(596) Sentindo a imortalidade da vida.

Não existe vida
que, ainda que por um instante,
não seja imortal
(…).”

São palavras da escritora, poetisa polonesa, Wislawa Szymborska (1923-2012), laureada com o Prémio Nobel de literatura em 1996. Não me perguntem porque não saberei explicar, foram-me intuídas logo após a leitura desta introdução do horóscopo de Oscar Quiroga, divulgado hoje, dia 11/09/2025.

ALIMENTO
Nós, os seres humanos, ocupamos um lugar na natureza que é visível e invisível ao mesmo tempo. A visibilidade é nossa personalidade objetiva e identificável por meio de um nome e de todos os números que nos vinculam à civilização, enquanto a invisibilidade é nossa alma subjetiva, conectada a esse organismo colossal que chamamos de Universo.
Tudo que existe requer alimento para se preservar em funcionamento, senão desintegra e seus componentes retornam ao repositório cósmico.
O alimento da personalidade é a comida, mas também o prestígio que conquistamos através de nossa atuação concreta, enquanto o alimento da alma é sutil, feito de emoções, sempre absolutas, de esperança, de ânimo apoiado nessas visões que chamamos de sonhos. Alimentar devidamente alma e personalidade é a tarefa nossa de cada dia.”

COMPLEMENTO:

Não se explicar mas sei escutar o meu “sentir interior”. Gosto desta explicação de Fernando Pessoa, reproduzida com a ortografia da época da sua manifestação, 1916:

“Para Orpheu.
Sentir é criar. Sentir é pensar sem idéias, e por isso sentir é compreender, visto que o Universo não tem idéias.
– Mas o que é sentir?
Ter opiniões é não sentir.
Todas as nossas opiniões são dos outros.
Pensar é querer transmitir aos outros aquilo que se julga que se sente.
Só o que se pensa é que se pode comunicar aos outros. O que se sente não se pode comunicar. Só se pode comunicar o valor do que se sente. Só se pode fazer sentir o que se sente. Não que o leitor sinta a pena comum [?]. Basta que sinta da mesma maneira.
O sentimento abre as portas da prisão com que o pensamento fecha a alma.
A lucides só deve chegar ao liminar da alma. Nas próprias antecâmeras do sentimento é proibido ser explícito.
Sentir é compreender. Pensar é errar. Compreender o que outra pessoa pensa é discordar dela. Compreender o que outra pessoa sente é ser ela. Ser outra pessoa é de uma grande utilidade metafísica.
Deus é toda a gente.
Ver, ouvir, cheirar, gostar, palpar – são os únicos mandamentos da lei de Deus. Os sentidos são divinos porque são a nossa relação com o Universo, e a nossa com o Universo Deus.

Pensem nisso. Mas fazendo uma viagem ao tempo de sentir de Fernando Pessoa.

Notas:
1. A reprodução parcial ou total de qualquer parte desta mensagem, dependem de prévia autorização (Lei nº 9.610/98).
2. Havendo nesta mensagem qualquer alegação ou citação que mereça ser melhor avaliada ou que seja contrária aos interesses dos seus autores, mande sua solicitação para edsonbsb@uol.com.br
3. A citação de Fernando Pessoa, foi reproduzida das Obras em Prosa, volume único, Biblioteca Luso-Brasileira, série portuguesa, 1986, publicação da Editora Nova Aguiar S.A.

Muita paz e harmonia espiritual para todos.

Publicado por

Edson Rocha Bomfim

Sou advogado, natural do Rio de Janeiro e moro em Brasília. Idade: Não conto os anos. Tenho vida. Gosto de Arte, Psicologia, Filosofia, Neurociência, Sociologia, Sincronicidade e Espiritualidade. Autores preferidos: Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Mark Nepo, Cora Coralina, Clarice Lispector, Lya Luft, Mia Couto, Mario Sergio Cortella e Mauro Maldonato. edsonbsb@uol.com.br

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