(361) Sentindo em nossos envolvimentos existenciais, a subjetividade dos sentimentos.

“AINDA QUE PAREÇA IMPOSSÍVEL DESCREVER OS SENTIMENTOS, VALE A PENA O ESFORÇO, PORQUE ASSIM SUA MENTE E CORAÇÃO SE CONECTARÃO E APROXIMARÃO. OS SENTIMENTOS SÃO INFORMAÇÕES PRECIOSAS, E SEMPRE MUITO CERTEIRAS.”

São palavras do astrólogo Oscar Quiroga em uma das previsões do seu horóscopo. Nem sempre os significados subjetivos e sensoriais da essência dos nossos sentimentos, podem ser por nós explicados. Apenas algumas das sensações que sentimos. Tim Maia (1942-1998) repetidas vezes dizia: “Gosto de cantar com sentimentos. Se não transmitir sentimento, não atinge ninguém.” Para a romancista Adélia Prado, “a coisa mais fina do mundo é o sentimento”. O escritor e poeta Alphonse de Lamartine (1790-1869) reconhecia “ser o sentimento a poesia da imaginação.” Para Leonardo da Vinci, “todo o nosso saber começa nos sentimentos.” Clarice Lispector (1920-1977) ensinava: “É necessário abrir os olhos e perceber as coisas boas dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão.” – “Os sentimentos são sempre uma surpresa.” – “A saudade é um dos sentimentos mais urgentes que existem.”

Sobre para que servem os sentimentos, explica o neurologista António Damásio no seu livro “O mistério da consciência” – do corpo e das emoções ao conhecimento de si, publicação da Editora Companhia Das Letras, com tradução de Laura Teixeira Motta, pág. 229:

– Alguém poderia argumentar que emoções sem sentimentos seriam um mecanismo suficiente para regular a vida e promover a sobrevivência, que sinalizar os resultados desse mecanismo regulatório não seria necessário para a sobrevivência. Mas não é isso que acontece. Ter sentimentos é extraordinariamente valioso para a orquestração da sobrevivência. (…) A disponibilidade de sentimento também é um trampolim para o desenvolvimento seguinte – o sentimento de saber que temos sentimentos.

No seu mais recente livro, “A estranha ordem das coisas – as origens biológicas dos sentimentos e da cultura” (também publicado pela Companhia Das Letras), Damásio complementa depois de perguntar “se usamos sentimentos para construir nossa individualidade” [numerei]:

1. Sentimentos são as experiências subjetivas do estado da vida, isto é, da homeostase. (pág.35).
2. Os sentimentos nos dizem o que precisamos saber (pág.59). Acompanham a trajetória da vida em nosso organismo, tudo que percebemos, aprendemos, lembramos, imaginamos, raciocinamos, julgamos, decidimos, planejamos ou criamos mentalmente. (pág.119)
3. A ausência completa de sentimentos significaria uma suspensão da existência (…) comprometeria a natureza humana (pág.120).
4. A experiência sentida é um processo natural de avaliar a vida relativamente às suas experiências. (pág.126)
5. O material recordado mobiliza programas emotivos que produzem sentimentos correspondentes e reconhecíveis. (pág.133)
6. Os sentimentos, em si, nunca são memorizados, não podem ser recordados, mas recriados no momento, com maior ou menor fidelidade, para completar e acompanhar fatos recordados. (pág. 165)

Termino o nosso encontro com este “sentir” de Hegel (1770-1831), transmitido nos seus Cursos de Estética, realizados em Berlim entre 1820 e 1829 (publicação da Editora Martins Fontes, ano 1996, com tradução de Orlando Vitorino):

Quando é subjetiva a natureza dos objetos, quer dizer, quando os objetos existem no espírito, não fazem parte do mundo do material sensível, sabemos que existem no espírito como produtos da própria atividade espiritual. (…)
Evocar em nós todos os sentimentos possíveis, penetrar a nossa alma de todos os conteúdos vitais, realizar todos estes momentos interiores por meio de uma realidade exterior que da realidade só tem a aparência, eis no que consiste o particular poder, o poder por existência da arte. (…)
A obra de arte é um meio com o qual o homem exterioriza o que ele mesmo é. (…)
O sensível é objeto de contemplação, de intuição. Enquanto tal, não se dirige ao espírito mas à sensibilidade.

Pensem nisso.

