“O tempo passa e percebemos por que deixamos nossas marcas pelo caminho, como o náufrago na ilha deserta que vai riscando a pedra para evitar esquecer que foi esquecido pelo mundo.”
Há muito guardo essa anotação sobre a importância da memória, pelo fluir subjetivo do tempo em nossas vidas. Encontrei na coluna “Ideias & Eventos”, em artigo do doutor em Educação Histórica pela UFPR, Daniel Medeiros, publicado na Edição 158 da Revista humanitas, da Editora Escala. Inicio este encontro com este meu entendimento: – Memorizar, em uma linguagem de fácil compreensão, é a capacidade guardar eventos da nossa caminhada existencial. Naturalmente, todos nós, não apenas registramos tudo e com maior atenção para o que nos parece ser mais significativo para ser lembrado no futuro.
Complemento com estas considerações de Monica Aiub, que é doutora em Filosofia pela Pontifícia Universidade de São Paulo, reproduzidas do seu bem fundamentado artigo, “Os Pesos da Memória”, publicado na mesma edição da revista acima citada (numerei):
1. A percepção das pessoas sobre um mesmos evento pode ser completamente diversa, inclusive em diferentes momentos. Imperfeita e preconceituada , a memória é como uma narrativa recontada, inventada, a cada novo contar. 2. Em tempos de altas cargas de estresse na vida cotidiana, as falhas da memoria são cada vez mais constantes. 3. A oralidade, a recitação dos versos, os cantos são formas necessárias, nos relatos míticos da Antiguidade, para a manutenção da memória viva de um povo. 4. [Referindo-se a Henri Bergson, ao citar a sua obra Matéria e memória: Ensaio sobre a relação do corpo com o Espírito, publicação da Editora Martins Fontes] > Nossos pensamentos funcionam como em um filme, em que as cenas são cortadas, editadas, colocadas em movimento e, ao assistirmos, temos a impressão de continuidade. “[…] é do presente que parte o apelo ao qual a lembrança responde, e é dos elementos sensório-motores da ação presente que a lembrança retira o calor que lhe confere vida”.
Gosto desta conclusão de Monica:
– “Não sabemos, ao certo, o que nos faz evocar certas lembranças e não outras. Nem os motivos pelos quais determinadas lembranças conduzem nossa percepção. Não temos certeza se nossa narrativa autobiográfica corresponde exatamente ao vivido ou ao imaginado, embora saibamos que, a cada narrativa, devido à integração das lembrança aos elementos do momento presente, novas memórias são criadas. Talvez não seja tão significativo esquecermos alguns elementos do cotidiano, uma vez que não é possível lembrar de tudo.”
Pensem nisso.
Notas:
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Muita paz e harmonia espiritual para todos.