““A palavra foi dada ao homem para explicar os seus pensamentos, e assim como os pensamentos são os retratos das coisas, da mesma forma as nossas palavras são retratos dos nossos pensamentos.”
São palavras de Molière (1622-1673), dramaturgo, ator e encenador francês, considerado o mestre da comédia satírica. Foram por mim escolhidas para iniciar este nosso encontro sobre o que devemos entender sobre “esperança”. Para mim, um grande desafio. Na minha pesquisa, dentre muitas outras, encontrei estas explicações: Carlos Drummond de Andrade – “A vida se renova na esperança de um dia novo.” / Clarice Lispector – “Ora, não sou linda. Mas quando estou cheia de esperança, então de minha pessoa se irradia algo que talvez se possa chamar de beleza.” e Emily Dickinson – “A esperança tem asas. Faz a alma voar. Canta a melodia mesmo sem saber a letra. E nunca desiste. Nunca.”
Confeço ter ficado na mesma, mas com o meu subjetivo entendimento de que a esperança é um dos nossos “estados de alma”, principalmente diante dos nossos estados de “insegurança” e de “incertezas”. Mesmo assim, peço a sua atenção para esta resposta de Luiz Felipe Pondé, que encontrei no seu fantástico e proveitoso livro “Diálogos sobre a natureza humana – Perfectibilidade e Imperfectibilidade”, da nversoseditora, que recomendo como leitura obrigatória. Ao ser perguntado se os estoicos não acreditavam em esperança, Pondé respondeu (para este nosso encontro, trago esta parte):
– “Esperança é um conceito vasto. Os estoicos achavam que, se você viver muito no passado, é um nostálgico e fica sofrendo com o que aconteceu. Se você viver pensando o tempo inteiro no futuro, vira ansioso, usando uma linguagem contemporânea, e que o importante era viver o presente. Porém, o presente do estoico não é o presente do epicurista, não é um carpe diem de “capture o dia e goze com ele”. O presente do estoico é você viver o presente sem se deixar dominar por expectativas e inquietações com relação ao futuro e ao seu desejo. Trata-se de se defender dos efeitos nefastos da fortuna, no limite do possível. Nietzsche criticava os estoicos porque achava que eles eram meio depressivos, que é muito diferente da ideia do estoicismo que está na moda hoje em dia em discutir, a tal da mindfulness, essas coisas. O estoicismo era a filosofia que pregava a acomodação à lei do logos, que significa que nós somos muito pequenos e que tudo passa, por isso você deve se ater ao presente, viver com o que está perto, deve usufruir do que tem à mão agora, porque você não tem controle sobre o futuro. Ao mesmo tempo, você deve desconfiar, por exemplo, das grandes promessas que o mundo faz a você, porque o mundo nos engana e faz promessas falsas, então, se você entende esperança como a ideia de: eu vou viver agora, porque tenho esprança de que, no futuro, eu vou realizar o que quero, de fato não há essa esperança no estoicismo. O que o estoico tem é a crença de que, se ele conseguir colocar as suas inquietações sob o controle da sua razão, ele vai atingir um estado de ataraxia, que significa “imobilidade da alma”, leia-se: sem paixões ou apatheia (não, apatia, apatheia), e, através disso, ele vai se tornar autônomo.”
Pensem nisso!
Notas:
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Muita paz e harmonia espiritual para todos.