Notas:
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2.Havendo nesta mensagem qualquer alegação ou citação que mereça ser melhor avaliada ou que seja contrária aos interesses dos seus autores, mande a sua solicitação para edsonbsb@uol.com.br .

Muita paz e harmonia espiritual para todos.

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(360) Sentindo a subjetividade de como nos sentimos ser.

Não entendo, apenas sinto. Tenho medo de um dia entender e deixar de sentir.”

São palavras de Clarice Lispector (1920-1977), nesta sua décima primeira participação em nossa jornada para o “autoconhecimento”. Clarice recomendava: “Não se preocupe em entender, porque viver é o melhor entendimento”. Referindo-se “a si mesma”, assim brincava com as palavras: “Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato… Ou toca, ou não toca.” Maravilha!
A subjetiva percepção do “sentir como somos” e, em nossos relacionamentos, a de como os outros “sentem como parecemos ser“, merece a nossa atenção porque, até mesmo de modo inconsciente, muitos de nós criamos um permanente modo de ser e de pensar em que nos identifica como somos para nós mesmos e para todos. Gosto desta síntese do filósofo empirista George Berkeley (1685-1753): “Ser é ser percebido” (Acrescento: por mim mesmo e pelos outros).

No mês passado completamos oito anos de existência desta nossa jornada para o “autoconhecimento”. Emocionado, dedico ao neurocientista, Miguel Nicolelis, em forma de agradecimento e pelo seu incentivo declarado em 2016, na Festa Literária Internacional de Paraty, em entrevista à jornalista Natasha Madov, durante o lançamento do seu livro “Muito além do nosso eu“. Respondendo sobre a história da sua vida, contada no livro, esclareceu:

– Tudo é dependente da história de vida de cada um. Então, para entender a minha teoria, as pessoas precisam conhecer quem eu sou.
Retirei essas considerações de um blog que costumo ler e recomendo ao amigo leitor: sensibilidadedaalma.blog.br. Foi lá também que li: “A intuição é a capacidade de fazer um julgamento sem ter consciência das informações em que se baseia. (…) Em geral, nem sabemos dizer o que nos levou a um juízo específico.”
A essência da Sensibilidade da Alma, de Rubem Alves, está manifesta quando ele se refere à necessidade de humanizar o cientista e, também, ao envolvimento de matizes de subjetividade das nossas vidas em tudo o que fazemos. Transmitindo o “conhecimento interior” de quem somos, conseguimos revestir de significado especial toda a nossa participação voltada para a melhoria do ser humano, em todos os sentidos. Independentemente da nossa dedicação profissional, ninguém deve se distanciar da nossa dedicação profissional, ninguém deve se distanciar do seu “sentir interior” e da subjetividade da sua “natureza existencial”. Certo é que as revelações da ciência são transmitidas de acordo com o “sentir interior” de cada operador do conhecimento humano. Essa regra da essência da nossa comunicação, naturalmente se aplica a todo ramo do saber.
Portanto, vou deixar minha intuição agir de forma que possibilite o encontro entre os meus leitores e os leitores do Edson, autor do blog, aconteça.
E que nossas subjetividades possam se unir possibilitando a criação de um inconsciente coletivo mais sensível.

Notas:
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(359) Sentindo o poder de transformar o sofrimento.

O SOFRIMENTO É SEMPRE UM ENCONTRO CONSIGO MESMO: SOFRER AMADURECE.”

São palavras de Clarice Lispector (1920-1977), mais uma vez enriquecendo a nossa jornada para o “autoconhecimento” com o seu singular, intenso, e transcendente “sentir” (mensagens anteriores: 038, 190, 275, 277, 281, 309, 320, 326, 329 e 348).

Sabemos que independente da sua motivação, o sofrimento é uma experiência subjetiva personalíssima. Só nós pertence. Por ninguém poderá ser avaliado e nem dimensionado. Já dizia o escritor irlandês Oscar Wilde (1854-1900): “Posso partilhar tudo, menos o sofrimento.” Também podemos considerar o sofrimento, associado à uma espécie de compensação. Como exemplo, reconheceu Paulo Coelho: “Tive meu sofrimento, mas também realizei o meu desejo.” Talvez querendo justificar uma espécie de necessidade de se vivenciar um sentimento, declarou o poeta chileno Pablo Neruda, laureado em 1971 com o Prêmio Nobel de Literatura: “O maior dos sofrimentos seria nunca ter sofrido.”

