(320) Sentindo a importância de conhecer ou ressignificar o nosso “viver”, nesta pandemia (Parte Final da 318).

“O TEMPO CORRE, O TEMPO É CURTO: PRECISO ME APRESSAR, MAS AO MESMO TEMPO VIVER COMO SE ESTA MINHA VIDA FOSSE ETERNA. […] A ETERNIDADE É O ESTADO DAS COISAS NESTE MOMENTO.”

Que Belo espelhar sensorial da “percepção interior” de Clarice Lispector. Talvez tenha sido assim que ela, brincando com o uso das palavras “tempo” e “eternidade”, “fez-se sentir” em suas buscas de “significados” para nos transmitir a perpetuação da essência do seu “existir” e do seu “viver”. Para mim não foi surpresa, porque já conhecia esta sua declaração: “Não entendo, apenas sinto. Tenho medo de um dia entender e deixar de sentir.”

No nosso último encontro, ficou pendente de resposta esta pergunta:

– As “percepções interiores” recebidas e modeladas pelas nossas interpretações de experiências subjetivas refletem, para nós, significados dos nossos “sentimentos” e interações emocionais ?

Vejam que de modo implícito, o enunciado dessa pergunta nos direciona para uma possível resposta afirmativa, porque a nossa “capacidade de interpretar” tem por objetivo a busca de “significados”. No seu livro “Sentimentos, valores e espiritualidade – Um caminho junguiano para o desenvolvimento espiritual”, publicado pela Editora VOZES, explica a doutora Daniela Benzecry:

– A função sentimento é a função que determina o valor de algo para a pessoa. É por intermédio da função sentimento que avaliamos algo em termos de aceitação ou rejeição. Qualificar e definir o significado de algo no sentido de aceitação ou de uma rejeição subjetiva a partir do valor dele para a pessoa, é atribuição da função sentimento. Assim, o sentimento contribui para uma pessoa interpretar algo como bom ou ruim, feio ou bonito, se gosta ou não etc., “é ele que nos diz, por exemplo, se uma coisa é aceitável, se ela agrada ou não”(JUNG. OC, vol. 18/1, § 23).

Por sua vez, esclarece a neurocientista Marta Relvas, membro da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento, e docente da Universidade Candido Mendes (“Cognição Humana”, artigo publicado em outubro de 2019, na Edição 166 da Revista PSIQUE, da Editora Escala):

– […] o cérebro funciona processando as informações que recebe por intermédio dos órgãos dos sentidos, sejam esses os órgãos da visão, da audição, do tato, do paladar ou do olfato, e depois de processar e elaborar os significados dessas informações emite uma resposta motora ou, conforme o caso, memoriza-a para, talvez em outro momento, utilizá-la e emitir a resposta correspondente.

Complemento, com estas minhas palavras:

– Nós somos o que sentimos ser para nós mesmos, diferente de como acontece nas nossas relações interpessoais em que o “Outro” conhece os “significados” de como, para ele, nos mostramos ser.
Pelas percepções sensoriais de muitas das nossas experiências emocionais, entendo que, principalmente agora nesta pandemia, o ser humano “precisa” e “pode” favorecer o “despertar interior” das suas necessidades de significar o seu “existir” e o seu “viver” em todas as relações com o seu “mundo exterior”. Pergunto: Como fazer? Estou convencido que somos nós que criamos “significados” para nós mesmos, para as nossas realidades.

Também merece registro que, no capítulo cinco do seu livro acima citado, Daniela Benzecky reconhece que as nossas buscas de “valores transcendentes” são importantes para dar “significados” à vida e à nossa existência individual. Em seguida, ela acrescenta:

– O sentido da vida de cada pessoa está se realizando; ele se manifesta em como a pessoa vive hoje e isto depende de suas escolhas e das consequências delas. Em função de quê as escolhas são feitas, ou seja, para o quê a pessoa vive é o sentido de sua viva. Desse modo, o sentido da vida se realiza no presente, ressignificando o passado e apontando para o futuro, a fim de dar significado à existência.

Pergunto:

COM AS INCERTEZAS DESTA PREOCUPANTE E TRISTE PANDEMIA O QUE PODEMOS, EM SÍNTESE, APRENDER COM AS NEUROCIÊNCIAS?

Gosto destas explicações de António Damásio (“A estranha ordem das coisas – as origens biológicas dos sentimentos e da cultura”, publicação da Editora Companhia Das Letras, com tradução de Laura Teixeira Motta):
1. Em circunstâncias comuns, os sentimentos comunicam à mente, sem o uso de palavras, se a direção do processo da vida é boa ou má, em qualquer momento, no respectivo corpo. Ao fazerem isso, eles naturalmente qualificam o processo da vida como conducente ou não ao bem-estar e à prosperidade.
2. Sentimentos são as experiências subjetivas do estado da vida.
3. Os sentimentos nos dizem o que precisamos saber. Não há razão para que fiquemos na dependência apenas deles para nos cuidar. Mas é importante salientar seu papel fundamental e seu valor prático, a razão indubitável de eles terem sido preservados na evolução.
4. A experiência sentida é um processo natural de avaliar a vida relativamente às suas perspectivas.

Avalie como você está se sentindo na pandemia. Nessa sua busca de “significados existenciais”, acredite em um nosso novo “renascer” de transformações humanistas.

Termino esta mensagem com este “sentir” do fisioterapeuta Serge Peyrot, criador da terapia morfoanalítica:

QUANDO O CORPO COMEÇA A FALAR E A MENTE A SENTIR, A PESSOA DESCOBRE UMA NOVA DIMENSÃO E COMPREENSÃO DE SI MESMA !

Notas:
1.A reprodução parcial ou total, por qualquer forma, meio ou processo eletrônico dependerá de prévia e
expressa autorização, com indicação dos créditos e links, para os efeitos da Lei 9.610/98 que regulamenta os direitos de autor e conexos.
2.Havendo nesta mensagem qualquer alegação ou citação que mereça ser melhor avaliada ou que seja contrária
aos interesses dos seus autores, mande a sua solicitação para edsonbsb@uol.com.br .
Muita paz e harmonia espiritual para todos. !

(319) Sentindo a importância de conhecer ou ressignificar o nosso “viver”, nesta pandemia (Parte II da 318).

“A INTENSIDADE DE SEUS SENTIMENTOS NÃO É MERA COINCIDÊNCIA, PORQUE TUDO QUE ANDA ACONTECENDO AFETA DEMAIS SUA ALMA, E CHEGA UM MOMENTO EM QUE SE TORNA NECESSÁRIO EXPRESSAR ISSO DA MELHOR MANEIRA POSSÍVEL.”

“A ALMA SE SENTE SEGURA E CONFIANTE, MESMO QUE NADA DEMAIS ESTEJA ACONTECENDO PARA CONFIRMAR O SENTIMENTO. O QUE IMPORTA ISSO? OS SENTIMENTOS EXPRESSAM REALIDADES QUE NÃO NECESSARIAMENTE ESTEJAM EM ANDAMENTO.”

São palavras do astrólogo Oscar Quiroga, em duas previsões do seu horóscopo publicado na edição do dia 30/03/2021 do jornal Correio Braziliense. Foram escolhidas para este nosso encontro porque, nestes momentos de transformações e de necessidades de inserções interiores, nós devemos “buscar” ou “criar” significados para os nossos “sentimentos” e para as “reações emocionais” que estamos vivenciando com esta pandemia. Isto porque, naturalmente, somos nós que temos melhores condições para “interpretar” as nossas realidades de interações existenciais de envolvimentos e, assim, procurar atender as nossas necessidades de completudes existenciais (sugestão de leitura complementar – mensagem 315).

