(654) Sentindo plenitude de elevação, com nossos sentimentos de “espiritualidade”.

“O mal que algumas palavras têm não é o que significam directamente. O mal são as conotações. Nós dizemos «espiritualidade», dizemos «espírito», que não sabemos o que é. É que ninguém pode apresentar uma definição de «espiritualidade» que seja convincente. Tenho a impressão de que as palavras atrapalham muito.”

São palavras do escritor português José Saramago (1922-2010). Nesta nossa caminhada de interiorização, já tratei várias vezes da subjetiva transcendência dos nossos sentimentos de “espiritualidade” [mensagens 578, 569, 533, 501,487, 374, 212, 202, 174, 142, 134, 126 e 115]. Para mim, a mais significativa continua sendo a de número 126, com o título “Sentindo a essência interior dos nossos sentimentos de religiosidade e de espiritualidade”. Vejam que interessante e merecedor da nossa atenção: No início deste ano fui presenteado com o calendário “Coração de Jesus – Abençoais este lar”, que diariamente dele destacamos uma folha contendo mensagens bíblicas e pensamentos significativos. A do dia 14 deste mês, veio com esta do Frei Gilberto da Silva, de Petrópolis no Rio de Janeiro:

Espiritualidade e Otimismo – A espiritualidade e o otimismo são aspectos conectados e podem desempenhar um papel importante na vida das pessoas, entusiasmando sua perspectiva, emoções e saúde mental. O otimismo é uma mentalidade que envolve a crença de que eventos e circunstâncias terão resultados positivos. Essa atitude positiva em relação ao presente e futuro ajuda a superar os desafios e obstáculos. A espiritualidade e o otimismo podem influenciar-se mutuamente, promovendo gratidão, perdão, aceitação e esperança, todos sentimentos relacionados ao otimismo. Da mesma forma, um estado de espírito otimista pode fortalecer a busca espiritual, permitindo que alguém veja o potencial positivo nas experiências e no mundo que vive.”

Sabemos que independente de qualquer crença religiosa, todo ser humano é ´livre para fazer suas escolhas. Mas o que subjetivamente muito vai ajudar definir essas escolhas, sempre será a singularidade da nossa “realidade psíquica” [dentre muitas outras, mensagens 347, 338 e 336], bem como o reconhecimento da nossa “incompletude”. A respeito explica a psicanalista Lucília Maria Abrahão, estudiosa da Psicanálise de Lacan, muito por mim citada nesta nossa caminhada. Isto porque ela entende que “o sujeito deseja porque é incompleto”. Sobre a convivência dessa eterna incompletude do ser humano, gosto desta sua explicação:

– “Justamente porque é incompleto (e sempre será) e porque algo se coloca como ausência, o sujeito fala e pode desejar, colocando-se em movimento para continuar sua busca por um objeto que o complete. Busca inglória e permanente, que não se cumpre como uma realização absoluta, mas que se dá a ver como deslocamento constante nas/entre as palavras.”

A “espiritualidade”, para mim, subjetivamente insere necessidades de buscas interiores de sentimentos de integração, de realizações, e principalmente de necessidades de elevação de transcendências em todos os sentidos de nosso existir.

Termino este nosso encontro com esta sabedoria de saber viver”, de Lya Luft (1938-2021), para quem dediquei esta nossa caminhada de interiorização (mensagem 001):

– “Existir é poder refinar nossa consciência de que somos demais preciosos para nos desperdiçarmos buscando ser quem não somos, não podemos, nem queremos ser.”

Acrescento, com sentimento de humildade:

– O “sentimento de espiritualidade” nesta dimensão de vida sempre será, em cada um de nós, condição de elevação em todos os sentidos do nosso “existir”.

Pensem nisso!

Notas:
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Muita paz e harmonia espiritual para todos.

Publicado por

Edson Rocha Bomfim

Sou advogado, natural do Rio de Janeiro e moro em Brasília. Idade: Não conto os anos. Tenho vida. Gosto de Arte, Psicologia, Filosofia, Neurociência, Sociologia, Sincronicidade e Espiritualidade. Autores preferidos: Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Mark Nepo, Cora Coralina, Clarice Lispector, Lya Luft, Mia Couto, Mario Sergio Cortella e Mauro Maldonato. edsonbsb@uol.com.br

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