(512) Sentindo as “coincidências” que podem nos ajudar.

Procure manter certa flexibilidade para mudar seus planos na hora em que acontecerem coincidências, porque essas são a representação de que além de seus planos pessoais, a vida tem, talvez, outros planos diferentes.

São palavras do astrólogo Oscar Quiroga em uma das suas previsões do seu horóscopo divulgado em 16/04/2025. Sempre me interessei pelas “coincidências” que em nossas vidas podem ser preciosas fontes de “autoconhecimento”.

Quiroga, com a sua previsão astrológica acima, de modo implícito pede a nossa atenção para as “coincidências” vinculadas a um processo de escolhas, por ele chamado de “planos pessoais”. Não sei explicar, mas lembrei das “coincidências significativas” de Jung, o criador da “sincronicidade”.

Trago para este nosso encontro [resumindo com minhas palavras], estas considerações da analista junguiana Letícia Capriotti, reproduzidas do seu bem fundamentado artigo sobre as “Coincidências do Tempo”, publicadas na edição 178 da Revista “mente & cérebro”, da Scientific American:

Jung percebeu a necessidade de explicar certos eventos que escapam à causalidade, o que chamou de “sincronicidade” – a “coincidência de dois ou vários eventos sem relação causal, mas com o mesmo conteúdo significativo”. Ele já havia observado fenômenos reais que não se enquadravam na visão ocidental, e explicou: – “A filosofia oriental, com seu pensamento não-linear, comprovou-lhe que o acaso e a coincidência devem ser levados em consideração e que a causalidade é meramente uma hipótese, não uma verdade absoluta. Para os orientais a questão não é saber qual fator causou tal efeito, e sim o que aconteça conjuntamente, no mesmo momento. A causalidade descreve sequências de eventos; o pensamento oriental e a “sincronicidade” valoriza a coincidência de eventos.

Jung também apresentou várias definições do conceito de sincronicidade, “como “coincidência significativa” de dois ou mais acontecimentos, em que se trata de algo mais do que uma probabilidade de acasos”, ou “peculiar interdependência de eventos objetivos entre si, assim como os estados subjetivos (psíquicos) do observador ou observadores”. Os eventos sincronísticos não, necessariamente, ocorrem simultaneamente. Ele definiu três categorias de sincronicidade: 1) coincidência de um estado psíquico com um evento externo objetivo simultâneo; 2) Coincidência de um estado estado psíquico com um evento externo simultâneo mas distante no espaço; 3) coincidência de um estado psíquico com um evento externo distante no tempo [esclarece a analista junguiana, Letícia Capriotti].

Agora prestem atenção neste seu esclarecimento:

– “Meras coincidências” também acontecem, afinal, nem toda coincidência é uma sincronicidade, uma coincidência siguinificativa. O que define a diferença é o significado atribuído ao fato pelo sujeito. Na sincronicidade, o acaso é uma coincidência significativa e tem potencial para promover transformações individuais expressivas.”

Assim resumo esta minha conclusão:

– EM NOSSAS VIDAS AS “COINCIDÊNCIAS SIGNITICATIVAS” PODEM SER FONTES PRECIOSAS DE MOTIVAÇÕES DE BUSCAS DE “AUTOCONHECIMENTO”.

Pensem nisso.

Notas:
1. A reprodução parcial ou total de qualquer parte desta mensagem, dependem de prévia autorização (Lei nº 9.610/98).
2. Havendo nesta mensagem qualquer alegação ou citação que mereça ser melhor avaliada ou que seja contrária aos interesses dos seus autores, mande sua solicitação para edsonbsb@uol.com.br

Muita paz e harmonia espiritual para todos.

(511) Sentindo o que dizem os horóscopos, mas acreditando no “sentir” o seu coração.

A construção do destino sempre começa com a imaginação, com um sonho bem delineado que, quando sonhado, parece inalcançável. Agora é quando sua alma começa a delinear um futuro desejável e alcançável. Sonhe.