Perceber não é apenas um nosso “ver”, ou um nosso simples “presenciar” tudo que se mostra para nós, mas sem espelhar em nós, “significados” para o nosso “existir” e “viver”.

Nesta pandemia, o nosso perceber deve ser um permanente “sentir” da nossa “imunidade superior” que possui essência de transcendência espiritual. É por isso que, nesta jornada de “autoconhecimento” (mensagem 001), várias vezes tenho repetido em síntese esta explicação de Jung (agora, assim reproduzida com estas minhas palavras):

– REGISTRADOS PELA NOSSA PERCEPÇÃO, FATORES INTERIORES ASSOCIADOS A OUTROS RECEBIDOS DO NOSSO “MUNDO EXTERIOR”, RECEBEM FORMA E SENTIDO NA COMPOSIÇÃO DE TUDO DO NOSSO PSIQUISMO QUE, EM NÓS, SE REVELA POR IMAGENS SIMBÓLICAS.

Sob uma perspectiva de interiorização pessoal, entendo que nesta pandemia precisamos acreditar mais na nossa inata capacidade de “perceber a si mesmo”, de “mostrar-se para si mesmo” para visualizar, “em nós” e “para nós”, novos “significados” para um renascer de novos propósitos para as nossas vidas.

Agora peço a sua atenção para esta interessante e preciosa fonte de conhecimento. Ao ser perguntado sobre o que é a “fenomenologia” criada pelo filósofo alemão Edmund Husserl (1859-1938), respondeu o mestre e doutor em Filosofia, Tommy Akira Goto, da Universidade Federal de Uberlândia, em entrevista publicada na Revista “Filosofia”, Edição 156, da Editora Escala (complementada com estas minhas palavras):

– Fenomenologia é a ciência da totalidade do ser. Uma ciência de fenômenos. Uma análise reflexiva e filosófica do que aparece na experiência humana, à nossa consciência. Isso significa que não é apenas a nossa experiência das coisas, mas, também, como damos conta daquilo que experienciamos (o que Husserl chamou de “vivência”).
A fenomenologia, então, não é uma filosofia apenas; é uma metodologia científica, que busca conhecer as “próprias coisas”, como são elas e como são conhecidas por nós.

Em seguida, esclareceu de modo conclusivo:

– [Por serem percebidos] podemos dizer que não só o mundo se mostra, mas nós próprios, ou seja, podemos também acessar o sentido da existência, da minha ou da sua existência. Temos aqui novamente a questão da correlação.

PERGUNTO:

– AS “PERCEPÇÕES INTERIORES” RECEBIDAS E MODELADAS PELAS NOSSAS INTERPRETAÇÕES DE EXPERIÊNCIAS SUBJETIVAS, REFLETEM, PARA NÓS, SIGNIFICADOS DOS NOSSOS “SENTIMENTOS” E “INTERAÇÕES EMOCIONAIS” ?

Espero você no nosso próximo encontro, com a resposta para esta pergunta.

Notas:
1.A reprodução parcial ou total, por qualquer forma, meio ou processo eletrônico dependerá de prévia e expressa autorização, com indicação dos créditos e links, para os efeitos da Lei 9.610/98 que regulamenta os direitos de autor e conexos.
2.Havendo nesta mensagem qualquer alegação ou citação que mereça ser melhor avaliada ou que seja contrária aos interesses dos seus autores, mande a sua solicitação para edsonbsb@uol.com.br .

Muita paz e harmonia espiritual para todos.

(318) Sentindo a importância de conhecer ou ressignificar o nosso “viver”, nesta pandemia (Parte I).

“A BUSCA DE SIGNIFICADO É UMA JORNADA QUE DURA TODA A VIDA.”

São palavras da psicóloga Muriel James, nascida na Califórnia, na cidade de Berkeley, que se dedicou ao estudo da Análise Transacional criada pelo psiquiatra canadense Eric Berne, com a finalidade de ajudar o indivíduo no seu desenvolvimento psíquico. Esse seu “sentir” (aprendizado de sabedoria, em 100 anos de vida), reforçou o meu convencimento de que devemos repensar o nosso “viver” para melhor lidar com as incertezas desta pandemia. Pergunto: Como? Através de um silencioso “voltar-se para si mesmo” que nos possibilite valorar e, se for o caso, ressignificar a nossa caminhada de vida. Aliás, essa é uma das práticas de “interiorização”, de “perceber a si mesmos” e, principalmente, de conhecer as nossas “necessidades” para ajudar manter o controle do nosso “equilíbrio emocional”. Para Jean Piaget (1896-1980), no ser humano a sua “capacidade de conhecer” não é inata e nem alcançada pelo resultado das suas experiências. Sob uma perspectiva de evolução, ela é construída pelo próprio indivíduo em todos os sentidos da sua existência.

Entendo que em muitas da nossas interações, as linguagens subjetivas do “inconsciente”, dos nossos “sentimentos”, das nossas “emoções”, são fontes interiores de “significados” que merece a nossa atenção. Explica o psicólogo Daniel Hamer Roizman, na sua abordagem “A Psi Biológica” (Rev. PSIQUE, n. 42, junho de 2009, Ed. Escala):

– […] a linguagem, de acordo com Lacan, é o próprio fundamento da subjetividade, pois implica no infinito universo de significações produzidas pelo inconsciente – a proposição lacaniana é que este é estruturado por uma rede de significantes.

Vejam que interessante: Lacan está se referindo à essência subjetiva de uma linguagem simbólica (a do inconsciente), que por ele sempre foi chamado de “inconsciente social” (justamente em razão dessa constituição e interação subjetiva). A respeito, gosto desta consistente e detalhada explicação do médico e psicoterapeuta junguiano, Carlos São Paulo (Rev. PSIQUE, n. 154, outubro de 2018, Ed. Escala):

– A linguagem inconsciente do homem é estranha ao “EU”. Nela, os conteúdos que se assemelham ficam envolvidos e trazem da profundidade as pistas para se chegar à compreensão de como agimos nas diversas situações de nossa existência. Para isso, precisamos abandonar a lógica exigida pelo “EU” e traduzir essas imagens e esses acontecimentos em símbolos. Pode-se entender símbolo como o modo de a psique transportar a carga energética de um conteúdo inconsciente, quando este se funde com a consciência, para expressar e revelar sua alma, um conceito junguiano que expressa a relação do nosso “EU” com o mundo interno. Assim, diante de um conflito, o analista ajuda o paciente a sair do literal e simbolizar a experiência, conseguindo disponibilizar a energia necessária para o seu paciente transformar o problema e encontrar uma solução para continuar o seu caminho.

Com estas considerações preliminares, entendo que nesta triste e preocupante pandemia todos nós devemos ficar atentos para as “respostas sensoriais” recebidas dos nossos “estados emocionais” (nas palavras do doutor Carlos São Paulo, “precisamos simbolizar nossas experiências”). Isto porque no ser humano, todas elas são resultado de um processo cognitivo de “atenção plena”, manifesto não apenas pela nossa fala consciente do “uso das palavras” mas, também, como acredito, pela conhecida e chamada “linguagem do corpo”. No seu artigo “Razão e Emoção”, ensina Marta Relvas, Docente da AVM EDUCCIONAL/UCM e da Universidade Estácio de Sá (Rev. PSIQUE, n. 167, outubro de 2018, Ed. Escala):

“O [nosso] sistema límbico comanda os sistemas endócrinos e os sistemas responsáveis pela vida vegetativa, sendo também responsável pelas emoções. As emoções, quando não racionalizadas, sobrecarregam os órgãos e descontrolam a produção hormonal, deixando o corpo enfraquecido imunologicamente e suscetível a doenças psicossomáticas. O sistema límbico é a estrutura do cérebro relacionada às emoções e às recompensas, que recebe informações pelas vias sensoriais mas não distingue se os estímulos se os estímulos recebidos são bons ou ruins. […] biologicamente os sistemas cerebrais tanto da emoção quanto da razão estão intrinsecamente interligados. E que por mais que uma pessoa pense que sua mente está sendo treinada para a racionalidade, esta jamais deixará de ser influenciada pela emoção. Sendo assim, podemos afirmar que existe um elo anatômico e funcional entre corpo, razão e emoção.

