e metódica, que fazemos ao longo de nosso percurso de vida.
Ouçamos as sábias palavras de Sartre: “(…) o essencial da subjetividade é de ela só se conhecer por fora, em sua própria invenção, e nunca por dentro. Se ela se conhecer por dentro, está morta; se ela for decifrada por fora, então está plena, torna-se com efeito objeto, mas ela é objeto em seus resultados, o que nos remete a uma subjetividade que, por sua vez, não é realmente objetivável”.

Pensem nisso e sempre respeitem a liberdade de todos os outros transmitirem suas “interpretações”.

Notas:
1. A reprodução parcial ou total de qualquer parte desta mensagem, dependem de prévia autorização (Lei nº 9.610/98).
2. Havendo nesta mensagem qualquer alegação ou citação que mereça ser melhor avaliada ou que seja contrária aos interesses dos seus autores, mande sua solicitação para edsonbsb@uol.com.br
3. A citação de Jean-Paul Sartre, feita pela doutora Ana Maria Haddad Baptista, foi feita de “O que é subjetividade?, Tradução de Estela dos Santos de Abreu. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015, p.54. Suas considerações iniciais sobre “Das Armadilhas da Interpretação”, foram publicadas na Edição
169 da Revista Humanitas, da Editora Escala.

Muita paz e harmonia espiritual para todos.

Publicado por

Edson Rocha Bomfim

Sou advogado, natural do Rio de Janeiro e moro em Brasília. Idade: Não conto os anos. Tenho vida. Gosto de Arte, Psicologia, Filosofia, Neurociência, Sociologia, Sincronicidade e Espiritualidade. Autores preferidos: Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Mark Nepo, Cora Coralina, Clarice Lispector, Lya Luft, Mia Couto, Mario Sergio Cortella e Mauro Maldonato. edsonbsb@uol.com.br

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