São palavras do astrólogo Oscar Quiroga em uma das previsões do seu horóscopo divulgado hoje, dia 17 de abril de 2025. Que bela explicação sobre a subjetividade dos destinos por nós desejados. Pergunto: Mas como podemos ser influenciados pelos horóscopos? Por exemplo: Será que em nossos estados de introspecções, de incertezas, nós podemos, por exemplo, receber espécies de orientações explicadas pelos posicionamentos dos astros em nossas vidas, considerando, dentre outros fatores de causalidades, a data do exato instante do nosso nascimento? Eu entendo que sim, porque já tive algumas experiências comprovadas nesse sentido. Agora vejam que interessante:

– Nesta nossa caminhada para o “autoconhecimento” – uma jornada de transformação interior, muitas mensagens foram motivadas ou começam com uma das previsões astrológicas de Quiroga [até hoje, já totalizam noventa e sete]. Quando sou perguntado se acredito em previsões astrológicas, respondo que por analogia não podemos deixar de reconhecer as influências das movimentações do Sol e da Lua, nas águas das mares.

Com relação ao astrólogo Quiroga percebo que, subjetivamente, vivencio uma espécie “sensação” de sintonia de identidades subjetiva quando acompanho suas entrevistas e, de modo semelhante, com as leituras de muitas das suas previsões astrológicas. A respeito, por exemplo, peço a sua atenção para estas considerações de Jung, na 13ª edição do seu livro sobre “Sincronicidade”, publicação da Editora Vozes, com tradução de Dom Mateus Ramalho Rocha, sobre os “matrimônios” (numerei):

1.”Embora não se saiba exatamente em que repousa a validade de um horóscopo de nascimento, contudo, é possível imaginar uma conexão causal entre os aspectos planetários e as disposições psicofisiológicas. Por isto, seria aconselhável considerar os resultados da observação astrológica não como fenômenos sincronísticos, mas como efeitos de origem possivelmente causal, pois sempre que se possa imaginar uma causa por mais remota que seja, a sincronicidade se torna uma questão extremamente duvidosa. No momento, porém, não temos base suficiente para acreditar que os resultados do que astrológicos são muito mais do que meras causalidades, ou que as estatísticas em que entram grandes números significativos. Como até agora faltam estudos amplos nesse terreno, resolvi tentar a sorte, empregando um grande número de horóscopos de casais, justamente para ver que números uma investigação desta natureza nos proporcionaria.”

2. “(…) O matrimônio é uma situação bem caracterizada, embora seu aspecto astrológico apresente todos os tipos imagináveis de variações. Segundo o ponto de vista astrológico, é justamente no horóscopo onde este aspecto do matrimônio mais nitidamente se expressa, ao passo que a possibilidade de que a pessoa caracterizada pelo horóscopo se case com a outra, por assim dizer, por acaso, retrocede necessariamente para o segundo plano, e os fatores externos só parecem susceptíveis de avaliação astrológica na medida em que estiverem representados psicologicamente. Por causa do grande número de variações caracterológicas, dificilmente poderíamos esperas que um casamento fosse caracterizado por uma só configuração astrológica; pelo contrário, se os pressupostos astrológicos em geral são corretos, haverá diversas configurações que indicarão uma predisposição na escolha do parceiro matrimonial.”

Pensem nisso.

Notas:
1. A reprodução parcial ou total de qualquer parte desta mensagem, dependem de prévia autorização (Lei nº 9.610/98).
2. Havendo nesta mensagem qualquer alegação ou citação que mereça ser melhor avaliada ou que seja contrária aos interesses dos seus autores, mande sua solicitação para edsonbsb@uol.com.br

Muita paz e harmonia espiritual para todos.

(510) Sentindo o que podemos aprender com Sísifo.

Cada mudança, cada projeto novo causa espanto: Meu coração está espantado.

São palavras de Clarice Lispector (1920-1970), referindo-se, na minha avaliação, às consequências das “mudanças” em nossas realidades de vidas que, como entendo, refletem em nós mesmos, nos nossos modos de ser e de conviver com os outros. Existem “mudanças” que subjetivamente devem ser consideradas e pensadas por todos nós. Vejam o que já disseram sobre as “mudanças”:

– O líder espiritual Mahatma Gandhi – “Você tem que ser o espelho da mudança que está propondo. Se eu quero mudar o mundo, tenho que começar por mim.” , Cecília Meireles – “Eu não dei por esta mudança Tão simples, tão certa, tão fácil. Em que espelho Ficou perdida A minha face?” , Paulo Coelho – “Nunca podemos deixar que cada dia pareça igual ao anterior porque todos os dias são diferentes, porque estamos em constante processo de mudança.” , Gabriel García Marquez – “A verdade é que as primeiras mudanças são tão lentas que mal se notam, e a gente continua se vendo por dentro como sempre foi, mas de fora os outros reparam.” , Heráclito – “Nada é permanente, exceto a mudança.” , Immanuel Kant – “Toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço.” e Chico Buarque – “As pessoas têm medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem.”.