Conclui a doutora Marta Relvas:

No processo de aprendizagem, a emoção ativa a atenção, que provoca a produção de sinapses químicas, responsáveis por desencadear a memória de curto prazo e longo prazo. Para se ter aprendizagem é preciso que ocorra a motivação emocional. Aprendemos quando nos envolvemos ativamente no processo de produção do conhecimento, por meio da mobilização de atividades mentais e na interação com o outro.

Termino a primeira parte desta mensagem com este “sentir” de André Codea (Mestre em Ciência da Motricidade Humana), sobre “as funções executivas cerebrais no comportamento humano e na regulação dos nossos processos cognitivos”:

– NÃO CONSIGO IMAGINAR NENHUMA FUNÇÃO CEREBRAL FORA DO CONTEXTO DAS EMOÇÕES E DOS SENTIMENTOS.
QUALQUER TAREFA DECISÓRIA ENVOLVE INFLUÊNCIAS EMOCIONAIS, E MESMO O MAIS SIMPLES PROCESSO DE PENSAMENTO É ENTREMEADO POR NOSSOS ESTADOS EMOCIONAIS.

Espero você no próximo encontro, com um novo “Renascer do Sol” desta mensagem, iluminando nossas vidas!!!

Notas:
1.A reprodução parcial ou total, por qualquer forma, meio ou processo eletrônico dependerá de prévia e expressa autorização, com a indicação dos créditos e links, para os efeitos da Lei 9.610/98 que regulamenta
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2.Havendo nesta mensagem qualquer alegação ou citação que mereça ser melhor avaliada ou que seja contrária aos interesses dos seus autores, mande a sua solicitação para edsonbsb@uol.com.br.

Muita paz e harmonia espiritual.

(317) Sentindo que nem sempre os “desejos” são buscas das nossas “necessidades”.

“REMOVA OS OBSTÁCULOS MENTAIS QUE IMPEDEM VOCÊ DE ENCHERGAR COM CLAREZA E REALISMO OS ACONTECIMENTOS EM CURSO. SUA ALMA PRECISA TER UMA VISÃO AMPLA, DECIFRANDO O MOMENTO HISTÓRICO E COLOCANDO TUDO EM PERSPECTIVA.”

“HÁ MUITAS REALIDADES NUMA SÓ REALIDADE, PORÉM, ISSO NÃO LEGITIMA AS FANTASIAS, OU REALIDADES ALTERNATIVAS. A QUESTÃO É COMO NAVEGAR BEM NO MEIO DE UM MUNDO QUE NÃO TEM MAIS CERTEZA DE NADA? E QUE FINGE CONTINUAR A TER?”

Mais uma vez o astrólogo Oscar Quiroga enriquece a nossa jornada para o “autoconhecimento” (mensagem 001). É a sua trigésima primeira participação (veja no final desta mensagem). Essas duas previsões dos signos de câncer e libra, foram selecionadas do seu horóscopo publicado na edição da última quinta-feira deste mês, do jornal Correio Braziliense. Entendo que são sugestivas de um nosso “voltar-se para si mesmo” e, assim, favorecer uma nossa silenciosa análise reflexiva sobre tudo que está acontecendo nesta pandemia, com atenção para a nossa interior vivência emocional de interações.

Todos nós temos condições de aprender com o que está acontecendo em nossas vidas. Em recente entrevista concedida a Ricardo Daehn, publicada na mesma edição do jornal Correio Braziliense (acima citada), ao ser perguntada sobre como vem enfrentando as dificuldades da pandemia a atriz Débora Falabella respondeu:

– A pandemia está marcada nas nossas vidas. Na perspectiva histórica, veremos que foi algo que transformou o mundo inteiro. O ano de 2020 foi um ano muito triste, em que perdemos muitas pessoas, foi um ano de muita ansiedade por falta de empregos. Tem muita gente que está sofrendo muito. Essa pausa forçada também foi uma maneira de a gente pensar no mundo, de modo geral, do mundo acelerado em que a gente corre atrás de dinheiro para construir um futuro, onde a gente destrói muito sem pensar no outro. No início da pandemia, muita gente que não fazia isso, olhou para o lado e se preocupou com o outro. Você tem que ficar preocupado com o outro o tempo todo. São mil recomendações, e a gente tem que se cuidar, para cuidar do outro. O ano trouxe reflexões boas para se levar na vida. Houve uma tomada de consciência sobre o planeta. Entendemos coisas como a importância da escola no futuro de uma criança. Até mesmo entre os bens materiais, descobrimos quantas coisas são desnecessárias. Mas, diante de tudo, ainda há quem negue…

No nosso encontro anterior, perguntei para os meus seguidores (mensagem 316):

– EM TERMOS DE BUSCAS DE UM “SENTIDO”, COMO DEVEMOS REAGIR PARA SUPERAR A DIFÍCIL REALIDADE DESTA PANDEMIA?

Qualquer resposta para essa pergunta, será assim explicada pelo doutor Nicholas Christakis, que é médico e professor de Ciências Sociais e Naturais da Universidade de Yale, nos EUA:

– QUANDO HÁ UMA PANDEMIA, AS PESSOAS BUSCAM SENTIDO, PENSAM MAIS SOBRE O SIGNIFICADO DE SUAS VIDAS.

Mas, como acredito, para viabilizar essas buscas também precisamos “repensar” um novo mundo para todos nós, que seja mais “SOLIDÁRIO”, mais “HUMANISTA” e plenamente consolidado com efetivas demonstrações de respeito à “DIGNIDADE HUMANA”. É assim que devemos entender o “pensar no outro”, de Débora Falabella.

Esta mensagem foi motivada por este “sentir” de Quiroga, sobre os nossos “Desejos e necessidades”:

– O Universo funciona por necessidade, tudo que existe responde a uma necessidade, porque supre uma falta ou estabelece uma relação de correspondência que agrega equilíbrio e harmonia ao conjunto maior, que é o próprio Universo. Nosso reino humano é parte deste funcionamento universal, existimos porque somos necessários, porém, ao mesmo tempo, em nossas escolhas individuais raramente pautamos nossas decisões por essas serem necessárias ou não. Nossas decisões individuais são quase todas pautadas pelos nossos desejos, os quais não suprem necessidades, inventam por si mesmos suas próprias vontades, mesmo que não haja necessidade alguma para isso. Essa é a verdade por trás de que a realização dos desejos nem sempre conduz à realidades satisfatórias, porque inúmeras vezes esses não precisam existir, são desnecessários.

Concordo com Quiroga. Realmente os nossos significados de “desejos” e de “necessidades” estabelecem, entre si, uma aparente relação de dependência de uma unidade conceitual de “integração”. Acontece que nem tudo que “desejamos” são nossas “necessidades”. Assim como muitas das nossas “necessidades”, nem sempre são por nós “desejadas”, porque para serem “atendidas” dependem apenas da nossa capacidade de “acreditar” (e não de um nosso “desejar”).

Espero você no nosso próximo encontro.