Pergunto para você:

– Como explicar quando duas ou mais pessoas, vivenciando simultaneamente uma mesma situação, apenas uma delas manifesta a sua aparente sensação interior de sofrimento?

Respondendo: Entendo que a diferença está no “significado” por ela atribuído ao fato gerador da sua aparente sensação sofrimento. Mas existem pessoas que conseguem reagir e não serem dominadas pelo sofrimento [o que em muitos casos, também poderá ser muito facilitado pelas buscas de terapias]. Em síntese: Precisamos procurar não apenas o que “buscamos”, mas sempre acreditando na nossa potencialidade para enfrentar o que ainda desconhecemos. Nesse sentido, gosto deste ensinamento de Jung (1875-1961) transmitido no prefácio da primeira edição da tradução inglesa do I Ching, de Richard Wilhem (Lançado no Brasil em 2004, Editora Pensamento, p. 23):

– A plenitude irracional da vida ensinou-me a nunca descartar nada, mesmo quando vai contra todas as nossas teorias (que mesmo na melhor das hipóteses têm vida tão curta) ou quando não admite nenhuma explicação imediata.

Na filosofia oriental o “sofrimento” mereceu muita atenção do Buda Sidarta Gáutama. No seu livro “A Essência dos Ensinamentos de Buda”, publicado no Brasil pela Editora Rocco, com tradução de Anna Lobo, o monge budista vietnamita Thich Nhat Hanh defende que todos nós podemos “transformar o sofrimento em paz, alegria e liberação”. Das minhas anotações, destaco para terminar este nosso encontro:

1. Um mestre não lhe pode dar a verdade. A verdade já está em você, mas é preciso abrir – corpo, mente e coração – para que seus ensinamentos penetrem nas suas sementes de compreensão e iluminação.
2. Precisamos reconhecer que sofremos, e a seguir temos que determinar se a causa do sofrimento é física, psicológica ou fisiológica. Nosso sofrimento tem que primeiro ser identificado.
3. Quando conseguimos identificar o sofrimento e suas causas, temos mais paz e mais alegria, e já estamos trilhando a senda da libertação.

Pensem nisso.

Notas:
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(358) Sentindo a importância de significar os nossos sonhos.

Para a psicanálise o sonho vai além do funcionamento cerebral, tocando a essência do humano e apontando a via do desejo que orienta o destino de cada um de nós“.

Que bela síntese! São palavras do médico psiquiatra e psicanalista Marcio Peter de Souza Leite (1949-2012), considerado no Brasil como sendo um dos precursores do entendimento sobre o reconhecimento dos nossos “sonhos” como sendo fontes de “autoconhecimento” (mensagem 240). Nela pedi atenção para este ensinamento do médico e psicoterapeuta junguiano Carlos São Paulo:

– Nossas figuras internas, muitas delas desconhecidas, aparecem em nossos sonhos. Elas nos indicam uma direção a seguir, como coparticipantes de nosso destino. Nem sempre as escutamos. Por vezes, não as compreendemos. Outras, achamos que elas explicam acontecimentos do cotidiano apenas para lembrar que eles existiram.

Para Sigmund Freud (1856-1939), o pai da psicanálise, os sonhos são experiências subjetivas personalíssimas, que só pertencem ao sonhador. Freud defendia serem os nossos “sonhos” um caminho privilegiado para o “inconsciente”, e suas imagens condicionadas pelo nosso psiquismo por meio dos desejos.

Agora vejam que interessante: Os egípcios também interpretavam os “sonhos” como sendo mensagens recebidas dos deuses. Os estoicos concebiam três tipos de sonhos: os recebidos de divindades, os que vinham de seres malignos, e os que vinham da alma do sonhador.

O médico Moacyr Scliar (1937-2011) explicou no seu artigo “O Fascínio pelos Sonhos”, Edição Especial nº 4 da Revista Viver/Mente & Cérebro, da Editora Duetto, que o sono pode ser dividido nas seguintes fases ou estágios:

– O estágio 1 é o do início do sono. O estágio 2 é o do sono leve. Nos estágios 3 e 4 ocorre o “rapid-eye-movement”, REM. Nesta fase a atividade cerebral é maior, semelhante àquela da vigília; a atividade muscular é inibida, com exceção dos músculos oculares que se movimentam rapidamente – daí a denominação. Em meados dos anos 1950, postulou-se que o sono estava associado ao sono REM, mas depois constatou-se que sonhamos em todas as fases. No período REM, os sonhos tendem a ser mais detalhados e parecem ter uma espécie de roteiro.