Agora vejam que interessante:

Ninguém muda outra pessoa mas, mediante diálogos realistas podemos em conjunto alcançar melhorias em nossos relacionamentos de convivências mútuas. Isto porque, somente nós somos “os donos de nós mesmos” e temos consciência do que precisamos e podemos mudar em nossas vidas conjuntas e em nós mesmos. Certo é que a realidade pode não se modificar, mas, mesmo assim, temos condições de conviver com ela de uma maneira mais proveitosa.

Conhecemos da mitologia grega a história de Sísifo, condenado pelos deuses a subir um morro carregando uma pedra pesada e, lá do topo desse morro, soltá-la abaixo para depois começar a fazer tudo de novo. Sísifo, simbolicamente, é a personificação do homem comum que todos nós conhecemos no nosso dia a dia, que não mudam muitas das suas ações e comportamentos de interações humanas. Para isso existem os “processos de autoavaliação”.
O filósofo Albert Canus (1913-1960), ensina que a verdadeira questão da existência humana é explicada por estas perguntas: – “O que fazer?”, “Continuar?”. Ou como diria o poeta João Cabral de Mello Neto (1920-1999) – “Pular da ponte da vida.”.

Sobre Sísifo, esclarece o doutor em Educação Histórica, Daniel Medeiro, que me inspirou para as considerações deste nosso encontro com suas anotações publicadas na edição 171 da Revista humanitas, da Editora Escala:

– “O que é preciso destacar é a razão pela qual os deuses puniram Sísifo. Ele era um rebelde que não aceitava a Morte, tendo-a enganado duas veze. Não acreditava na clarividência dos deuses, tendo-os enganado também. Ele era um mortal orgulhoso de sua inteligência e capacidade de criar seus próprios caminhos, desafiando o destino, as determinações, o controle dos deuses. Por isso, a ofensa e o castigo. Sísifo pagou para ver, desafiou e foi inigualável ao mirar a cara de Tânatos, de Hades, furiosos.
Albert Camus escreve um belo livro sobre esse personagem inigualável, afirmando que “toda a alegria silenciosa de Sísifo consiste nisso. Seu destino lhe pertence. A rocha é sua casa. Da mesma forma, o homem absurdo manda todos os ídolos se calarem quando contempla o seu tormento. No universo que repentinamente recuperou o silêncio, erguem-se milhares de vozes maravilhadas da Terra. (…) Quando a pedra deslizar e se perder lá embaixo, estaremos no alto do morro e seremos livres. Não será por muito tempo, mas será um tempo único e incrível. Depois, desceremos com o vento no rosto, sentindo as forças da natureza restaurando nosso cansaço. E será hora de encarar a pedra novamente, com a alegria de quem sabe o que está fazendo.”

Pensem nisso.

Notas:
1. A reprodução parcial ou total de qualquer parte desta mensagem, dependem de prévia autorização (Lei nº 9.610/98).
2. Havendo nesta mensagem qualquer alegação ou citação que mereça ser melhor avaliada ou que seja contrária aos interesses dos seus autores, mande sua solicitação para edsonbsb@uol.com.br

Muita paz e harmonia espiritual para todos.

(509) Sentindo a necessidade de se equilibrar, nas gangorras das nossas vidas.

O futuro é infinito e você não precisa se limitar a fazer planos que sejam executáveis no curto espaço de tempo de sua existência. Faça planos para a eternidade, permita que sua mente voe livre nessa direção. Aí sim!