Notas:
1. A reprodução parcial ou total, através de qualquer forma, meio ou processo eletrônico, dependerá de prévia e expressa autorização do autor deste espaço virtual, com indicação dos créditos e link, para os efeitos da Lei 9610/98, que regulamenta os direitos de autor e conexos.
2. Citações anteriores do astrólogo Oscar Quiroga (mensagens: 316, 312, 310, 309, 304, 292, 285, 277, 276, 272, 270, 267, 266, 265, 257, 255, 254, 253, 252, 251, 248, 212, 196, 184, 154, 153, 142, 149, 122 e 097).
3. Havendo, neste espaço virtual, qualquer alegação que mereça ser melhor avaliada ou contrária aos interesses dos seus autores, mande a sua solicitação para edsonbsb@uol.com.br

Muita paz e harmonia espiritual para todos.

(316) Sentindo, principalmente nesta pandemia, a necessidade de criar um novo “sentido” para as nossas vidas.

“A REALIDADE INDIVIDUAL É REAL, PORÉM, MUITO MAIS REAL AINDA É A REALIDADE DO REINO HUMANO, QUE FUNCIONA COMO UMA UNIDADE DIANTE DA COREOGRAFIA MAGISTRAL DO UNIVERSO. COORDENAR AS DUAS REALIDADES É A QUESTÃO.”

“SÃO MUITAS COISAS ACONTECENDO AO MESMO TEMPO, DE NATUREZAS MUITO DIFERENTES ENTRE SI. POR ISSO, SERIA IMPOSSÍVEL TER QUALQUER TIPO DE CONTROLE. ESTE É O MOMENTO EM QUE SUA ALMA PRECISA SURFAR COM FÉ E DESTREZA.”

“DIFÍCIL ESTAR NO CONTROLE DE TUDO QUE ACONTECE. QUANDO A ONDA É FORTE, É NECESSÁRIO DESTREZA E AJUSTE CONSTANTE PARA CONTINUAR SURFANDO BEM. VOCÊ CONSEGUE, MANTENHA O CORAÇÃO TRANQUILO E TOME AS MEDIDAS PERTINENTES.”

“A TENSÃO QUE SUA ALMA PRECISA SURPORTAR É CONSIDERÁVEL. POR ISSO, NÃO SE ADMIRE PELA NATUREZA DOS SENTIMENTOS INTENSOS COM QUE VOCÊ PRECISA LIDAR AGORA, PORÉM, NÃO SE DEIXE SUBJUGAR POR ELES. MANTENHA A CLAREZA E O FOCO.”

“LANCE SEUS PENSAMENTOS AO FUTURO, MAS NÃO SE ESQUEÇA DE LEVAR O CORPO JUNTO, PARA QUE AS IDEIAS FUTURAS VÃO SE TORNANDO REALIZAÇÕES A CADA PASSO QUE VOCÊ DER. NÃO HÁ TEMPO A PERDER, HÁ MUITO FUTURO AINDA PARA VIVER.”

Com o mundo girando, na simbólica “roda da vida” somos levados pelo “fluir existencial” de um contínuo e permanente ciclo de sucessivas possibilidades de experiências. Como acredito, muitas delas são fontes de necessários aprendizados ensejados, para cada um de nós, pelo “sentido” das nossas decisões individuais de escolhas. Acontece que nesta pandemia, compondo um mosaico de preocupantes incertezas, muitos de nós ficamos emocionalmente fragilizados com o “imprevisível”, com o “indefinido”, podendo, inclusive, sentir a sensação de que o “tempo” parou em nossas vidas.

Pergunto:

– EM TERMOS DE BUSCA DE UM “SENTIDO”, COMO DEVEMOS REAGIR PARA SUPERAR A DIFÍCIL REALIDADE DESTA PANDEMIA?

Respondo, em síntese, com este conclusivo “sentir” do astrólogo Oscar Quiroga, publicado na edição de ontem, sábado, do jornal “O Estado de São Paulo, por mim escolhido para iniciar esta mensagem:

– ACREDITANDO QUE “HÁ MUITO FUTURO AINDA PARA VIVER”.

Complemento, com este precioso ensinamento da escritora Lya Luft para quem, como seu seguidor, dediquei a criação desta nossa jornada para o “autoconhecimento” (mensagem 001):

– O MUNDO NÃO TEM SENTIDO SEM O NOSSO OLHAR QUE LHE ATRIBUI FORMA, SEM O NOSSO PENSAMENTO QUE LHE CONFERE ALGUMA ORDEM.

Espero você no nosso próximo encontro.

Notas:
1. A reprodução parcial ou total, através de qualquer forma, meio ou processo eletrônico, dependerá de prévia e expressa autorização do autor deste espaço virtual, com indicação dos créditos e link, para os efeitos da Lei 9610/98, que regulamenta os direitos de autor e conexos.
2. A citação da escritora Lya Luft, foi selecionado do capítulo “A marca no flanco”, da Edição comemorativa 10 anos, do seu belo livro “Perdas & Ganhos”, publicado em 2013 pela Editora Record.
3. Havendo, neste espaço virtual, qualquer alegação que mereça ser melhor avaliada ou contrária aos interesses dos seus autores, mande a sua solicitação para edsonbsb@uol.com.br

Muita paz e harmonia espiritual para todos.

(315) Sentindo como entender a percepção da nossa linguagem sensorial.

“O SER HUMANO COMPÕE UMA SIMBÓLICA “UNIDADE EXISTENCIAL” COM AS IMAGENS ABSTRATAS DAS NOSSAS RELAÇÕES DE INTEGRAÇÃO, EM TODOS OS SENTIDOS DO NOSSO EXISTIR. É QUANDO, POR EXEMPLO, DEFINIDO E DIMENSIONADO PELAS MATIZES DA NOSSA SUBJETIVIDADE INTERIOR, SOMOS ENVOLVIDOS POR UMA SENSAÇÃO DE “TOTALIDADE MAIOR” QUE, A ELA, PODEMOS NOS “SENTIR” UNOS AO CONTEMPLAR A FANTÁSTICA DIMENSÃO DE INFINITUDE DO UNIVERSO.”
São minhas palavras. Foram escritas em 19/11/2020 como parte das considerações sobre a subjetiva necessidade de se ter consciência dos nossos estados emocionais, principalmente nesta pandemia (mensagem 306). Em termos de comparação, entendo que os significados sensoriais desse ato de contemplação do Universo, assemelham-se aos deste exemplo do neurocientista António Damásio, por ele citado em entrevista concedida em 18/10/2010 ao chegar em Portugal, na cidade de Lisboa: “Quando olhamos para o mar, não vemos apenas o azul do mar, sentimos que estamos a viver esse momento de percepção.”

Pergunto:

– NAS NOSSAS INTERAÇÕES, SEJAM DE QUE NATUREZA FOREM, COMO SE DESENVOLVE UMA “LINGUAGEM SENSORIAL” ESTRUTURADA NOS ESTÍMULOS RECEBIDOS DAS NOSSAS EXPERIÊNCIAS SUBJETIVAS DE VIDA?

As linguagens da “alma”, dos “sentimentos”, das “emoções”, das nossas “sensações”, não se aprende como acontece com a leitura das palavras escritas, porque é subjetiva a essência dos seus significados. São, portanto, comunicações sensoriais individualizadas, personalíssimas que espelham para cada um de nós, de modo individualizado, imagens simbólicas da nossa singularidade interior e existencial. Explica o neurocientista António Damásio, no seu livro “O mistério da consciência – do corpo e das emoções ao conhecimento de si”, publicado pela Editora “Companhia das Letras”, com tradução de Laura Teixeira Motta:

– Representações do exterior ou do interior podem ocorrer independentemente de um exame consciente e ainda assim induzir reações emocionais. Emoções podem ser induzidas de maneira inconsciente e, assim, afigurar-se ao self consciente como aparentemente imotivadas.