Cabe destacar que das teorias da psicanálise, a de Carl Jung foi a que atribuiu maior importância à análise dos sonhos. Resumindo: Para Jung o sonho é uma autorepresentação espontânea, em forma simbólica, da situação do inconsciente (CW, 8, par. 505).

Para você pensar sobre a importância de significar os nossos sonhos, termino esta mensagem com estas palavras do neurobiologista Wolf Singer, diretor emérito do Instituto Max Plank de Pesquisa do Cérebro, ao ser perguntado sobre que realidade nós percebemos:

– Dispomos de duas fontes diferentes de conhecimento. A principal e a mais importante é a experiência subjetiva, pois ela tem origem na introspecção ou nas interações com o ambiente. A segunda fonte é a ciência, que tenta compreender o mundo e a condição humana utilizando instrumentos que constituem uma extensão dos sentidos, ao mesmo tempo que aplica os instrumentos do raciocínio lógico para interpretar os fenômenos observados (…).

Notas:
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3. A citação parcial do entendimento de Wolf Singer, foi reproduzida do seu livro “Cérebro e Meditação”, escrito em parceria com o monge budista Matthieu Ricard, lançado no Brasil pela Editora ALAÚDE (recomendo a leitura).

Muita paz e harmonia espiritual para todos.

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(357) Sentindo o tempo no nosso viver.

O QUE SE PERDE SE CONCENTRA NO INFINITO.

Em nossa caminhada para o “autoconhecimento” também iniciei a mensagem 347 com essas palavras do escritor Marco Lucchesi. Publicada na sua coluna Átrio, com o título “Vozes do Deserto”, Lucchesi inicia perguntando: Como definir a experiência do deserto, senão através de aparente recorrência? (Revista humanitas, 145, da Editora Escala). Mas o principal enfoque deste nosso encontro é outro. Refere-se à subjetiva e condicionante “passagem do tempo” em nossas vidas. O Tempo em que a distinção entre passado, presente e futuro, sempre foi considerada por Albert Einstein (1879-1955) como sendo uma “persistente ilusão”. Para muito, uma infinita duração de “tempo”.

Todos nós temos singularidades de naturezas diversas, que determinam o nosso “jeito de ser” e, para todos, transmitem e modelam percepções de subjetivas de aparências da nossa individualidade. Também, como acredito, influenciam o nosso “sentir” e o nosso “pensar”. Somos portanto, seres únicos.

Pergunto para você:

– COM RELAÇÃO AO FLUIR DO TEMPO EM NOSSAS VIDAS COMO VOCÊ, POR GESTOS, INDICARIA O SEU PASSADO E O SEU ESPERADO FUTURO?

Certamente você indicaria o seu “futuro” apontando para a sua frente. O “passado” da sua história de vida, para o lado das suas costas. Agora vejam que interessante comportamento contado pelo doutor em Educação Histórica pela UFPR, Daniel Medeiros, no seu artigo “Resoluções de Ano Novo”, publicado recentemente na edição 170 da Revista humanitas (por mim numerado):

1. O tempo, por sua vez, não existe apesar da nossa existência, mas, sim, graças a ela. Nossos registros definem o passado; e nossos desejos, o futuro. O presente, embora fugaz e inapreensível, é o único que podemos sentir como nosso, íntimo e profundo. Como o deus Janus da mitologia, vivemos com uma face voltada para a frente e outra para trás. Somos o que fomos. Somos o que queremos ser. E somos porque os outros existem para que possamos dar significado às coisas.

2.Como lembrou a filósofa Hannah Arendt, podemos inclusive refazer o passado pelo perdão e antecipar o futuro pela promessa. Somos, ou podemos ser, senhores de nosso próprio tempo.

3. No entanto, existem outras formas de relação com o tempo e o mundo. Por exemplo, os aimarás, um grupo indígena do altiplano andino, quando falam do futuro, apontam para trás, e quando falam do passado, apontam para a frente. Para eles, o passado é o que conhecemos, por isso está diante de nossos olhos. Já o futuro é o que não podemos ver, por isso está às nossas costas. Em contraste, nós, filhos da civilização judaico-cristã, vivemos em linha reta, deixando o acontecido para trás e mirando no horizonte inventado do que ainda não aconteceu. Modos de ver e de viver. Por isso, estabelecer marcos no passado para não esquecê-lo e marcos no futuro para não nos perdermos dele é tão importante para nós.