São palavras do astrólogo Oscar Quiroga, em uma das previsões do seu horóscopo divulgado no dia 11/04/2025. Foi escolhida para este encontro por ser, na minha avaliação, merecedora da nossa atenção sobre a subjetividade de como devemos “sentir a vida”, e de como valorar as “imprevisibilidades do nosso futuro”, mas evitando expectativas, muitas delas aparentemente incontroláveis e que podem nós causar dolorosos estados de ansiedades. A primeira condição destacada por Quiroga diz respeito a nossa necessidade de conceber o “futuro” sem limitações, conceber para nós mesmos como sendo subjetivamente “infinito”. São com essas perspectivas que o “tempo não existe”, é uma “abstração necessária” em todos os sentidos do nosso viver. Isto porque, tudo acontece “quando” e “como” tem que acontecer, não como desejamos que aconteça. No entanto cabe a cada um de nós “favorecer” as possibilidades de realizações dos nossos desejos. Gostei muito deste aconselhamento de “Quiroga” – “Faça planos para a eternidade, permita que sua mente voe livre nessa direção.”

Pensem nisso.

Notas:
1. A reprodução parcial ou total de qualquer parte desta mensagem, dependem de prévia autorização (Lei nº 9.610/98).
2. Havendo nesta mensagem qualquer alegação ou citação que mereça ser melhor avaliada ou que seja contrária aos interesses dos seus autores, mande sua solicitação para edsonbsb@uol.com.br
3. Vídeo reproduzido do Youtube.

Muita paz e harmonia espiritual para todos.

(508) Sentindo a velhice, com a passagem do tempo em nossas vidas.

Nem a juventude sabe o que pode, nem a velhice pode o que sabe

São palavras do escritor português, José Saramago (1922-2010) que foi laureado com o Nobel de Literatura de 1998 e em 1995 com o Prêmio Camões, da língua portuguesa. Depois de sucessivas leituras fiquei pensativo e maravilhado com a subjetividade temporal desses dois extremos da existência humana. Realmente na juventude os nossos horizontes de desejos, de conquistas, de possibilidades de realizações, são aparentemente de uma amplitude imensurável. Ao contrário, na velhice temos mais consciência das nossas limitações. Mas Saramago, em termos de saber o que podemos compara, em sentidos opostos, esses dois extremos das nossas vivências. No meu caso nunca me senti com a minha idade, o que é diferente de reconhecer o que posso ou deixei de poder realizar.

O que motivou este nosso encontro foi esta explicação da doutora em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Monica Aiub, sobre “A velhice e o tempo”, publicado na edição 177 da Revista Humanitas, da Editora Escala:

– “Nós nos sentimos envelhecidos ao notarmos que o mundo em que nascemos e crescemos não existe mais como era; as relações não se dão da maneira como aprendemos; o trabalho que sabíamos fazer não tem mais utilidade; não temos o mesmo corpo e a mesma memória.”

Vejam que Monica não mensurou a velhice pelos nossos anos já vividos, mas pelas mudanças das nossas realidades de interações existenciais, com seus consequentes efeitos produzidos em nós. Gostei desta sua conclusão:

– “Definir ‘velhice’ é algo complexo. Além das variações históricas e culturais do termo no decorrer dos séculos, há múltiplas dimensões a partir das quais ele pode ser pensado. Um fenômeno natural? Sim, mas poderíamos dizer também biológico, psicológico, emocional, social, cultural, econômico…”

Pensem nisso.

Notas:
1. A reprodução parcial ou total de qualquer parte desta mensagem, dependem de prévia autorização (Lei nº 9.610/98).
2. Havendo nesta mensagem qualquer alegação ou citação que mereça ser melhor avaliada ou que seja contrária aos interesses dos seus autores, mande sua solicitação para edsonbsb@uol.com.br

Muita paz e harmonia espiritual para todos.

(507) Sentindo o escutar da nossa “voz interior”.

Que tudo se apresente diferente do que você desejaria não quer dizer que tudo deva ser desagradável à sua alma, porque, olhando bem, não tem nada de muito errado acontecendo, muito pelo contrário até. Aproveite.

O momento expressivo continua, mas com menos força do que nos dias anteriores, o que significa na prática, que sua alma vai precisar tomar um pouco de distância das pessoas e ficar à sós para fazer as devidas reflexões.