Damásio complementa com esta explicação, reproduzida do seu mais recente livro “A estranha ordem das coisas – as origens biológicas dos sentimentos e da cultura”, também publicado no Brasil pela Editora Companhia das Letras:

– Em circunstâncias comuns, os sentimentos comunicam à mente, sem uso de palavras, se a direção do processo da vida é boa ou má, em qualquer momento, no respectivo corpo. Ao fazerem isso, eles naturalmente qualificam o processo da vida como conducente ou não ao bem-estar e à prosperidade.

Agora prestem atenção neste esclarecimento, selecionado do seu primeiro livro acima citado:

– Os seres humanos devem à linguagem importantes capacidades, mas a consciência não é uma delas. As glorias da linguagem fundam-se em outros pontos: na capacidade de traduzir precisamente pensamentos em palavras e sentenças, e palavras e sentenças em pensamentos; na aptidão de classificar conhecimentos de maneira rápida e econômica na moldura protetora de uma palavra; na capacidade de expressar construções imaginárias ou abstrações distantes com uma palavra simples e eficaz.

Complemento com as sínteses destas suas considerações:

(…) o cérebro humano também gera automaticamente uma versão verbal da história. (…) O que é acionado na trilha não verbal da nossa mente, o que quer que seja, é rapidamente transformado em palavras e sentenças. Essa é a natureza do ser humano, criatura dotada de linguagem. (…) Já se julgou que a consciência ocorria quando, e somente quando, a linguagem comentava para nós a situação mental. Como já vimos, a concepção de consciência exigida por essa ideia sugere que somente seres humanos com grande domínio do instrumento da linguagem teriam estados conscientes. Animais sem linguagem e bebês humanos não teriam tal sorte, seriam inconscientes. (…) Curiosamente, a própria natureza da linguagem nega que ela tenha um papel primordial na consciência.

Termino esta mensagem, com este belo “sentir” de Miguel Nicolelis, comentando a “monitoração humana do tempo”, no seu recém lançado livro, “O verdadeiro criador de tudo – como o cérebro humano esculpiu o universo como nós conhecemos”, publicado pela Editora CRÍTICA com todos os direitos de edição reservados à Editora Planeta do Brasil Ltda:

A HABILIDADE DE EXPRESSAR OS PENSAMENTOS PELA LINGUAGEM SIGNIFICOU QUE, EM VEZ DE SER LIMITADA A UM REGISTRO HISTÓRICO PESSOAL PRIVADO DA SUA EXISTÊNCIA, COMUNIDADES DE “HOMO SAPIENS” PODEIAM DESENVOLVER UM RELATO COLETIVO ABRANGENTE DE TRADIÇÕES, REALIZAÇÕES, EMOÇÕES E DESEJOS. (…) O SURGIMENTO DA COMUNICAÇÃO ORAL E DA FALA ENTRE “HOMO SAPIENS” PODE, PORTANTO, SER CONSIDERADO O MECANISMO PRIMORDIAL DE MANIFESTAÇÃO DE REGISTOS MENTAIS QUE DEU ORIGEM AO PROCESSO SEM FIM DE CONSTRUÇÃO DE UM UNIVERSO HUMANO.

Espero você no nosso próximo encontro.

Notas:
1. A reprodução parcial ou total, através de qualquer forma, meio ou processo eletrônico, dependerá de prévia e expressa autorização do autor deste espaço virtual, com indicação dos créditos e link, para os efeitos da Lei 9610/98, que regulamenta os direitos de autor e conexos.
2. Par os meus seguidores, indico os livros citados nesta mensagem, como sendo de leitura obrigatória.
3. Havendo, neste espaço virtual, qualquer alegação que mereça ser melhor avaliada ou contrária aos interesses dos seus autores, mande a sua solicitação para edsonbsb@uol.com.br

Muita paz e harmonia espiritual para todos.

(314) Sentindo a subjetividade das nossas percepções sensoriais de “solidão” (Parte V).

“DEPENDENDO DA FORMA COMO RESPONDEMOS AOS APRENDIZADOS QUE SURGEM, PODEM NASCER NOVOS PRINCÍPIOS, NOVAS SOLUÇÕES E UMA NOVA CONSCIÊNCIA SOCIAL. NINGUÉM ESCOLHE O CAMINHO INCERTO, ELES PRECISAM ACONTECER COM A GENTE. MAS SÃO AS INCERTEZAS, E NÃO A RIGIDEZ, QUE NOS LEVAM ÀS MELHORES PERGUNTAS – AQUELAS QUE COLOCAM EM QUESTÃO PRÁTICAS JÁ FRAGILIZADAS E ABREM ESPAÇO PARA IMPORTANTES DISCUSSÕES MORAIS E SIGNIFICATIVOS AVANÇOES QUE MUDAM O FUTURO.”
São palavras da doutora Michele Müller, pesquisadora, especialista em Neurociências, Neuropsicologia Educacional e Ciências da Educação, que se dedica ao estudo e aplicação de estratégias para o desenvolvimento da linguagem. Foram selecionadas do seu artigo “Experiência psicológica coletiva”. Sobre uma das consequências desta pandemia, em que o mundo inteiro se viu trancado em uma sala de “Escape Room”, afirmou que a nossa “confiança no suporte coletivo traz equilíbrio emocional para o indivíduo e para a sociedade, pois sem ela corremos o risco de entrar em pânico e isso nos cegar pela sensação de desamparo”. No decorrer da sua análise, também reconheceu que “nem sempre existe uma inteligência coletiva que tem respostas seguras e mantém inabalável a ordem que construímos. Em momentos como esse, nos lançamos juntos ao incerto, fazemos jogadas arriscadas e nos deparamos com nossa precária capacidade de prever resultados, com a nossa fragilidade e, mais importante, com a nossa interdependência e necessidade, urgente, de integração e cooperação”.
Para a doutora Michele, “a saúde passou a ser vista como questão pública e prioritária, a responsabilidade social pesou sobre cada indivíduo, a privação de liberdade tomaram novas perspectivas de pensamento, a necessidade de conexão e contato ficou evidente, a nossa capacidade de adaptação tornou-se questão de sobrevivência, a forma como vivemos e nos relacionamos passou a ser questionada”.

COMO VENCER A COVID-19?

Entendo que precisamos de práticas com demonstrações firmes e convincentes de responsabilidades “individual” e “social”, voltadas para a proteção das nossas vidas; precisamos repensar o nosso “existir”, para ajudar fortalecer o nosso emocional na superação de todas as imprevisibilidades, atuais e futuras, desta difícil e triste realidade que todos nós estamos vivenciando. São, portanto, iniciativas pessoais e coletivas de ações conjuntas necessárias e urgentes, porque também não podemos esquecer que o comportamento humano está sujeito aos possíveis aumentos de problemas psicológicos, principalmente relacionados aos conhecidos estados de ansiedades e depressão. No seu esclarecedor artigo “A ansiedade nossa de cada dia”, explica a psicóloga Francine Guimarães Gonçalves, Doutoranda em Psiquiatria e Ciências do Comportamento pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS):

– Pensamentos trazem percepção de vulnerabilidade e distorcem a forma de lidar com eventos estressantes. Em situações de crise, a ansiedade pode perder a sua função adaptativa e, assim, perder o seu papel protetor e motivador, tornando-se patológica e gerando intenso sofrimento. A ansiedade pode ser expressa através de componentes fisiológicos, cognitivos, emocionais e comportamentais. A incerteza frente ao futuro nos cerca diariamente. É natural. Constatada a nossa impotência, se faz necessário pensar em ferramentas de manejo da ansiedade.