Pensem nisso.

Notas:
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356 Sentindo, no nosso passado existencial, a importância subjetiva do “autoconhecimento”.

O autoconhecimento é uma obra em andamento, nunca é suficiente, e inclusive é mutável, tanto quanto é mutável sua experiência de ser. Você não precisa parar tudo para se conhecer, é um exercício sobre a marcha.

Em sua quadragésima sétima participação nesta nossa caminhada virtual de buscas de “autoconhecimento”, são palavras do astrólogo Oscar Quiroga em uma das previsões do seu horóscopo divulgado nesta data. Achei muito interessante o seu entendimento sobre a mutabilidade do “autoconhecimento” [não no sentido de instabilidade, mas apenas de mudança]. Depois de repetidas leituras, veio-me à mente a possibilidade das nossas práticas individuais e silenciosas de “autoconhecimento” também serem por nós direcionadas ao “passado temporal”, também mutável, do fluir existencial de nossas vidas.

Explico:

No nosso encontro anterior pedi atenção para este entendimento de Jordan B. Perterson [agora, por mim assim resumido]: O passado é fixo em nossa noção, no presente, do subjetivo entendimento de temporalidade. O futuro, também no nosso presente e com suas imprevisibilidades, é por nós idealizado e sonhado para ser melhor. Com essas condicionantes e ilusórias passagens do tempo em nossas vida, sempre reavaliei as lembranças memorizadas de acontecimentos do meu “passado existencial”, analisando, apenas, seus nexos de causalidades. Agora, influenciado pelo alcance subjetivo da previsão astrológica de Quiroga, termino esta mensagem perguntando para você pensar:

– PODEMOS SER BENEFICIADOS, AINDA QUE DE MODO SUBJETIVO, REAVALIANDO COMO AGIMOS “AUTOCONSCIENTES” NO NOSSO PASSADO EXISTENCIAL?

Notas:
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(355) Sentindo em você, o renascer de 2024.

A PERCEPÇÃO DESPERTA

São palavras de Jordan B. Peterson, um dos mais populares e influentes pensadores da atualidade, reproduzidas do seu livro “12 Regras para a vida – Um antidoto para o caos”, lançado no Brasil pela Editora Alta Books. Foram escolhidas para [como acredito] despertar em todos nós uma subjetiva e sensorial percepção de significados da chegada de um novo ano em nossas vidas. Sendo no Natal, para mim presenteado por um amigo que admiro por suas qualidades humanistas, por mensagem do meu celular desejei para ele e sua família “um novo ciclo existencial de realizações em todos os sentidos do nosso viver”. Desse livro já destaquei com marca texto, estas observações de Peterson (que desejo serem merecedoras da sua atenção):

1. O futuro é como o passado. Mas há uma diferença crucial. O passado é fixo, mas o futuro… pode ser melhor. Pode ser melhor em uma quantidade precisa – a que pode ser alcançada, talvez, em um dia, com algum engajamento mínimo. O presente é eternamente falho. Mas onde você começa pode não ser tão importante quanto a direção para onde está indo. 2. Onde você foca determina o que vê. (…) O que podemos focar? O que podemos ver? (…) Apenas vemos aquilo que focamos. O resto do mundo (e essa é a maior parte) está escondido. Se começamos a focar algo diferente – algo do tipo “Quero que minha vida seja melhor” -, nossa mente começará a nos apresentar novas informações, derivadas do mundo previamente escondido, para nos ajudar naquilo que buscamos. Então podemos usar essa informação e nos mover, agir, observar e melhorar. E, após fazer isso, após melhorar, podemos buscar coisas diferentes ou mais elevadas – coisas do tipo: “Quero qualquer coisa melhor do que apenas minha vida estar melhor.” Assim, entraremos em uma realidade mais elevada e completa.

