“O panorama espetacular de um pôr-do-sol sobre o oceano é um objeto emocionalmente competente. Mas o estado do corpo que resulta de contemplar esse panorama é o objeto imediato que está na origem do sentimento, e é o objeto cuja percepção constitui a essência do sentimento.”
Explicação do médico neurologista e neurocientista português, António Damásio, que encontrei no seu muito interessante livro “Em busca de Espinosa: prazer e dor na ciência dos sentimentos”, publicação da Editora Companhia Das Letras, por mim lido e relido várias vezes.
Damásio toca em um interessante ponto relacionado com o nosso ato de contemplar, que sempre despertou a minha atenção no sentido de como explicar duas pessoas, simultaneamente, apreciarem uma mesma imagem e reagirem diferente em relação aos seus sentimentos de gostar. Pergunto: A origem do nosso sentimento de “Belo”, está no homem ou nos cenários da sua apreciação?
Em 1999, na edição nº 30 da Revista VENTURA, da Editora Ventura Cultural Ltda do Estado de São Paulo, também com versão para o inglês feita por A.J.Waugh, foi publicado o meu trabalho “A Percepção da Arte”. Para este nosso encontro, dele destaco (numerei):
1. A contribuição da estética, para melhor entender o desenvolvimento psíquico da percepção de uma obra e arte, é fascinante. Platão e Aristóteles já preconizavam a beleza como sendo uma “virtude moral”, e Kant sugeria que um objeto era belo quando satisfazia um “desejo desinteressado” e afirmava que os “fundamentos da resposta do indivíduo à beleza existiam em sua estrutura de pensamento”.
2. Os filósofos alemães, como Friedrich Heguel, Arthur Schopenhaer e Friedrich Niketzche, rompendo essa linha de evolução sobre o “entendimento do belo”, sustentavam que a arte é a realização plena da vida, podendo qualquer experiência gerar algo belo.
3. O que se precisa entender é que toda obra de arte é a imagem que se percebe e não, necessariamente, uma imagem fixa e apenas representativa dos elementos da sua composição, ou a disposição dos diversos elementos de um trabalho artístico.
4. Toda obra de arte é sentimento, é emoção (do latim “emovere” – “o que se move”). É o sentimento, a emoção presente na essência da obra de arte que “desencadeia o dinamismo criador do artista”, repercutindo no espectador “o movimento que provoca novas combinações significativas entre suas imagens internas”.
5. A dinâmica da percepção visual da arte efetiva-se de modo inconsciente e emerge de estímulos inconscientes de preferências que variam de acordo com os nossos graus de sensibilidade artística.
6. Conclusão: Toda obra de arte é sentimento, toda obra de arte deve ser concebida e materializada com o equilíbrio da estrutura de um “todo harmônico” que enseja o surgimento de um elo de ligação com a essência das matizes estéticas das nossas realidades interiores.
Pensem nisso, principalmente quando você tiver a oportunidade de apreciar o panorama espetacular de um pôr-do-sol sobre o oceano”, considerado por António Damásio “um objeto emocionalmente competente”.
Notas:
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Muita paz e harmonia espiritual para todos.