São palavras do astrólogo Oscar Quiroga, em duas previsões do seu horóscopo divulgado hoje, dia 05/04/2025, que foi iniciado com esta introdução:

– “A voz interior.
Todos os ingredientes da natureza cumprem uma função e são interdependentes entre si, compondo esse conjunto maravilho que é o planeta Terra, e ainda que em nosso egoísmo mesquinho pretendamos nadar contra essa corrente, estabelecendo hierarquias artificiais, nada que contrarie o funcionamento do Universo permanece nesse estado para sempre, as contrariedades artificiais que inventamos têm data de vencimento.
Que seja difícil reconhecermos nosso papel relativo no funcionamento do Universo e do planeta Terra não nos exime de fazer essa busca e de nos consagrarmos a existir para algo mais do que satisfazer caprichos. A própria busca nos redime, responder, dentro de nosso alcance, ao chamado sutil, porém vigoroso, que vem de dentro, uma voz conhecida e familiar que nos estimula a sermos melhores.”

Nesta nossa caminhada para o “autoconhecimento” – uma jornada de transformação interior, ao terminar os nossos encontros anteriores sempre recomendei – “Pensem nisso”. Pela primeira vez será diferente, vou apenas pedir a sua atenção para esta minha conclusão:

1. As duas previsões de Quiroga, que de certa forma se complementam, devem ser por nós entendidas como sendo uma espécie de “fontes de estímulos” para nossas sensoriais percepções de “autoconhecimento”. Isto porque só nos cabe reconhecer, ou não, se aplicam às nossas subjetivas realidades interiores.

2. Quanto à introdução do horóscopo de Quiroga também não vou comentar, mas apenas pedir a sua atenção para essa “voz interior” que, como acredito, nos guia e nos protege.

Termino este nosso encontro, com este “sentir” de Clarice Lispector:

“Minha voz é o modo como vou buscar a realidade; a realidade, antes de minha linguagem, existe como um pensamento que não se pensa, mas por fatalidade fui e sou impelida a precisar saber o que o pensamento pensa. A realidade antecede a voz que a procura, mas como a terra antecede a árvore, mas como o mundo antecede o homem, mas como o mar antecede a visão do mar, a vida antecede o amor, a matéria do corpo antecede o corpo, e por sua vez a linguagem um dia terá antecedido a posse do silêncio.”

Notas:
1. A reprodução parcial ou total de qualquer parte desta mensagem, dependem de prévia autorização (Lei nº 9.610/98).
2. Havendo nesta mensagem qualquer alegação ou citação que mereça ser melhor avaliada ou que seja contrária aos interesses dos seus autores, mande sua solicitação para edsonbsb@uol.com.br

Muita paz e harmonia espiritual para todos.

(506) Sentindo o exemplo de Pedro Bloch sentir a vida.

“Em nossas convivências, sejam de que natureza forem, também revelam para nós significados subjetivos das nossas interações existenciais, permitindo-nos reciprocamente conhecer e avaliar todos nós.

São minhas palavras que vieram à mente logo após a leitura da entrevista com o médico, poeta e dramaturgo, Pedro Bloch (1914-2004), feita por Clarice Lispector em maio do ano 1969. Nela ele declarou este seu “sentir” – “Gosto até de quem não gosta de mim”. Um exemplo de ser humano que me proporcionou uma inesquecível admiração pessoal. Para este nosso encontro, selecionei apenas estas partes:

Clarice: Você é um grande médico, teatrólogo famoso: falta-lhe alguma coisa para sentir o homem completo que na verdade você é?
Pedro Bloch: “Não sei se sou grande médico. Sou teatrólogo famoso porque a estatística o afirma. Mas não sendo grande em nada, ajo como se fosse. Quando atendo a um paciente, procuro ser o melhor que posso. Quando escrevo uma peça, acredito que estou fazendo a coisa mais importante do mundo. Completo, não. Completo lembra realizado. Realizado é acabado. Acabado é o que não se renova a cada instante da vida e do mundo. Eu vivo me completando nos outros, mas falta um bocado.”