Agora peço a sua atenção para esta sugestão do astrólogo Oscar Quiroga, inserida na introdução do seu horóscopo deste último dia de 2023, com o título Renovação:

– Não te confundas criando novas ansiedades ao te obrigar a fazer resoluções hoje e determinar que a partir de amanhã seja um ano completamente novo, porque, de fato, este ano novo é apenas fiscal, não há nenhuma referência estrelar que indique a mudança de ano; nosso calendário gregoriano, apesar de ter uma métrica perfeita pela contagem do ano solar, determina o início do ano de forma arbitrária, poderia ser qualquer outro dia.
Sendo assim, incorpora a sabedoria de aproveitar o espírito da celebração e desfrutar do feriado, sem te obrigar a que agora seja tua única oportunidade de te renovar, porque nem sequer seria hoje uma data astrológica propícia para isso, haverá outras muito melhores pela frente e tua alma, sintonizada com o Universo, será informada disso.

Agradeço a todos os meus seguidores os comentários recebidos e as palavras de incentivo para continuar com esta nossa caminhada para o “autoconhecimento”. Merecidamente, dedico está mensagem para o Doutor Hélvio, com a admiração deste seu amigo.

Notas:
1. Em 2023 a mensagem 126 foi a mais acessada no Brasil e no exterior.
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(354) Sentindo o que também podemos aprender e pensar, sobre o “futuro”.

O futuro não é distante, sua mente o aproxima constantemente através de projeções imaginárias, e seu corpo precisa responder da melhor maneira possível a esse apelo, porque se ficar sem resposta, a decepção se avoluma.

São palavras do astrólogo Oscar Quiroga, em uma das previsões do seu horóscopo do dia 22 de janeiro deste ano. É a sua quadragésima quarta participação nesta jornada para o “autoconhecimento”. Todas justificadas pela subjetividade das suas previsões. Sobre a relação do “futuro com o passado”, ele esclareceu na introdução do seu horóscopo divulgado no dia 4 deste mês de dezembro:

O futuro é tão real e determinante quanto o passado, mas nos relacionamos com o futuro da mesma forma com que nos relacionamos com nossa própria alma, pressentimos sua realidade, mas não nos convencemos totalmente de que essa experiência seja tão real quanto a do passado, sobre o qual temos as provas que a memória oferece. No entanto, até
a memória pode ser ressignificada, afinal, é para isso que as terapias psicológicas existem, e comprovam ser possível modificar nossa relação com o passado, o que, na prática, resulta em que o passado não é mais consistente do que o futuro, o qual, por sua vez, se nos apresenta antes de acontecer, como pressentimento, nas vezes em que começamos a pensar em alguém que é improvável encontrar, mas no decorrer do dia ou em pouco tempo, o encontro acontece.

Vejam que Quiroga considera ser possível, no nosso “presente existencial”, em uma perspectiva subjetiva de “projeções imaginárias”, modelar “realidades futuras” [desejadas ou não]. Explica o médico e psicoterapeuta junguiano, Carlos São Paulo, na sua coluna “divã literário”, publicada na Revista PSIQUE, 135, da Editora Escala, com o título – O escoar do tempo:

O inconsciente pode fazer com que cada momento da nossa vida influencie todos os outros, para frente e para trás. Assim, a intenção no futuro poderá modificar as probabilidades de uma enfermidade. Um simples diagnóstico pode influenciar o curso da doença. Dessa forma, a psicoterapia é um método que nos faz voltar no tempo para alterar nosso próprio futuro. (…) A vida é uma espécie de espetáculo cujo roteiro não controlamos. Vivemos envolvidos com gozos que se desmancham com o sofrimento e vice-versa.”

Complemento com estas considerações de Carla Longhi [que é doutora em história Social pela USP, com pós-doutorado em comunicação Social pela Universidad Complutense de Madrid], no seu interessante e consistente artigo “Centelhas de Esperança”, referindo-se ao livro “Passado Futuro”, de Reinhart Koselleck, publicado no Brasil em 2006, pela Editora PUC-Rio:

O passado carrega sentidos e saberes que podem contribuir com a experiência presente; o presente provoca inquietudes que levam à releitura do passado; já a projeção do futuro norteia a construção de projetos, potencializando ações do presente. Assim, para o autor, todo contexto histórico expressa um espaço de experiência composto também por um horizonte de expectativas. Os espaços de experiências traduzem a própria historicidade demarcada no tempo e no espaço, com suas características particulares e únicas.
Nessas vivências sempre é possível vislumbrar um horizonte de desejos, de expectativas que se anunciam de diferentes formas, projetando-se para o futuro, como uma espécie de alento. E os seus indícios podem ser percebidos em discursos, narrativas, imagens, novas terminologias. A potência de sua realização dependerá das forças políticas e sociais, capazes de emplacar projetos vindouros.

