“O sofrimento é sempre um encontro consigo mesmo: sofrer amadurece.”
São palavras de Clarice Lispector (1920-1977). Certo é que todos nós não desejamos passar pela experiência do sofrimento, mas isso é inevitável porque não depende apenas do nosso querer. Gosto desta receita de Lya Luft (1938-2021), para quem dediquei esta nossa caminhada para o “autoconhecimento” – uma trajetória de transformações interiores (mensagem 001): – “A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranquilidade, querer com mais doçura.” Vinícius de Moraes em síntese, assim poetizou o sofrimento: – “É o intervalo entre duas felicidades.” O médico neurologista e neurocientista António Damásio manifestou este seu sentir: – “O sofrimento proporciona-nos a melhor proteção para a sobrevivência, uma vez que aumenta a probabilidade de darmos atenção aos sinais de dor e agirmos no sentido de evitar a sua origem ou corrigir as suas consequências.”
O que motivou este nosso encontro foi a repercussão da primeira participação do psicanalista e psiquiatra francês, Jaques-Marie Émile Lacan (1901-1981), nesta nossa caminhada (mensagem anterior). Fiquei tão emocionado que resolvi trazer estas considerações do professor livre-docente do Departamento de Filosofia da USP, Vladimir Safatle,que foram publicadas em novembro de 2012 na Edição 174 da Revista CULT, da Editora Bregantini, sobre um dos estudos de Lacan (numerei):
1. Poucos se atentaram para o fato de Lacan trazer uma nova definição do que devemos compreender por “sofrimento psíquico”. (…) Por mais que o termo possa parecer não problemático, falar da existência de algo como “sofrimento psíquico” traz uma série de consequências. Primeiro, implica dizer que há algo que devemos compreender por “psique” ou, ainda, “mental”. Por “mental” entendemos normalmente os fenômenos (como crenças, desejos, afetos, sentimentos) cuja causalidade não podem ser completamente redutíveis à causalidade própria aos fenômenos físicos. (…) Quem admite a existência ontológica de algo como o mental, admite que não se pode simplesmente reduzir os primeiros estados aos segundos, que estados mentais não são apenas maneiras mais rebuscadas de designarmos estados cerebrais.
2. Lacan costumava dizer que todas as formas de sofrimento psíquico podiam ser reduzidas a desdobramentos de problemas de reconhecimento social do desejo. Sendo assim, o trabalho com a linguagem podia aparecer como cerne de uma clínica que procura, acima de tudo, redimensionar as possibilidades de reconhecimento graças aos mecanismos colocados em circulação pela transferência. Mas este desejo é também desejo do corpo, desejo da afirmação desordenada e desestabilizadora do corpo.
Esses registros não são da minha formação acadêmica. Visam apenas registrar uma pequena síntese feita pelo Doutor Vladimir Safatle, repito, publicadas em novembro de 2012 na Edição 174 da Revista CULT. Para este nosso encontro, considero ser apenas um resumido “registro histórico” dos ensinamentos de Jacques Lacan. Com este necessário esclarecimento, havendo interesse procurem um profissional dessa área de saúde.
Pensem nisso.
Notas:
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Muita paz e harmonia espiritual para todos.