Voltem para as palavras iniciais da doutora Michele, e respondam esta pergunta:

NESTA PANDEMIA, QUAIS SÃO OS APRENDIZADOS QUE PODEM DESPERTAR EM NÓS, NECESSIDADES DE BUSCAS DE SOLUÇÕES E DE DESCOBERTAS DE SENTIMENTOS QUE FAVOREÇAM O RENASCER DE UMA NOVA “CONSCIÊNCIA SOCIAL” DE MAIS RESPEITO À DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA, DE VALORAÇÃO E PRESERVAÇÃO DAS NOSSAS VIDAS, DE MAIS SOLIDARIEDADE E, COMO DESEJAMOS, PARA CONSOLIDAR UM NOVO FUTURO?

Nos momentos difíceis da pandemia tenho pensado muito nestas considerações (por mim recebidas em forma de advertência), da professora em cognição gerencial e organizacional, Keitiline Viacava, que é doutora em Psicologia pela UFRGS com pós-doutorado em Neurociência Cognitiva na Universidade de Georgetown, em Washington, D.C.:

– Não raramente, somos atraídos para certas situações de forma automática. Esse tipo de atenção opera de maneira implícita e, se ocorrer de forma sistemática, pode configurar um viés não consciente da atenção. (…) Outras vezes, concentramos nossa atenção de forma deliberada, explícita, quando temos objetivos claros, que necessitam de foco e determinação. É curioso como a atenção pode ser a base para nossos processos cognitivos mais elevados e, ao mesmo tempo, receber tão pouco enfoque nas ações voltadas ao autoconhecimento. Em um mundo onde a atenção é escassa, precisamos aprender mais sobre quais informações selecionar, descartar e, ainda, transmitir adiante para guiar planos, ações e tomadas de decisões. A forma predominante como a atenção é operacionalizada na nossa mente, se de maneira voluntária ou involuntária, também merece a nossa compreensão, pois influencia o quanto conseguimos orientá-la à busca de informações guiadas aos nossos objetivos.

Desejando que este nosso encontro tenha sido recebido por todos com a essência contagiante de uma nossa renovação de “união” e de “solidariedades humanistas”, em todos os sentidos do nosso “viver”, termino esta mensagem com esta interessante e bela percepção dos doutores em Psicologia Clínica da PUC-SP, Michel Alexandre Fillus e Ana Paula Navarro de Vasconcellos, sobre as nossas “realidades”, no seu interessante artigo “Mundus Imaginalis”, publicado na edição 139 da Revista “Humanitas”, da Editora Escala:

– Em suma, do mesmo modo que consideramos uma realidade externa – a qual costumeiramente chamamos de realidade com “R” maiúsculo – há uma realidade interna que é tão “real” como a primeira. Esta aponta para o mundo interior, o mundo das nossas emoções, das nossas representações internas, de forças que dirigem nosso desenvolvimento e apontam o caminho. Lidamos com a realidade externa a partir de nossos recursos internos, das concepções que nutrimos a respeito da vida e de como podemos enxergar nela um contexto de desafio pessoal para o autoconhecimento e desenvolvimento. Todas as noites somos inundados de novas imagens e histórias. A partir do “Mundus imaginalis” constituímos uma narrativa sobre nós mesmos e para entender o mistério de ser quem somos.

Espero você no nosso próximo encontro.

Notas:
1. A reprodução parcial ou total, através de qualquer forma, meio ou processo eletrônico, dependerá de prévia e expressa autorização do autor deste espaço virtual, com indicação dos créditos e link, para os efeitos da Lei 9610/98, que regulamenta os direitos de autor e conexos.
2. As citações das doutoras Michele Müller e Francine Guimarães Gonçalves foram, pela ordem, reproduzidas dos seus artigos “Experiência psicológica coletiva” e “A ansiedade nossa de cada dia”, publicados na edição 171 da Revista PSIQUE da Editora Escala; as citação da doutora Keitiline Viacava e dos doutores Michel Alexandre Fillus e Ana Paula Navarro de Vasconcellos, foram, pela ordem, reproduzidas dos seus artigos “Se a atenção é escassa, a informação é luxo” e a “Mundus Imaginalis”, publicados na edição 139 da Revista Humanitas, também da Editora Escala.
3. Havendo, neste espaço virtual, qualquer alegação que mereça ser melhor avaliada ou contrária aos interesses dos seus autores, mande a sua solicitação para edsonbsb@uol.com.br

Muita paz e harmonia espiritual.

(313) Sentindo a subjetividade das nossas percepções sensoriais de “solidão” (Parte IV).

“AS IMAGENS SENSORIAIS DE “SOLIDÃO” SÃO DEFINIDAS PELAS PERCEPÇÕES DOS NOSSOS ESTADOS EMOCIONAIS. MANIFESTAM-SE EM NÓS PELAS EXPERIÊNCIAS SUBJETIVAS DE REALIDADES ABSTRATAS, COM SEUS SIGNIFICADOS MODELADOS PELO NOSSO MODO DE SENTIR.”
São palavras que me foram intuídas para transmitir este meu atual entendimento: Em todas as nossas realidades de interações, sejam de que natureza forem, somos nós que criamos os nossos “estados de solidão”. Estou plenamente convencido de que todos os nossos “sentimentos de solidão” são “experiências subjetivas de realidades abstratas”. Mas como acontece com tudo em nossas vidas, somos nós que “criamos” todas as nossas realidades. Principalmente as nossas “realidades imaginárias”, com os seus significados elaborados e definidos por nós e para nós mesmos. O que não podemos esquecer é que “a linguagem da consciência é literal, mas a da alma é simbólica”. Esse conhecido ensinamento faz parte desta explicação do médico e psicoterapeuta junguiano Carlos São Paulo, na sua análise literária da obra “Segredo e Mentiras”, da escritora americana Diane Chamberlain, publicada pela Editora Arqueiro:

– O funcionamento da consciência nos leva a dizer: eu tenho um corpo. Esse EU é uma dimensão psíquica que rege as experiências conscientes e se relaciona com a ALMA. A linguagem da consciência é literal, mas a da alma é simbólica. (…) A psicologia analítica é uma ciência dos processos inconscientes. Ficamos atentos à maneira em que o oculto se revela. (…) Quando alguém conta ao analista o seu sofrimento, ele apenas escuta e procura encontrar um significado de como foram construídas aquelas ideias por trás desse significado. É como a vida de uma semente: expressa-se em vegetação depois que a enterramos. É assim que o oculto se revela, plantado, cuidado e fertilizado. O oculto é a necessidade da alma para se revelar em momentos especiais e de grande significado. Os problemas podem ser solucionados; os mistérios apenas vividos.

Pergunto:

– QUE “OCULTO” É ESSE, RESPONSÁVEL PELAS CRIAÇÕES DOS NOSSOS “ESTADOS DE SOLIDÃO”?

Somente cada um de nós, por suas buscas de “autoconhecimento”, terá condições de responder para “si mesmo” essa pergunta, avaliando as suas conhecidas (ou possíveis) necessidades de completudes interiores e existenciais. Mas na primeira parte desta mensagem, reconheci: “São muitas as moradas da “Solidão”. Umas existem dentro de nós, outras fora. Às vezes sentimos “Solidões” vestidas de “saudade”, com as cores dos nossos “quero mais”, “quero de novo”, “quero para sempre”. Delas não gosto quando suas vestes são de “tristezas” e de “perdas indesejadas”, porque machucam o nosso coração. As que mais incomodam são as que se acomodam em nós, torturando-nos a todo instante porque delas é difícil nos livrar.”

