(579) Sentindo como devemos ser “para nós mesmos” e “para todos”.

Sob uma perspectiva de entendimento sobre muitas das humanas manifestações comportamentais, nossas buscas de “autoconhecimento” nem sempre me parecem eficazes para, subjetivamente, mostrar os significados que desejamos ser “para nós mesmos” e “para todos”.”

São minhas palavras, recebidas do meu “sentir interior”. Repetidas vezes estou transmitindo para meus seguidores a necessidade de todos nós, ser humanos, “voltar-se para si mesmo”. Isto porque somos nós que modelamos como nos sentimos ser, mais ninguém consegue, porque somos os donos das nossas individualidades existenciais, porque somos “seres únicos”. Nesse sentido, concordo com este entendimento do psicanalista José Andrade Nogueira: – “Olhar para si mesmo não é tarefa fácil como se diz por aí. Para entender e não se perder nos meandros da psique, é preciso estar aberto para uma escuta qualificada. É essa a tarefa de psicanalistas e psicólogos.”

Gosto deste exemplo de Pedro Bloch (1914-2004), citado anteriormente na mensagem 556, sendo merecedor de ser repetido neste nosso encontro. Ao ser perguntado por Clarice Lispector (1920-1977), sobre como ele se via de verdade, respondeu:

-“Fiz uma vez, uma receita de viver que acho que me revela. Viver é expandir, é iluminar. Viver é derrubar barreiras entre os homens e o mundo. Compreender. Saber que, muitas vezes, nossa jaula somos nós mesmos, que vivemos polindo grades em vez de libertar-nos. Procuro descobrir nos outros sua dimensão universal e única. Não podemos viver permanentemente grandes momentos, mas podemos cultivar sua expectativa. A gente só é o que faz aos outros. Somos consequência dessa ação. Talvez a coisa mais importante da vida seja não vencer na vida. Não se realizar. O homem deve viver se realizando. O realizado botou ponto final. Tenho um profundo respeito humano. Um enorme respeito à vida. Acredito nos homens. Até nos vigaristas. Procuro desenvolver um sentido de identificação com o resto da humanidade. Não nado em piscina se tenho mar. Gosto de gostar. Todo mundo é perfeito até prova em contrário. Gosto de fazer. Não fazer… me deixa extenuado. Acredito mais na verdade que na bondade. Acho que a verdade é a quintessência da bondade, a bondade a longo prazo. Tenho defeitos, mas procuro esquecê-los a meu modo. “Saber olvidar lo malo también es tener memoria” [Frase do poema épico argentino “Martín Fierro”, de José Hernández, do século XIX.].

Pensem em como você se sente ser “para si mesmo”, e também “para todos”.

Notas:
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Muita paz e harmonia espiritual para todos.

Publicado por

Edson Rocha Bomfim

Sou advogado, natural do Rio de Janeiro e moro em Brasília. Idade: Não conto os anos. Tenho vida. Gosto de Arte, Psicologia, Filosofia, Neurociência, Sociologia, Sincronicidade e Espiritualidade. Autores preferidos: Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Mark Nepo, Cora Coralina, Clarice Lispector, Lya Luft, Mia Couto, Mario Sergio Cortella e Mauro Maldonato. edsonbsb@uol.com.br

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