Clarice: Pedro, você me parece expansivo, espontâneo. E, no entanto, é um homem também reservado, voltado para dentro de si, no sentido em que você dá aos outros e pouco pede para si. Como é de verdade?
Pedro Bloch: Fiz, uma vez, uma receita de viver que acho que me revela. Viver é expandir, é iluminar. Viver é derrubar barreiras entre os homens e o mundo. Compreender. Saber que, muitas vezes, nossa jaula somos nós mesmos, que vivemos polindo as grades em vez de libertar-nos. Procuro descobrir nos outros sua dimensão universal e única. Não podemos viver permanentemente grandes momentos, mas podemos cultivar sua expectativa. A gente só é o que faz aos outros. Somos consequência dessa ação. Talvez a coisa mais importante da vida seja não vencer na vida. Não se realizar. O homem deve viver se realizando. O realizado botou ponto final. Tenho um profundo respeito humano. Um enorme respeito à vida. Acredito nos homens. Até nos vigaristas. Procuro desenvolver um sentido de identificação com o resto da humanidade. Não nado em piscina se tenho mar. Gosto de gostar. Todo mundo é perfeito até prova em contrário. Gosto de fazer. Não fazer me deixa extenuado. Acredito mais na verdade que na bondade. Acho que a verdade é a quintessência da bondade, a bondade a longo prazo. Tenho defeitos, mas procuro esquecê-los a meu modo. “Saber olvidar lo malo também también es tener memoria” [Frase do poema épico argentino Martin Fierro, de José Hernández, do século XIX].

Pensem nisso.

Notas:
1. A reprodução parcial ou total de qualquer parte desta mensagem, dependem de prévia autorização (Lei nº 9.610/98).
2. Havendo nesta mensagem qualquer alegação ou citação que mereça ser melhor avaliada ou que seja contrária aos interesses dos seus autores, mande sua solicitação para edsonbsb@uol.com.br
3. As partes da entrevista com Pedro Bloch foram reproduzidas do livro “Clarice Lispector – entrevista grandes personalidades”, com organização e notas de Claire Williams e tradução da introdução feita por Clóvis Marques, publicação da Editora Rocco, que recomendo para todos como leitura leitura obrigatória.

Muita paz e harmonia espiritual para todos.

(505) Sentindo a sensação de Plenitude Divina, em nossos “estados de graça”.

O senhor já se sentiu alguma vez em estado de graça? Eu, humildemente, já senti mais de uma vez. Morro de saudade de sentir de novo, mas tanto já me foi dado que não exijo mais.”

São palavras de Clarice Lispector (1920-1977) em uma das suas perguntas feitas ao pensador Alceu Amoroso Lima (1893-1983) que, em vida, foi membro da Academia Brasileira de Letras e usou o pseudônimo Tristão de Ataíde quando se tornou crítico em “O Jornal”. Um exemplo de ser humano religioso, que na sua época sempre foi muito antenado com as realidades do nosso país. Talvez tenha sido por isso que foi merecedor dos seus cem anos de vida. Ele respondeu:

– “Cada momento de despreocupação total em relação às coisas humanas é, para mim, um estado de graça. Sinto-o como a presença de Deus, que é sempre inefável e intraduzível, como o Silêncio. Por isso mesmo há dias cheios de graça. E semanas vazias dela. Nunca de tudo, sem dúvida, o essencial é ter sempre as janelas abertas à chegada da Graça, que é sempre imprevista e representa a Inspiração sobrenatural para todos, como esta, no plano da vida natural, é a graça para os poetas ou para os nossos momentos de poesia.”

A escolha de Alceu para enriquecer esta nossa caminhada para o “autoconhecimento” – uma jornada de transformação interior, foi motivada pelo seu profundo sentimento de “”. Vejam mais esta sua resposta, ao ser perguntado por Clarice “se acha que só a prática da religião bastaria para resolver os problemas de reivindicações dos jovens”. Alceu, respondeu:

– “Não. Não se pode dissociar, na vida individual como na vida social, a vida religiosa, propriamente dita, da vida doméstica, cultural, econômica e política. Nem mesmo pode haver uma vida religiosa sadia em que as vidas política e econômica, cultural e doméstica não estejam organizadas racionalmente”.

Sobre o nosso “livre-arbítrio”, Clarice perguntou: – “Se somos produtos da criação divina, e por ele controlados, em que consistiria o livre-arbítrio do homem?” Alceu respondeu:

– “A grandeza do homem está precisamente em ser o único animal que tem o dom de negar a Deus. E, portanto, o mérito de o reconhecer livremente. E o adorar”.