Merecedor da minha indicação de leitura, no seu mais recente livro “A estranha ordem das coisas – as origens biológicas dos sentimentos e da cultura”, publicado no Brasil pela Editora Companhia das Letras com tradução de Laura Teixeira Motta, explica o neurocientista António Damásio:

– É comum encontrarmos explicações sobre a vida mental – percepções, sentimentos, ideias, memórias com as quais percepções e ideias podem ser registradas, imaginação e raciocínio, palavras usadas para traduzir narrativas internas, invenções etc. – nas quais essas coisas são vistas como produtos do cérebro. (…) Nossas percepções e as ideias que elas evocam geram continuamente uma descrição paralela baseada em linguagem. Essa descrição também é construída com imagens. Todas as palavras que usamos, em qualquer linguagem – falada, escrita ou percebida pelo tato, como no braile -, são feitas mentalmente de imagens. Isso vale para as mensagens auditivas dos sons de letras, palavras e inflexões e também para os correspondentes códigos visuais de símbolos/letras que representam esses sons. (…) A coleção de imagens tipicamente relacionadas a um objeto ou evento equivale à “ideia” desse objeto ou evento, seu “conceito”, seu significado, sua semântica. Ideias – conceitos e seus significados – podem ser traduzidas no idioma dos símbolos e permitir o pensamento simbólico.

Pergunto:

QUAL A IMPORTÂNCIA DA LINGUAGEM PARA, QUANDO POSSÍVEL, NOS AJUDAR ENTENDER AS NOSSAS PERCEPÇÕES SENSORIAIS DE “SOLIDÃO”?

Gosto destas considerações da doutora Mihele Müller, pesquisadora e especialista em Neurociências, Neuropsicologia Educacional e Ciências da Educação, apresentadas no seu artigo “Matéria-prima do pensamento” (por mim numeradas):

1. A linguagem vai além do campo cognitivo. Ela auxilia na identificação de sensações e na construção da inteligência emocional.
2. Estudos neurocientíficos apontam uma nova perspectiva na compreensão dos sentimentos, não como respostas pré-programadas, mas como construções sociais – o que leva a uma visão mais flexível sobre a forma como podemos lidar com elas, saindo do papel de reféns das emoções para ganhar o poder de desconstruí-las.
3. A linguagem tem um papel fundamental no desenvolvimento da inteligência emocional. Sua função, portanto, não se limita à expressão das nossas experiências e emoções, com a finalidade de influenciar de incontáveis maneiras aqueles com os quais interagimos. É a matéria-prima do pensamento, o conjunto de peças que molda a forma como percebemos o ambiente, como interpretamos o outro e como compreendemos as próprias emoções.
4. Diferentemente de palavras que representam elementos concretos, os conceitos abstratos geralmente dependem do contexto para serem definidos e explicados. E é nessa maleabilidade que está a riqueza de uma língua – e também, de acordo com Barrett, do repertório emocional que cada um carrega [Michele está se referindo à neurocientista Lisa Barrett, autora de How Emotions Are Made, conhecida por suas pesquisas sobre a construção das emoções].
5. A linguagem abstrata permite enxergarmos coisas que antes se encontravam em um ponto cego da percepção. Como se fossem lanternas da mente, as palavras expandem os limites do nosso mundo interno, como defendeu o filósofo alemão Wittgenstein. Um mundo que é inteiramente guiado pelas emoções e sentimentos – das grandes conquistas às piores decisões. Para conseguir identificá-los é necessário nomeá-los. Com a consciência dos ingredientes que os compõem, a partir da clareza trazida pelas palavras certas damos ao cérebro a capacidade de categorizar, perceber e predizer as emoções – ferramentas fundamentais para que possamos lidar melhor com eles e responder aos estímulos de forma mais flexível e funcional. Quanto maior o vocabulário, portanto, maior o que Barrett chama de “granularidade emocional”. Um repertório que possibilita expressar da forma mais acurada possível o leque de nuances emocionais que as diversas situações e estímulos podem evocar está relacionado à capacidade de construir experiências emocionais mais refinadas, levando a melhores predições e instâncias de emoções que são modeladas de acordo com a situação.

Por sua vez, como no início desta mensagem manifestei o meu entendimento de que “sentir solidão” são experiências subjetivas de realidades abstratas, merece registro a seguinte explicação da doutora Michele Müller, reproduzida da sua interessante e consistente abordagem sobre a “Construção Abstrata na Mente”:

– A linguagem cumpre um papel fundamental não apenas na comunicação, como na interpretação do ambiente e na identificação das próprias emoções, o que possibilita a formulação consciente de respostas mais apropriadas. Se, por um lado, a ampliação do vocabulário permite a ampliação da própria consciência e modifica a forma como as pessoas processam suas experiências no mundo, por outro são as próprias experiências que dão sentido à palavra, em uma relação recíproca e interdependente. No entanto, a educação não leva em consideração a forma como a linguagem é compreendida e desenvolvida ao trabalhar uma série de conteúdos que, no decorrer no ensino fundamental, vão ficando cada vez mais abstratos e distantes do universo dos aluno.

Conclui a doutora Michele:

– A utilização de metáforas e analogias no entendimento de conceitos abstratos, ao descrevê-los em termos mais concretos, está diretamente relacionada à forma como o cérebro processa a linguagem. Muito mais que um recurso poético ou literário, ensinando de forma isolada, é essencial para se compreender mensagens que dependem de relações com o mundo físico ou que, muitas vezes, estão inconscientemente relacionadas a diferentes sensações e emoções.

No nosso próximo encontro, vamos aproveitar esses conhecimentos para nos ajudar entender a subjetividade das nossas percepções sensoriais de “solidão”. Conto com você.

Notas:
1. A reprodução parcial ou total, através de qualquer forma, meio ou processo eletrônico, dependerá de prévia e expressa autorização do autor deste espaço virtual, com indicação dos créditos e link, para os efeitos da Lei 9610/98, que regulamenta os direitos de autor e conexos.
2. As citações da análise literária do doutor Carlos São Paulo, bem com as duas da doutora Michele Müller, foram reproduzidas das edições 161 e 162 da Revista PSIQUE, da Editora Escala.
3. Havendo, neste espaço virtual, qualquer alegação que mereça ser melhor avaliada ou contrária aos interesses dos seus autores, mande a sua solicitação para edsonbsb@uol.com.br

Muita paz e harmonia espiritual para todos.

Muita paz e harmonia espiritual.

(312) Sentindo o poder do nosso “acreditar”.

“A RENOVAÇÃO DE TUDO, TÃO ESPERADA NESTA TRISTE E PREOCUPANTE REALIDADE DA PANDEMIA, DEPENDE APENAS DE NÓS MESMOS, DO NOSSO “ACREDITAR” QUE TEMOS UMA MISSÃO BEM DEFINIDA, COM SIGNIFICADOS EXISTENCIAIS E DE ESPIRITUALIDADE SUPERIOR QUE PRECISAM SER DESPERTOS EM NÓS. A ESSÊNCIA DE TUDO QUE PRECISAMOS ESTÁ EM NÓS PARA SER LAPIDADA DE ACORDO COM AS NOSSAS NECESSIDADES E, ASSIM, NOS AJUDAR MODELAR OS NOSSOS PROPÓSITOS DE VIDA EM TODOS OS SENTIDOS DO NOSSO “EXISTIR”. O “TEMPO” NÃO EXISTE MAS, EM NOSSAS VIDAS, A SUA NECESSÁRIA E ILUSÓRIA PASSAGEM NÓS PROPORCIONA OPORTUNIDADES PRECIOSAS DE TRANSFORMAÇÕES INTERIORES. REFORÇO O MEU PEDIDO DE “ACREDITAR”, COMO SENDO UMA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO NATURAL DE TRANSCENDÊNCIA HUMANA. COM SENTIMENTO DE GRATIDÃO A DEUS PELA NOSSA VIDA, DESEJO PARA VOCÊ UM NOVO RENASCER DE ESPERANÇA QUE NOS ENVOLVA COM SENTIMENTOS E PRÁTICAS HUMANISTAS DE UNIÃO E DE SOLIDARIEDADE UNIVERSAL.”

