“O corpo da medicina não é o mesmo da psicanálise. Em análise se fala do corpo, ou melhor: na psicanálise fala o corpo.”
São palavras de Graciela Brodsky, Psicanalista, Analista membro da Escuela de Orientación Lacaniana e da Associação Mundial de Psicanálise, no seu interessante artigo “Meu corpo e eu”, publicado na edição especial 253 da Revista Cult, ano 2010, da Editora Bregantini. Dele destaco esta sua explicação:
– “O corpo não tem um lugar circunstancial na análise, mas parece concentrar um interesse especial do analisando, um motivo de preocupação, queixa, satisfação ou sofrimento, que o leva a falar. Ao consultório vem o corpo e se fala do corpo, do corpo próprio e do Outro, com o qual, em geral, não se sabe o que fazer. O corpo não é uma variável interveniente a ser neutralizada para dar lugar à palavra, ele é o referente dos ditos do analisando.
Agora vejam que interessante diálogo mantido entre o monge budista Matthieu Ricard com o neurobiologista Wolf Singer, diretor emérito do Instituto Max Planck de Pesquisa do Cérebro, e fundador do Instituto de Estudos Avançados Frankfurt (IEAF):
“Matthieu – Alguns meditadores que fazem longos retiros dormem a noite inteira sentados, com as pernas cruzadas. Não é de esperar, portanto, que se mexam muito. Outros dormem tradicionalmente virados do lado direito, com a face pousada na mão direita e o braço esquerdo repousando ao logo do corpo.
Wolf – Existe um motivo para isso?
Matthieu – É bem complicado. Os ensinamentos dizem que, ao dormir nessa posição, exercemos uma pressão que inibe os canais sutis do corpo situados do lado direito, que servem de suporte para emoções negativas. Portanto, ao dormir desse lado facilitamos o movimento da energia que circula nos canais situados no lado esquerdo, que transmitem emoções positivas. É surpreendente constatar que isso corresponde perfeitamente à noção segundo a qual o córtex pré-frontal direito está associado a emoções negativas, enquanto o esquerdo é ativado quando experimentamos emoções positivas. Outro motivo pelo qual é aconselhável dormir do lado direito é evitar comprimir o coração.
Há alguns anos, durante um retiro de oito meses, tentei me observar. Uma ou duas vezes a cada noite, eu olharia para o despertador na mesa da cabeceira, para ver as horas. Ao longo de sete meses, tentei reparar em minha posição ao acordar. Todas as vezes, sempre que acordava no meio da noite ou pela manhã, na hora de me levantar, mal abria os olhos eu via o despertador ali, na altura do rosto. Nunca aconteceu que eu acordasse olhando para o teto ou virado para o outro lado. Portanto, posso afirmar com segurança que nunca me virei durante horas de sono.”
Wolf – Gostaria de arriscar uma especulação. O cérebro deve ter condições de estabelecer uma diferença entre estados positivos e negativos, estados coerentes e incoerentes.”
Pense nisso se você se acha ser mais pessimista do que otimista.
Notas:
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3. O diálogo acima, foi reproduzido do excelente e proveitoso livro “Cérebro e Meditação – Diálogos entre o Budismo e a Neurociência”, publicação da Editora ALAÚDE, que recomendo como leitura obrigatória.
Muita paz e harmonia espiritual para todos.