“A finitude é o destino de tudo.”
São palavras do escritor português José Saramago (1922-2010), premiado em 1998 com Nobel de Literatura. Pensei muito se deveria ou não trazer esse tema para este nosso encontro. Mas o que motivou esta minha decisão foi este entendimento da conhecida atriz Denize Fraga, em entrevista concedida ao jornalista e apresentador de TV, Pedro Bial: – “Falar da morte, compreender a finitude, imediatamente te coloca numa urgência de viver e de cuidar de sua vida e de pensar o que você vai fazer? Confesso ainda não ter pensado assim.
No seu artigo “Diversidade Humana” [que nada tem haver com a Finitude Humana], aprendi com o mestre em Neuropsicologia, Eduardo Shinyashiki – “Cada indivíduo é diferente e único, não só em relação ao outro ser humano, mas também em relação a si mesmo, pois estamos em contínua evolução e transformação do nosso caminhar pela vida.” (Fonte: Edição 143 da Revista PSIQUE, publicação da Editora Escala). Complemento:
Existe uma diferença entre “viver” e “saber viver”. Certo é que nunca estamos psicológica e comportalmente educados e preparados, para entender a “Finitude Humana”. O doutor em Educação Histórica pela UFPR, Daniel Medeiros, esclarece no seu artigo sobre “O novo normal não deve negar o passado”, publicado na Edição 137 da Revista Humamitas, da Editora Escala:
– “A filosofia dos gregos, por exemplo, era profundamente associada a uma reflexão sobre a vida e sobre o cosmo, sobre o imensamente grande e imensamente distante, ou sobre a conduta humana, tudo isso para esquecer a morte. “Não precisamos temer a morte”, dizia Epicuro, o filósofo do prazer, “porque enquanto existirmos ela não existe e quando ela existir, não existiremos mais.” Depois, no longo período medieval, passamos a vida refletindo sobre a morte, mas como uma preparação para outra vida, a eterna, a que valeria de verdade. Então veio a modernidade e encontramos outro subterfúgio, dessa vez na matemática e no exercício infinito da razão transformadora, criando um mundo novo sobre o mundo natural, como quem faz aquelas coberturas de crochê para galões de água. E para quê? Para iludir o tempo e preencher nossas existências arremessadas por aqui, nesse mundo, sem explicações satisfatórias de quem, por razão, como, quando e, principalmente, até quando”.
Por sua vez, esclarece João de Fernandes Teixeira, no seu bem fundamentado artigo “A Imortalidade Digital”, na Edição 187 da Revista Humanitas, publicação da Editora Escala. Da sua longa abordagem e muito atualizada, mas peço sua atenção para estas partes:
– “Nas últimas décadas, o conceito de morte passou por uma revisão radical. A morte já não é mais concebida como um estado definitivo, irreversível, do qual nunca mais poderemos regressar. De acordo com uma visão contemporânea, a vida pode ser interrompida e reiniciada, assim como ocorre com embriões mantidos em uma baixa temperatura, que conseguem suspender a química vital. (…) De acordo com essa redefinição, a morte, enquanto cessação provisória da existência, não implica o fim de uma pessoa. Se a medicina e a tecnologia desenvolverem meios para contornar a morte cerebral, incluindo evitar a morte do cérebro e do córtex, e as tecnologias cognitivas desenvolverem meios de transferir a memória e o pensamento para plataformas alternativas a fim de abrigar a vida, podemos especular que a nossa definição tradicional de morte precisa ser reexaminada.”
Pensem nisso, com “Sabedoria de Viver“.
Notas:
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Muita paz e harmonia espiritual para todos.