(636) Sentindo com o fluir da ‘temporalidade’, a origem subjetiva de possíveis estados de “ansiedades”.

Minha mãe sempre diz: Não há dor que dure para sempre! Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos. E apesar de saber de tudo isso porque algumas dores duram tanto?

São palavras do nosso conhecido gênio, o cantor e escritor Chico Buarque, que com as suas composições sempre engrandeceu a musicalidade por sucessivas gerações. A “temporalidade” em nossas vidas merece a a sua atenção nesta caminhada para o “autoconhecimento – uma trajetória de transformação interior, principalmente porque tudo é efêmero. Todos nós temos os nossos sonhos de realizações, mas precisamos nos desapegar e não viver em função deles. Certo é que tudo acontece quando tem que acontecer, não quando desejamos que aconteça. Quem não aplica esse entendimento “para si mesmo”, pode alimentar seus estados de “ansiedades”. Saber esperar é preciosa virtude. Aliás existe um conhecido entendimento de que muitos dos nossos desejos, também dependem dos nossos merecimentos. Preciso pensar mais a respeito. Agora vejam que interessante:

– O neurobiologista Wolf Singer, diretor emérito do Instituto Max Planck de Pesquisa do Cérebro, fundador do Instituto de Estudos Avançados Frankfurt (IEAF), no seu livro “Cérebro e Meditação – Diálogos entre o Budismo e a Neurociência”, escrito em parceria com o monge budista Matthieu Ricard, publicação da Editora ALAÚDE com tradução de Fernando Santos pergunta [recomendo a leitura]:

– “Que realidade percebemos? Como adquirimos o conhecimento do mundo? Até que ponto esse conhecimento é confiável?Nossas percepções refletem a realidade tal como ela é ou percebemos apenas os resultados das nossas interpretações?” Em seguida responde: – “Dispomos de duas fontes diferentes de conhecimento. A principal e a mais importante é a experiência subjetiva, pois ela tem origem na introspecção ou nas interações com o ambiente. A segunda fonte é a ciência, que tenta compreender o mundo e a condição humana utilizando instrumentos que constituem uma extensão dos sentidos, ao mesmo tempo que aplica os instrumentos do raciocínio lógico para interpretar os fenômenos observados, para desenvolver modelos preditivos e para verificar nossas previsões por meio da experimentação científica. No entanto, essas duas fontes de conhecimento estão limitadas pelas faculdades cognitivas do cérebro, que, na verdade, restringem tanto o objeto de nossa percepção como a maneira pela qual o percebemos, imaginamos e racionalizamos.”

Acima fiz referência aos nossos “estados de ansiedades”. A respeito, também peço atenção para estas considerações da doutora em Filosofia, Monica Aiub [Fonte Revista Humanitas, Edição 183, publicação da Editora Escala]:

– “Quando dizemos que estamos ansiosos ou sofremos de ansiedade, não significa, necessariamente, que fomos acometidos por um transtorno e necessitamos de tratamento médico. É comum utilizarmos o termo “ansiedade” para expressar nossa inquietação, nossa impaciência diante de algo que desejamos ou tememos que aconteça ou que não aconteça. Aliás, é um termo muito presente em nossos diálogos cotidianos, cabendo questionar se, de fato, vivemos em estado de ansiedade e, principalmente, o que isso significa. A depender do significado, podemos estar diante de uma reação instintiva ou construída culturalmente; de um sinal para aguçarmos nossa percepção e compreendermos o que se passa conosco, com o mundo ou com outras pessoas; de uma expressão da necessidade de mudança nos rumos de nossa vida; de alterações bioquímicas que demandam pesquisa, suporte e acompanhamento profissional; entre outras possibilidades. Assim, afirmar que vivemos em estado de necessidade não significa que estejamos vivendo em um mesmo e único estado. A ansiedade que sinto pode ser de natureza muito diferente daquela que afeta o outro; mas se for da mesma natureza, ainda assim, sua manifestação pode ser completamente distinta em cada pessoa, em cada momento, em cada contexto.”

Nesta nossa já longa caminhada, pela primeira vez, em um mesmo encontro, trago considerações sobre dois temas: o da “temporalidade“, conhecida nos ensinamentos budistas por “impermanência”, e o da “ansiedade”. Isto porque, como sabemos, em muitas situações do nosso viver subjetivamente o sentido de “passageiro”, de “temporário”, pode nós deixar “ansiosos” diante das possíveis e consequentes, para nós, imprevisibilidades futuras.

Pensem nisso.

Notas:
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Muita paz e harmonia espiritual para todos.

Publicado por

Edson Rocha Bomfim

Sou advogado, natural do Rio de Janeiro e moro em Brasília. Idade: Não conto os anos. Tenho vida. Gosto de Arte, Psicologia, Filosofia, Neurociência, Sociologia, Sincronicidade e Espiritualidade. Autores preferidos: Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Mark Nepo, Cora Coralina, Clarice Lispector, Lya Luft, Mia Couto, Mario Sergio Cortella e Mauro Maldonato. edsonbsb@uol.com.br

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