(574) Sentindo a vinculação subjetiva, em muitos dos nossos relacionamentos.

Aceitar a si mesmo – eis aí um caminho para a liberdade e para uma vida nova.

São palavras do monge beneditino alemão, Anselm Grün, autor de quase trezentos livros sobre “espiritualidade”. Em termos de “realidades existenciais”, esse seu “sentir” também é merecedor da nossa atenção em todos os sentidos de reconhecimentos de “apoio humanista” (Penso assim). É o mínimo que precisa o ser humano que, por
vezes, se sente inseguro “consigo mesmo”. Nesta nossa caminhada para o “autoconhecimento – uma de transformação interior, repetidas vezes tenho afirmado que nós somos “seres único”, com suas potencialidades existenciais definidas, inclusive subjetivamente definidas para “si mesmo”. Somos, portanto, seres singulares. Mesmo assim, vejam que interessante:
– O psicanalista José Andrade Nogueira, com formação em Psicanálise com ênfase em Psicopatologia Clínica e Reabilitação Social, no seu interessante e bem fundamentado artigo “Além das Fronteiras do objeto”, publicado na edição 141 da Revista Humanitas, da Editora Escala, sobre as nossas “Relações de Vínculo”, inicialmente faz referência a este entendimento do jornalista e escritor Jorge da Cunha Lima – “O Outro pra você, é o Outro, porém, você para o Outro, também é o Outro”. Em seguida, complementa:

– “Pensemos agora sobre quais processos psicológicos estão vinculados em uma relação de associação e união com o outro.
Primeiramente, é preciso considerar que Wilfred Bion, psicanalista britânico, conceitua o vínculo como uma relação resultante de elos – emocionais e interacionais – que ligam duas ou mais pessoas, ou duas ou mais partes constituintes do psiquismo de uma mesma pessoa (ZIMERMAN, p. 333). Para Bion, numa relação interpessoal, quando ela é intersubjetiva, há uma fusão de certa forma indivisível entre quatro aspectos emocionais de uma personalidade: amor, ódio, conhecimento e reconhecimento.
Ao estabelecer o vínculo com qualquer pessoa, sejam amigos, namorados, família, vínculo conjugal ou relações de trabalho, duas personalidades estarão dispostas a encarar uma relação tênue entre o amor, o ódio, o conhecimento e o reconhecimento ao mesmo tempo, ou seja, concomitantemente. Haverá uma relação de amor, uma relação de ódio; haverá o conhecimento de novas fronteiras e o reconhecimento dessas demarcações. Estar, portanto, vinculado a alguém não é tarefa fácil.”

Sobre a definição de ego e de self:

– “Falar do ego é uma leitura aparentemente fácil que diz respeito a “mim mesmo e sobre quem eu sou”, “não é mesmo? Errado. Falar de ego é falar de desalinho, de desarranjo em nossa cabeça, em nosso psiquismo. Falar de ego é falar de instância psíquica e, ao mesmo tempo, de conceitos, grafia e espelho. Um emaranhado de coisas e fenômenos simultâneos. Falar de ego diz muito sobre nós e muito sobre os outros. Falar de ego é falar de nós mergulhados em nós mesmos, de nós com o outro e vice-versa.
É muito comum usar a expressão para falar sobre si mesmo como eu, porém, atualmente, nos avanços das pesquisas da era moderna e na própria pós-modernidade, o nosso eu uma estreita relação com o nosso self, ou seja, uma relação de ego com o Ego. Para alguns autores, a inicial minúscula da palavra ego tem a ver com o “ego” que Freud situa em meio às instâncias do Id e Superego, ou seja, um componente do Aparelho Psíquico.

Segundo Freud, em sua Segunda Teoria do Aparelho Psíquico, o “ego” seria encarregado de tratar da realidade como ela é. A parte deste aparelho que se responsabiliza por fazer com que os nossos desejos, opiniões, censuras e inclinações sejam elaborados, portanto, a constituição psíquica mais próxima da realidade.

Ao pensarmos no ego como aquela instância psíquica encarregada de nos trazer de volta à realidade quando algo sai do normal, este mesmo ego com “e” minúsculo torna-se também o atilado “personagem” que se encontra dentro de si mesmo, com o self, o Ego fotografado e contido dentro do primeiro eu. Esse trabalho interno é responsável por manter o nosso equilíbrio na instância do real, da verdade e do concreto. É esse jogo de relações entre um ego e outro que nos permite alinhar algo entre o que eu devo, eu quero, eu posso e com o que eu não devo, eu não devo querer e eu não posso.

Pensem nisso.

Notas:
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Muita paz e harmonia espiritual para todos.

– “

Publicado por

Edson Rocha Bomfim

Sou advogado, natural do Rio de Janeiro e moro em Brasília. Idade: Não conto os anos. Tenho vida. Gosto de Arte, Psicologia, Filosofia, Neurociência, Sociologia, Sincronicidade e Espiritualidade. Autores preferidos: Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Mark Nepo, Cora Coralina, Clarice Lispector, Lya Luft, Mia Couto, Mario Sergio Cortella e Mauro Maldonato. edsonbsb@uol.com.br

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