(575) Sentindo o que podemos aprender com a solidão.

Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo
.

São palavras de Clarice Lispector, em um trecho do seu livro “Um sopro de vida”, publicação da Editora Companhia Das Letras. Não sei dizer quantas vezes já li a manifestação desse seu “sentir”, mas sei que muitas vezes a “solidão” tem sido a minha companheira em muitos dos meus silenciosos encontros “com comigo mesmos”. É quando escuto o meu “EU” interior, e a percepção subjetiva da minha “Sensibilidade da Alma”.

O que motivou este nosso encontro foi a bem fundamentada matéria da reporte Paloma Oliveto, publicada na edição de hoje do jornal Correio Braziliense, com o título “Solidão desorganiza cérebro”, assim resumida (numerei):

1. “Em experimento, animais criados isolados demonstraram menor separação entre circuitos neurais, com prejuízo ao processamento de estímulo como olfato, visão e tato. Pesquisadores explicam que mecanismos são semelhantes em humanos.”

2. “Experiência precoces de isolamento social podem moldar o cérebro negativamente, aumentando o risco de doenças psiquiatras e mentais no futuro. A conclusão, publicada na revista Nature Communications, é de pesquisadores sul-coreanos, que usaram um modelo animal para estudar como fatores moldam a atividade cerebral.”

3. “A forma que o cérebro se organiza é crucial para processarmos adequadamente os estímulos ao nosso redor”, destaca Jung Hee, autora senior de estudo e pesquisadora da Universidade Sungkyunk-wan, na Coreia do Sul.” Quando essa organização é comprometida, como no caso do isolamento social, há risco de disfunções cognitivas e emocionais.”

Recentemente citei nesta nossa caminhada para o “autoconhecimento” – uma trajetória de transformação interior, esta introdução do horóscopo do astrólogo Oscar Quiroga, divulgado no dia 14 do mês passado:

“[Na solidão existencial] se tomam as decisões mais importantes, elaboramos propósitos e resoluções que levamos à prática durante a vigília, cientes, apesar de bastante inconscientes, de que não há como terceirizar a construção do destino, porque mesmo sendo essa uma responsabilidade da qual formalmente tentamos fugir, buscando culpados para nossa condição, na hora de colocar a cabeça no travesseiro, descobrimos a verdade, nós estamos a sós com nosso destino.”

Ela foi seguida desta previsão astrológica para o signo de Áries: – “Essa solidão que bate de vez em quando não depende da companhia das pessoas ou da falta delas. Essa solidão é resultado dos dilemas com que sua alma precisa lidar, e que não têm perspectiva de solução simples.”

Termino este nosso encontro com estas considerações do médico e psicoterapeuta junguiano, Carlos São Paulo, sobre o livro “O Visconde Partido ao Meio, de Ítalo Calvino, publicação da Editora Companhia das Letras:

– “Ensina a Psicologia de C. G. Jung que todas as vezes em que o homem se encontra em num de seus extremos, sua outra parte o avisa em sonhos. Um homem vivendo sua unilateralidade como o bem absoluto ou o mal absoluto é alguém que prejudica os demais e a si próprio com a sua incompletude. Quando conseguimos alertá-lo desses lados opostos e
irreconciliáveis, precisamos de um ego forte para suportar a tensão até que transcenda para uma terceira condição completamente nova. Essa terceira condição é diferente de cada uma das duas outras originais, mas também contém, de algum modo, aquelas mesmas partes opostas entre si. (…) O papel do analista é costurar e unir o que antes existia separadamente”.

Pensem nisso, e sinta como devemos saber vivenciar e entender as nossas realidades de solidão, sejam elas desejadas ou não por nós.

Notas:
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Muita paz e harmonia espiritual para todos.

Publicado por

Edson Rocha Bomfim

Sou advogado, natural do Rio de Janeiro e moro em Brasília. Idade: Não conto os anos. Tenho vida. Gosto de Arte, Psicologia, Filosofia, Neurociência, Sociologia, Sincronicidade e Espiritualidade. Autores preferidos: Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Mark Nepo, Cora Coralina, Clarice Lispector, Lya Luft, Mia Couto, Mario Sergio Cortella e Mauro Maldonato. edsonbsb@uol.com.br

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