(577) Sentindo a importância subjetiva, dos nossos estados de “meditação”.

“Meditação e Saúde.”
Desde a antiguidade aprendemos com as tradições espirituais mais antigas e sábias da humanidade aquilo que as neurociências estão nos recordando no tempo presente: saúde não significa apenas estar bem fisicamente, mas, sobretudo, implica no alinhamento e no fluxo da nossa energia vital. Neste contexto, a prática da meditação tem um papel importantíssimo: ela nos ajuda e nos leva a um alinhamento entre o corpo, mente, alma e espírito. Ela possibilita que a nossa energia flua sempre de uma dimensão para outra gerando vitalidade, disposição, clareza e lucidez. Meditar significa ouvir a voz do Eterno. Que a prática da meditação diária e contínua nos renove sempre no amor.”

São palavras do Professor Carlos Eduardo Xavier, Mestre em Educação pela Universidade de Sorocaba – UNISO, em São Paulo.

COMPLEMENTO:

É um importante processo de interiorização, alcançado pela prática individual de “autoconhecimento”.

Merecem atenção estas explicações do Psicólogo e mestre em Neurociências e Comportamento, Marco Callegaro, publicada na Edição 116 da Revista PSIQUE, da Editora Escala (numerei):

1. Existem práticas de meditação que dirigem o foco da atenção para um tipo de estímulo somente, enquanto outras não são diretivas, permitindo a emergência de processos mentais espontâneos.

2. A função de processos mentais espontâneos na meditação é controversa. Dependendo do tipo de prática meditativa, a visão adotada sobre o fluxo espontâneo de pensamento varia imensamente, desde ser considerado um objetivo em si da meditação, ou até algo a ser evitado o mais possível.

3. Tem existido ampla divulgação em relação à meditação do tipo mindfullness (ou de atenção plena) e os processos mentais espontâneos da mente estão nessa óptica, sendo considerados como causadores de depressão, ansiedade, perda de foco, entre outros aspectos negativos.

4 A meditação diretiva é baseada na atenção focada, ou seja, um único tipo de estímulo ou sensação. Na meditação tipo mindfullness, usualmente o sujeito se concentra na respiração e afasta gentilmente os pensamentos espontâneos que surgem, praticando cada vez mais o retorno ao foco da respiração. Já na meditação não diretiva, um foco relaxado da atenção é estabelecido pela repetição sem esforço de uma sequência de sílabas, que pode ser um mantra ou uma sequência de sons sem significados.

5. Quando estamos sem uma demanda imediata, nosso cérebro se volta para nos preparar para interagir com o mundo social, e a meditação não diretiva pode facilitar esse tipo de direcionamento.

Agora vejam estas considerações da doutora Keitiline Viacava, que realizou pós-doutorado em Neurociências Cognitiva na Universidade de Georgetown, em Washington:

– “Frequentemente perguntam minha opinião a respeito da meditação e de seus supostos benefícios. De fato, a meditação, como muitos exercícios considerados místicos, merecem uma análise sob o olhar rigoroso da ciência. Segundo uma visão cognitivista de mundo e de pessoas, tendo a considerar a meditação mais pelo lado do treino mental, e menos pelo lado espiritual. Atualmente, há um conjunto robusto de evidências sustentando a sua prática. Sabe-se que o treino da mente pela meditação pode impactar positivamente respostas emocionais e cognitivo-comportamentais nas pessoas, e isso tem sido observado em diferentes contextos, como em situações associadas a elevado níveis de estresse. Ela é útil porque pode aumentar o foco e reduzir a reatividade a situações negativas e, assim, também acaba contribuindo para a produtividade e a criatividade na vida pessoal e profissional. (..) A meditação também pode aprimorar a performance cognitiva global, e esse é um dos principais benefícios que me levam a indicar a sua prática.”

Conclui a doutora Keitiline Viacava:

– “Da mesma forma como você não precisa entender de vinho para beber o que gosta, é possível praticar a meditação como treino mental, sem ter que entender de todas as suas sutilezas para coletar seus benefícios.”

Termino este nosso encontro, dizendo que muitas vezes também gosto de “meditar” sobre o que os outros dizem, e que subjetivamente me toca. Aconteceu recentemente em uma das minhas leituras, ao tomar conhecimento desta resposta do psicanalista Hélio Pellegrino (1924-1988), ao ser perguntado por Clarice Lispector sobre qual a coisa mais importante para uma pessoa como indivíduo:

– “Pessoa e indivíduo, sem estarem em oposição, constituem, no entanto, uma polaridade dialética. O indivíduo, em processo de individuação, se personaliza. E, na medida que o faz, transcende sua dimensão individual, insere-se num todo comunitário onde o indivíduo se perde para que a pessoa possa ganhar-se. Creio que a coisa mais importante para uma pessoa, como indivíduo, é morrer em si o indivíduo para que a pessoa possa nascer e desenvolver-se. Na pessoa, o indivíduo morre para renascer em nível mais alto, já não como indivíduo, mas como um ser que – repartido – se torna capaz de compartilhar esquecendo-se de si.”

Pensem nisso.

Notas:
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Muita paz e harmonia espiritual para todos.

Publicado por

Edson Rocha Bomfim

Sou advogado, natural do Rio de Janeiro e moro em Brasília. Idade: Não conto os anos. Tenho vida. Gosto de Arte, Psicologia, Filosofia, Neurociência, Sociologia, Sincronicidade e Espiritualidade. Autores preferidos: Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Mark Nepo, Cora Coralina, Clarice Lispector, Lya Luft, Mia Couto, Mario Sergio Cortella e Mauro Maldonato. edsonbsb@uol.com.br

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