Não vou comentar as manifestações desses sentimentos de Alceu Amoroso Lima, que são de uma objetividade cristalina; mas vou dividir com vocês estas imagens de um outro exemplo de “estado de graça”, com esta interpretação da cantora “Fafá de Belém”:

Notas:
1. A reprodução parcial ou total de qualquer parte desta mensagem, dependem de prévia autorização (Lei nº 9.610/98).
2. Havendo nesta mensagem qualquer alegação ou citação que mereça ser melhor avaliada ou que seja contrária aos interesses dos seus autores, mande sua solicitação para edsonbsb@uol.com.br
3. As partes da entrevista com Alceu Amoroso Lima, foram reproduzidas do livro “Clarice Lispector – entrevista grandes personalidades, com organização e notas de Claire Williams e tradução da introdução feita por Clóvis Marques, publicação da Editora Rocco, que recomendo para todos como leitura leitura obrigatória.
4. Fafá de Belém cantando Nossa Senhora, vídeo reproduzido do YouTube.

Muita paz e harmonia espiritual para todos.

(504) Sentindo um belo exemplo de como transmitir as nossas realidades interiores.

Como é que você define Maysa? Uma pessoa essencialmente boa de coração, bastante insegura, mas já a caminho do encontro. Nunca fiz meu autorretrato. Você já foi analisada? Comecei por três vezes, mas descobri que estava em mim mesma a resposta.

Essas perguntas foram feitas para a cantora Maysa Matarazzo (1936-1977), em entrevista concedida a Clarice Lispector em 27/09/1969, publicada na edição 910 da Revista Manchete. Na década de 1950 ela recebeu vários prêmios e foi a primeira cantora brasileira a se apresentar no Japão. Pergunto para meus seguidores:

– Alguns de vocês teriam dificuldade para responder a primeira pergunta feita para Maysa?

Como acredito que muitas das suas respostas seriam de natureza muito subjetiva, por serem essencialmente pessoal.

Agora vejam que interessante:

Em um dos nossos encontros anteriores (mensagem 501), pela primeira vez fiz referência a Thomas Goschke, cientista cognitivo e doutor em psicologia da Universidade Técnica de Desdren, na Alemanha, para conhecer o seu entendimento sobre as nossas “percepções intuitivas”. Em entrevista concedida ao psicólogo e jornalista Steve Ayan, ele respondeu esta pergunta: Quando se deve confiar na “intuição”, quando é melhor que se dê preferência à análise lógica dos fatos?: – “Isso, é claro, não é possível para responder assim, de forma generalizada. A intuição se baseia no saber advindo da experiência, tanto faz se adquirido no âmbito de um experimento ou em anos de treinamento. Pense num enxadrista profissional, que numa fração de segundo faz a jogada correta, ou no bombeiro que pressente intuitivamente onde está o foco do incêndio. Em geral, sem o saber específico correspondente, também a intuição falha.”

Na entrevista do início deste nosso encontro, Clarice Lispector também perguntou para Maysa: – “De onde vem essa insegurança que você diz ter? Maysa respondeu:

– “Talvez da brusca mudança no tempo desde que eu nasci até hoje. Houve tantos tabus que hoje não existem mais, e isso criou essa insegurança. Quanto a tudo. Como, por exemplo, conviver com as demais pessoas fora do meu círculo de família. Mas não tenho nenhuma insegurança artística. Inclusive acredito que eu esteja numa fase muito boa de busca.”

Termino este nosso encontro, com este ensinamento de Fritz Perls (1893-1970), um dos fundadores da Gestalt-terapia:

– “A nossa sensação pessoal de realidade é criada pela nossa percepção; pela maneira como enxergamos as nossas experiências, e não pelos eventos em si.”

Pensem nisso.

Notas:
1. A reprodução parcial ou total de qualquer parte desta mensagem, dependem de prévia autorização (Lei nº 9.610/98).
2. Havendo nesta mensagem qualquer alegação ou citação que mereça ser melhor avaliada ou que seja contrária aos interesses dos seus autores, mande sua solicitação para edsonbsb@uol.com.br
3. A parte da entrevista com a cantora Maysa, foi reproduzida do livro “Clarice Lispector – entrevista grandes personalidades, com organização e notas de Claire Williams e tradução da introdução por Clóvis Marques, publicação da Editora Rocco.
4. A entrevista de Goschke concedida ao psicólogo e jornalista Steve Ayan foi publicada na Edição Especial 54, Ano XI, da Revista mente cérebro, da Scientific American.

