(556) Sentindo que aprendemos com as convivências interpessoais.

Ao expandirmos o campo do conhecimento apenas aumentamos o horizonte da ignorância.”

São palavras do escritor norte-americano Henry Miller (1891-1980), que anteriormente já participou seis vezes desta nossa caminhada para o “autoconhecimento” – uma jornada de transformação interior. Agora prestem atenção nesta síntese do entendimento do Psicólogo Marco Callegaro, que é mestre em Neurociências e Comportamento, e se dedica ao que ele chama de o “Cérebro Solitário”:

– “Solidão não é apenas a ausência de companhia; é uma percepção de isolamento que tem enormes implicações para a saúde, levando a depressão, dependência química ou transtornos alimentares. O cérebro emocional e social não faz distinção finas e incorpora a percepção de isolamento, sem considerar que estamos vendo uma montagem de melhores momentos. Paradoxalmente, uma rede social pode contribuir para a solidão, ao induzir uma percepção exagerada da socialização dos outros e um sentimento de estar à parte da festa da vida.”

Alguns de vocês podem ter estranhado ter começado este nosso encontro com o entendimento de Henry Miller, e logo em seguida ter reproduzido o entendimento do Psicólogo Marco Callegaro sobre os nossos estados de solidão. Pergunto: Como entender essa subjetiva relação? Explico:

– Em certas circunstâncias de algumas das nossas realidades de convivências, existem seres humanos que não podem, ou não conseguem se isolar completamente de algumas de suas indesejadas inteirações de realidades. Assim, como entendo, não podemos chamar de “ignorância” a manutenção desses “convívios forçados” de interações existenciais. Aliás, a própria etimologia linguista [que estuda a origem e a evolução das palavras], nos leva a cogitar na ocorrência de afastamentos, temporários ou não. Por exemplo: Como acontece em muitos casos de separações conjugais. Agora vejam que interessante síntese sobre “aceitação incondicional”, do Psicólogo Humanista Carl Rogers, que encontrei no seu livro “Tornar-se Pessoa”, publicado no Brasil pela Editora Martins Fontes:

– “É SEMPRE ENRIQUECEDOR PODER ACEITAR OUTRA PESSOA.”

Termino este nosso encontro com esta resposta de Pedro Bloch (1924-2004), em entrevista concedida a Clarice Lispector:

– Pedro, você me parece expansivo, espontâneo. E, no entanto, é um homem também reservado, voltado para dentro de si, no sentido em que você dá aos outros e pouco pede para si. Como é você de verdade?

– Fiz uma vez uma receita de viver que acho que me revela. Viver é expandir, é iluminar. Viver é derrubar barreiras entre os homens e o mundo. Compreender. Saber que, muitas vezes, nossa jaula somos nós mesmos, que vivemos polindo as grades em vez de libertar-nos. Procuro descobrir nos outros sua dimensão universal e única. Não podemos viver permanentemente grandes momentos, mas podemos cultivar sua expectativa. A gente só é o que faz aos outros. Somos consequência dessa ação. Talvez a coisa mais importante da vida seja não vencer na vida. Não se realizar. O homem deve viver se realizando. O realizado botou ponto final. Tenho um profundo respeito humano. Um enorme respeito à vida. Acredito nos homens. Até nos vigaristas. Procuro desenvolver um sentido de identificação com o resto da humanidade. Não nado em piscina se tenho mar. Gosto de gostar. Todo mundo é perfeito até prova em contrário. Gosto de fazer. Não fazer… me deixa extenuado. Acredito mais na verdade que na bondade. Acho que a verdade é a quintessência da bondade, a bondade a longo prazo. Tenho defeitos, mas procuro esquecê-los a meu modo. “Saber olvidar lo malo también es tener memoria.” [Frase do poema épico argentino Martin Fierro, de José Hernández, do século XIX.]

Que consistente e bela demonstração de “autoconhecimento”.

Pensem com esta mensagem, em seus relacionamentos interpessoais.

Notas:
1. A reprodução parcial ou total de qualquer parte desta mensagem, dependem de prévia autorização (Lei nº 9.610/98).
2. Havendo nesta mensagem qualquer alegação ou citação que mereça ser melhor avaliada ou que seja contrária aos interesses dos seus autores, mande sua solicitação para edsonbsb@uol.com.br
3. A parte da entrevista de Pedro Bloch, foi reproduzida do livro “Clarice Lispector entrevista”, da Editora Rocco.

Muita paz e harmonia espiritual para todos.

Publicado por

Edson Rocha Bomfim

Sou advogado, natural do Rio de Janeiro e moro em Brasília. Idade: Não conto os anos. Tenho vida. Gosto de Arte, Psicologia, Filosofia, Neurociência, Sociologia, Sincronicidade e Espiritualidade. Autores preferidos: Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Mark Nepo, Cora Coralina, Clarice Lispector, Lya Luft, Mia Couto, Mario Sergio Cortella e Mauro Maldonato. edsonbsb@uol.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Content is protected !!
Copy Protected by Chetan's WP-Copyprotect.