Termino este nosso encontro, com estas palavras de Steve Jobs:

CADA SONHO QUE VOCÊ DEIXA PRA TRÁS, É UM PEDAÇO DO SEU FUTURO QUE DEIXA DE EXISTIR.

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(353) Sentindo a importância da linguagem simbólica, em nossas vidas.

EU NÃO ESCREVO EM PORTUGUÊS. ESCREVO EU MESMO.”

São palavras de Fernando Pessoa (1888-1935), no Livro do Desassossego (assinado pelo seu heterónimo Bernardo Soares), publicado em Lisboa após ter completado quase cinquenta anos da sua morte. Foram escolhidas para iniciar este nosso encontro, pela importância do significado subjetivo desse seu reconhecimento – “Escrevo eu mesmo”. Uma bela maneira “simbólica” de transmitir e de perpetuar, através da escrita, o “conhecimento de si mesmo”, da nossa “singularidade existencial e espiritual”.

Em síntese, ensina C.G.Jung (1875-1961) no seu livro “Espiritualidade e Transcendência”, uma primorosa seleção de textos feita pela psicanalista junguiana Brigitte Dorst, publicada no Brasil pela Editora VOZES:

– Símbolos são imagens significativas. Na compreensão da Psicologia Analítica, eles transportam conteúdos psíquicos inconscientes até a consciência. Produzem efeito integral sobre o pensar e o sentir, sobre a percepção, a fantasia e a intuição. Eles unem os lados conscientes e inconscientes da psique.

Complemento com esta “explicação conclusiva” da Psicóloga Lígia Diniz, que possui pós-graduação em Psicologia Junguiana pela URJ, feita no seu artigo “O sintoma como Símbolo”, publicado na edição 151 da Revista PSIQUE, da Editora Escala:

Jung mostra que o inconsciente também age, prediz, alerta, abre horizontes, elucida por meio da produção de símbolos. Para ele, as imagens eram uma simbolização do inconsciente, e a criatividade, uma atividade humana natural .

Maravilha! Realmente, em nossas vidas “tudo é simbólico”. Mas, em certas circunstâncias, muitos dos “significados” desses nossos envolvimentos sensoriais de percepção são criamos “por nós mesmos”. Eles [como entendo] representam espécies subjetivas de estímulos para os nossos “despertares interiores”.

Em forma de aparente advertência esclarece o médico e psicoterapeuta junguiano, Carlos São Paulo, ao comentar a obra “Gradiva: uma Fantasia Pompeiana”, do escritor alemão Wilhelm Jensen:

– O homem não conseguirá entender o sentido de um símbolo até que o analista ou alguém possa ajudá-lo a casar o teor da consciência com o conteúdo relacionado do inconsciente. No modelo junguiano, compreendemos que a autorregulação da psique se faz por meio da relação da consciência com o inconsciente que se manifesta nos sonhos, naquilo que nos afeta, em nossos devaneios e nos acontecimentos que consideramos sem relação de causa e efeito, mas com coincidências significativas.

Termino o nosso encontro com estes entendimentos do doutor Carlos São Paulo, sobre o livro “Natascha 3096 dias”, publicação da Editora Verus [numerei]:

1. Símbolo é uma forma de expressar os arquétipos, ou seja, os temas humanos. Na psique do homem existe matemática. Não é nada até que se preencha com uma forma de ação, que define em imagens o existir de alguma experiência. A partir daí, surgem os símbolos com a sua natureza conhecida mergulhada na carga afetiva que esconde algum enigma.

2. Enquanto o sequestrador, envolvido em sua incapacidade de ser verdadeiramente humano, foi além de uma neurose para ferir o sagrado ser humano.

3. Somos viajantes com um destino a cumprir e, muitas vezes, nos distanciamos desse caminho. A necessidade de amar, especialmente a nós mesmos, é a direção de amar o outro. O mundo acabará para cada um de nós e estaremos mergulhados nos mistérios que a consciência humana não alcança.