Muita paz e harmonia espiritual para todos.

(503) Sentindo a subjetividade dos “anseios” em nossas vidas.

1. “Se fôssemos eternos, poderíamos satisfazer todos os anseios, porém, ainda que tenhamos limites específicos de tempo durante a existência, a alma parece não se importar com isso, e funciona como se fosse eterna.

2. “Quanta coisa você já superou e quanta mais ainda superará durante a breve existência. Dá a sensação de ter vivido muitas vidas numa vida só, e ainda se desenham perspectivas de muitas outras a ser vividas.

São duas previsões do astrólogo Oscar Quiroga no seu horóscopo divulgado hoje, dia 29/03/2025. Pelo fluir existencial da minha vida, foram poucas pessoas que encontrei declarando em termos de realizações, não se preocuparem com o “futuro”, e mais com o “presente”. Já pensei muito a respeito dessa subjetividade temporal, mas ainda não sei explicar essa prevalência comportamental. É claro que tudo que desejamos está principalmente relacionado com uma nossa plenitude de satisfação de realizações.
Dentre outros sentires, vejam o que já falaram sobre os “anseios humanos”: Mahatma Gandhi: “Oração não é pedir. É um anseio da alma. É uma admissão diária das próprias fraquezas. É melhor na oração ter um coração sem palavras do que palavras sem um coração.” , Clarice Lispector: “Sou o abismo perdido entre o não-ser e a escuridão. Sou o desejo e alma, correndo nua na meia-noite esquecida, procurando aquilo que não é, mas pode vir a ser; o verdadeiro anseio, a paixão.” e “Ela era muito satisfatona: tinha tudo o que seu pouco anseio lhe dava. E havia nela um desafio que se resumia em: ‘ninguém manda em mim.'” ; Mario Quintana: “Repara como o poeta humaniza as coisas: dá hesitação às folhas, anseios ao vento. Talvez seja assim que Deus dá alma aos homens.”.

Sobre a segunda manifestação de Clarice, na minha avaliação o mais importante foi ela ter externado para todos, o seu interior “sentimento de liberdade”.
Voltamos para a primeira previsão astrológica de Quiroga:

– “Se fôssemos eternos, poderíamos satisfazer todos os anseios, porém, ainda que tenhamos limites específicos de tempo durante a existência, a alma parece não se importar com isso, e funciona como se fosse eterna.

Fiquei maravilhado com essa sua interessante condicionante de satisfação dos nossos “anseios” à nossa imaginária percepção de “eternidade”, mais ainda com o seu entendimento no sentido de que “a nossa alma funciona como se fosse eterna”. Concordo plenamente. Agora vejam o alcance subjetivo da sua segunda previsão astrológica:

Quanta coisa você já superou e quanta mais ainda superará durante a breve existência. Dá a sensação de ter vivido muitas vidas numa vida só, e ainda se desenham perspectivas de muitas outras a ser vividas.

Também considero fantástica essa associação da nossa “breve existência”, com a subjetividade, e para nós, infinita “sensação temporal” relacionada a outra subjetiva perpetuação de alcance dos nossas necessidades de “anseios”.
Infelizmente em muitas situações de anseios, sejam de que natureza forem, sinto-me mais pessimista do que otimista. Mas não me preocupo muito com esse meu subjetivo “estado de alma”, porque muito cedo aprendi respeitar os ‘mosaicos subjetivos’ das imprevisibilidades’ que, diante das incertezas, subjetivamente se apresentam para todos nós. No meu caso, valorizo muito as possibilidades de conquistas dos meus “anseios”.

Pensem nisso.

Dedico esta mensagem para as minhas filhas e netos, que me ensinam acreditar mais nos meus anseios.

Notas:
1. A reprodução parcial ou total de qualquer parte desta mensagem, dependem de prévia autorização (Lei nº 9.610/98).
2. Havendo nesta mensagem qualquer alegação ou citação que mereça ser melhor avaliada ou que seja contrária aos interesses dos seus autores, mande sua solicitação para edsonbsb@uol.com.br

Muita paz e harmonia espiritual para todos.

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