(552) Sentindo os manuscritos intimistas de Clarice Lispector.

Intimismo é o movimento literário que expressa os nossos sentimentos íntimos.”

É, portanto, como podemos revelar espontaneamente e com naturalidade, significados de alguns dos nossos reservados sentimentos, que só nos pertencem. Como entendo, tem muita relação de dependência com os resultados subjetivos das nossas buscas interiores de “autoconhecimento”. Clarice Lispector (1920-1977), uma das minhas escritoras preferidas, fazia uso de manuscritos, que também mostravam os seus estados de humor. No Caderno 2 da edição de 08/05/2021 do jornal O Estado de São Paulo, encontrei estas informações do jornalista Ubiratan Brasil, dedicado especialista em divulgações culturais:

– “Clarice Lispector escrevia de forma muito peculiar, e se em alguns momentos, as anotações nasciam em fluxos contínuos, sobre folhas de cadernos, em outros, realizava a chamada “escrita imediata”, ou seja, bilhetes dispersos e anotações em papeis de todos os tipos (envelopes usados, cartões de visitas, folhas rasgadas, lembretes de compromissos). Em alguns momentos, quando não podia pegar em uma caneta ou lápis, pedia a alguém que estivesse por perto para rascunhar o que passava em seus pensamentos – assim, não era surpresa encontrar, em alguns fragmentos, caligrafias diversas.”

Explica Clarice, a respeito de “A Hora da Estrela, seu último romance escrito em vida, publicação da Editora Saints Pères, considerado um dos mais importantes de sua carreira:

– “Escrevo de um modo cada vez mais pobre. É claro que há a tentação de fazer palavras bonitas: conheço adjetivos esplendorosos, substantivos carnudos e verbos esguios que agem agudos no ar. Mas se eu transformasse o pão dessa moça em ouro – ela não poderia mordê-lo e ficaria com ainda mais fome.”

Por sua vez observou Jessica Nelson, fundadora e editora-geral da editora Saints Pères:

– “Trata-se de um mergulho íntimo no laboratório de escrita dos autores, e de uma experiência de leitura muito diferente e comovente. Por que um autor escolheu uma palavra em vez de outra? Como ele retrabalhou uma passagem que mais tarde se tornou famosa? O que havia nas versões anteriores que não existe mais na versão editada? O que podemos aprender por meio das hesitações e correções? Hoje, essas etapas do trabalho, esses documentos testemunhos, tendem a desaparecer porque os artistas usam mais o computador do que papel e caneta.”

Certo é que cada um de nós temos o nosso modo de escrita. No meu caso, principalmente nesta nossa caminhada para o “autoconhecimento” – uma jornada de transformação interior, nada escrevo fazendo uso de antecedentes anotações. Tudo em mim, tem se manifestado por “intuição”, certamente favorecida pelo meu gostar de ler sobre temas diversos. Como acredito, esta é uma das minhas missões de ajudar ao próximo.

Pensem nisso.

Notas:
1. A reprodução parcial ou total de qualquer parte desta mensagem, dependem de prévia autorização (Lei nº 9.610/98).
2. Havendo nesta mensagem qualquer alegação ou citação que mereça ser melhor avaliada ou que seja contrária aos interesses dos seus autores, mande sua solicitação para edsonbsb@uol.com.br

Muita paz e harmonia espiritual para todos.

Publicado por

Edson Rocha Bomfim

Sou advogado, natural do Rio de Janeiro e moro em Brasília. Idade: Não conto os anos. Tenho vida. Gosto de Arte, Psicologia, Filosofia, Neurociência, Sociologia, Sincronicidade e Espiritualidade. Autores preferidos: Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Mark Nepo, Cora Coralina, Clarice Lispector, Lya Luft, Mia Couto, Mario Sergio Cortella e Mauro Maldonato. edsonbsb@uol.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Content is protected !!
Copy Protected by Chetan's WP-Copyprotect.