Notas:
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expressa autorização, com indicação dos créditos e links, para os efeitos da Lei 9.610/98 que regulamenta os direitos de autor e conexos.
2.Havendo nesta mensagem qualquer alegação ou citação que mereça ser melhor avaliada ou que seja contrária aos interesses dos seus autores, mande a sua solicitação para edsonbsb@uol.com.br .

Muita paz e harmonia espiritual para todos.

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(352) Sentindo como podemos “significar” os nossos sentimentos.

NÃO PENSE TANTO… SINTA!

Que bela recomendação do Psiquiatra e Psicoterapeuta Fritz Perls (1893-1970), contendo duas realidades que merecem atenção: a do “pensar” (objetiva, racional) e a do “sentir” (subjetiva). Sobre a importância da primeira, ensina Lya Luft (1938-2021): “Para reinventar-se é preciso pensar.” Sobre a segunda, gosto desta explicação de Miguel de Cervantes (1547-1616): -“Sabemos dizer o que sabemos sentir.” Complemento citando o pai da Psicologia Experimental, o psicólogo alemão, Wilhelm Wundt (1832-1920), que defendia a necessidade de duas observações: a das vivências exteriores e a “observação interna”, por ele chamada de “introspecção” ou “auto-observação”. O gênio Leonardo da Vinci (1452-159), alertava: “Quem pensa pouco, erra muito.”

No seu bem fundamentado artigo, “Ganhos da diversidade cognitiva” (publicado na edição 142 da Revista humanitas, da Editora Escala), esclarece a professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Keitiline Viacava, que possui pós-doutorado em Neurociência Cognitiva, realizado na Universidade de Georgetown, em Washington:

– As pessoas diferem na forma como adquirem conhecimento, como processam informações do entorno e como avaliam esforço e resultado. Isso se chama “diversidade cognitiva” ou “diversidade de pensamentos”. (…) A convivência entre pessoas com formas diversas de pensar não é tarefa simples, pois se confronta com a tendência (ou viés) que temos de busca por conformidade para evitar conflitos e retaliação, e isso desafia a diversidade. (…) Uma das principais ideias por trás da noção de diversidade cognitiva é que não há um estilo único, desejado ou ideal de pensamentos, já que esses são sempre dependentes das pessoas e dos contextos nos quais estão inseridos. O que existe é a necessidade de conhecermos mais sobre a maneira como pensamos para, assim, desenvolvermos estratégias cognitivas e empáticas que facilitem a convivência com modos de pensar diferentes do nosso.

Não importa a ordem. “Pensar” e “ Sentir” ou “Sentir” e “Pensar“. Sempre serão proveitosas práticas de “autoconhecimento”, como buscas de interiorizações voltadas “para si mesmos”, para a percepção das projeções sensoriais da nossa “individualidade existencial”.

Volto para o entendimento de Miguel de Cervantes, e pergunto para você:

PODEMOS SIGNIFICAR OS NOSSOS SENTIMENTOS?

Para ajudar na sua resposta, peço atenção para estas informações:

1. O psicólogo americano Johnmarshall Reeve, no seu livro “Motivação e emoção”, lançado no Brasil pela Editora LTC, explica que as “sensações” (fenômeno puramente perceptual) são reações, em nós, causadas por um estímulo interno ou externo.

2.. O neurocientista António Damásio, no seu quinto livro, A
“A estranha ordem das coisas – as origens biológicas dos sentimentos e da cultura” (publicação da Editora Companhia Das Letras, com tradução de Laura Texeira Motta), ensina que os “sentimentos” são experiências subjetivas dos nossos estados de vida (homeostase). Guiam os nossos pensamentos, transmitindo o que precisamos saber.

De modo conclusivo, complemento:

Se pelo fluir do ciclo da nossa existência, somos seres únicos com as nossas singularidades bem definidas. Se somos responsáveis pelas nossas escolhas. Se podemos, para nós mesmos, idealizar e modelar anseios de novas realidades. Se os sentimentos são “experiências subjetivas de estados de vida (homeostase), que transmitem o que precisamos saber”… Vou continuar significando os meus “sentimentos”.

Notas:
1.A reprodução parcial ou total, por qualquer forma, meio ou processo eletrônico dependerá de prévia e
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2.Havendo nesta mensagem qualquer alegação ou citação que mereça ser melhor avaliada ou que seja contrária aos interesses dos seus autores, mande a sua solicitação para edsonbsb@uol.com.br .

Harmonia espiritual para todos.

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