“Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
São palavras de Clarice Lispector, em um trecho do seu livro “Um sopro de vida”, publicação da Editora Companhia Das Letras. Não sei dizer quantas vezes já li a manifestação desse seu “sentir”, mas sei que muitas vezes a “solidão” tem sido a minha companheira em muitos dos meus silenciosos encontros “com comigo mesmos”. É quando escuto o meu “EU” interior, e a percepção subjetiva da minha “Sensibilidade da Alma”.
O que motivou este nosso encontro foi a bem fundamentada matéria da reporte Paloma Oliveto, publicada na edição de hoje do jornal Correio Braziliense, com o título “Solidão desorganiza cérebro”, assim resumida (numerei):
1. “Em experimento, animais criados isolados demonstraram menor separação entre circuitos neurais, com prejuízo ao processamento de estímulo como olfato, visão e tato. Pesquisadores explicam que mecanismos são semelhantes em humanos.”
2. “Experiência precoces de isolamento social podem moldar o cérebro negativamente, aumentando o risco de doenças psiquiatras e mentais no futuro. A conclusão, publicada na revista Nature Communications, é de pesquisadores sul-coreanos, que usaram um modelo animal para estudar como fatores moldam a atividade cerebral.”
3. “A forma que o cérebro se organiza é crucial para processarmos adequadamente os estímulos ao nosso redor”, destaca Jung Hee, autora senior de estudo e pesquisadora da Universidade Sungkyunk-wan, na Coreia do Sul.” Quando essa organização é comprometida, como no caso do isolamento social, há risco de disfunções cognitivas e emocionais.”
Recentemente citei nesta nossa caminhada para o “autoconhecimento” – uma trajetória de transformação interior, esta introdução do horóscopo do astrólogo Oscar Quiroga, divulgado no dia 14 do mês passado:
“[Na solidão existencial] se tomam as decisões mais importantes, elaboramos propósitos e resoluções que levamos à prática durante a vigília, cientes, apesar de bastante inconscientes, de que não há como terceirizar a construção do destino, porque mesmo sendo essa uma responsabilidade da qual formalmente tentamos fugir, buscando culpados para nossa condição, na hora de colocar a cabeça no travesseiro, descobrimos a verdade, nós estamos a sós com nosso destino.”
Ela foi seguida desta previsão astrológica para o signo de Áries: – “Essa solidão que bate de vez em quando não depende da companhia das pessoas ou da falta delas. Essa solidão é resultado dos dilemas com que sua alma precisa lidar, e que não têm perspectiva de solução simples.”
Termino este nosso encontro com estas considerações do médico e psicoterapeuta junguiano, Carlos São Paulo, sobre o livro “O Visconde Partido ao Meio, de Ítalo Calvino, publicação da Editora Companhia das Letras:
– “Ensina a Psicologia de C. G. Jung que todas as vezes em que o homem se encontra em num de seus extremos, sua outra parte o avisa em sonhos. Um homem vivendo sua unilateralidade como o bem absoluto ou o mal absoluto é alguém que prejudica os demais e a si próprio com a sua incompletude. Quando conseguimos alertá-lo desses lados opostos e
irreconciliáveis, precisamos de um ego forte para suportar a tensão até que transcenda para uma terceira condição completamente nova. Essa terceira condição é diferente de cada uma das duas outras originais, mas também contém, de algum modo, aquelas mesmas partes opostas entre si. (…) O papel do analista é costurar e unir o que antes existia separadamente”.
Pensem nisso, e sinta como devemos saber vivenciar e entender as nossas realidades de solidão, sejam elas desejadas ou não por nós.
Notas:
1. A reprodução parcial ou total de qualquer parte desta mensagem, dependem de prévia autorização (Lei nº 9.610/98).
2. Havendo nesta mensagem qualquer alegação ou citação que mereça ser melhor avaliada ou que seja contrária aos interesses dos seus autores, mande sua solicitação para edsonbsb@uol.com.br
Muita paz e harmonia espiritual para todos.
–