Termino esta mensagem com este “sentir” do astrólogo Oscar Quiroga, iniciando as previsões do seu horóscopo publicado na edição de hoje do jornal Correio Braziliense:

– Porta que fecha, porta que abre.
Os anos não começam ou terminam por decreto, mas quando há sincronia entre as atividades terrestres e os movimentos celestes. O calendário que nos serve para celebrar o réveillon é apenas um decreto, e seu valor deriva da convergência da mente humana em o considerar um marco para medir o tempo. Por isso, vale muito o que tenhas imaginado, os desejos que tenhas lançado ao futuro, as resoluções que coloques em andamento. Contudo, se aliasses o poder de tua imaginação à matemática do céu, aí sim encontrarias suporte suficiente para que tuas resoluções não sejam apenas um voo de galinha, mas um movimento consistente de realização. Aproveita, então, para fechar a porta de um ano que fez tremer as bases de tua existência, mas abre também a outra, que conecte tua presença ao infinito, que é tua verdadeira essência.

Para todos, muita paz e harmonia espiritual neste novo ciclo que se inicia.

(311) Sentindo a subjetividade das nossas percepções sensoriais de “solidão” (Parte III).

“O QUE IMPORTA É CONHECER A SUA REAÇÃO, NÃO APENAS O QUE ACONTECE COM VOCÊ.”
Esta é a síntese de um precioso ensinamento do filósofo estoico Epiteto, também conhecido por Epicteto. Esse seu “sentir”, no meu entender, deve ser considerado nas avaliações de todos os nossos sentimentos, com atenção especial para os de “solidão”. Mas que não seja para encontrar respostas satisfatórias, porque, em nós, a “solidão” se manifesta por um subjetivo processo interior de “percepção” dos nossos estados de necessidades de completudes de todas as naturezas. Compondo, assim, um mosaico de variantes sensoriais que nos levam para o mesmo ponto de chegada do nosso “sentir” interior, chamado “SOLIDÃO”. Em “The Enchiridion”, também aprendi com Epiteto que não somos tocados apenas pelas coisas em si, pelos eventos do nosso viver, mas, e muito mais mesmo, pelos modos como tudo percebemos. Essa tem sido a sabedoria das minhas caminhadas de “autoconhecimento” quando, em muitas delas, procuro significados para as descobertas interiores do meu “sentir”.

– O QUE ACONTECE NOS NOSSOS ESTADOS INTERIORES DE “SOLIDÃO”?

Explica o psicólogo Marco Callegaro, que também é mestre em Neurociências e Comportamento, no seu artigo “O cérebro Solitário”, publicado na edição n. 111, Ano IX, da Revista PSIQUE, da Editora Escala:

– A solidão não é, apenas, a ausência de companhia; é uma percepção de isolamento que tem enormes implicações para a saúde, levando a depressão, dependência química ou transtornos alimentares. A percepção de que estamos conectados aos outros é algo vital para um ser humano, uma vez que, em nosso passado evolutivo, estar segregado do grupo significava menos acesso a fontes de alimento e a chances de acasalamento, e ainda levava a uma grande vulnerabilidade aos predadores.
Neurocientistas descobriram que a percepção de exclusão usa a mesma rede da dor física no cérebro. Ou seja, a solidão dói, literalmente. O importante neurotransmissor serotonina é reduzido quando a pessoa sente solidão, dificultando o controle de pensamentos, emoções e impulsos. Isso diminui as funções executivas e aumenta a dificuldade de inibir impulsos de prazer imediato, como comer em excesso, beber ou usar drogas.
Nosso cérebro social faz comparações e pode interpretar que se está isolado e em uma posição inferior na hierarquia social, mesmo que, de fato, a pessoa esteja muito bem posicionada.
O cérebro emocional e social não faz distinções finas e incorpora a percepção de isolamento, sem considerar que estamos vendo uma montagem de melhores momentos. Paradoxalmente, uma rede social pode contribuir para a solidão, ao induzir uma percepção exagerada da socialização dos outros e um sentimento de estar à parte da festa da vida.

Complemento com esta informação da psicóloga Luiza Elena L. Ribeiro do Valle, especialista em aprendizagem, reproduzida da sua abordagem “Boa memória em qualquer idade”, publicada na edição n. 112, Ano IX, da mesma revista acima:

– O cérebro é uma estrutura flexível, que se desenvolve conforme o nível de solicitação. Entretanto, a solicitação do ambiente encontra limites no próprio indivíduo, que atuará conforme seus interesses e/ou necessidades e possibilidades que estão dispostas ao seu redor. É preciso integrar informações e experiências para interferir na capacidade do sistema nervoso central de modificar algumas propriedades morfológicas e funcionais em respostas aos estímulos. Esse fenômeno define a plasticidade cerebral. É quando se aprende.

Muitas outras perguntas poderiam ser feitas neste nosso encontro. Principalmente agora, nesta pandemia, por causa dos efeitos psicológicos que podem ser em nós causados pelo necessário isolamento social e pelas restrições de permanências em determinados locais públicos. No passado, em setembro de 2019, muito antes desta triste e preocupante realidade que estamos vivenciando, a psicóloga Maria Amélia Penido já explicava em entrevista citada na mensagem anterior:

– Somos seres sociais e quanto mais isolados mais ativamos nosso sistema de autopreservação, olhando o mundo como mais ameaçador. Algumas habilidades são importantes para um comportamento social, como a empatia. Para ser empático preciso ter a capacidade de flexibilidade cognitiva, tomada de perspectiva, escuta sem julgamento. Nunca ser confrontado com informações diferentes das que já tenho pode potencializar uma inflexibilidade de pensamento e rigidez, tornando mais difícil me colocar no lugar de um outro que pensa e sente diferente de mim. Para conviver com outros preciso estar aberto e flexível. Logo, tudo que me deixa mais rígido e fechado acaba dificultando a conexão.

Sentir “solidão” é um sentimento. Não uma sensação. Ensina Daniela Benzecry, no seu belo livro “Sentimentos, valores e espiritualidade – Um caminho junguiano para o desenvolvimento espiritual, da Editora VOZES (resumido, com minhas palavras):

– Jung definiu as funções psicológicas, classificando-as como sendo irracionais e racionais. As irracionais (sensação e intuição), ocorrem diretamente na consciência sem passar pela reflexão. As racionais (pensamento e sentimento), demandam a reflexão. A função sensação é responsável por dizer para nós que “algo é”, que “algo existe”. A função sentimento determina o “valor de algo” para a pessoa, interpreta “se algo é bom ou não” para a pessoa.

Para esta mensagem, acrescento:

O “conhecimento consciente” dos nossos sentimentos (sejam de que natureza forem) é muito importante para as nossas práticas de “autoconhecimento”. No seu livro, esclarece a doutora Daniela (resumido, com minhas palavras):
1. Nós somos responsáveis pelos nossos sentimentos, porque dependem da nossa visão de mundo.
2. Os sentimentos podem e devem ser por nós analisados, principalmente porque dizem respeito de nós mesmos.
3. Eles são imagens de “vivências conscientes” do que se passa no interior da pessoa. Cada um de nós expressa do seu jeito, das formas mais diversas.

A importância do “conhecimento consciente” dos nossos sentimentos é manifesta principalmente para, se for o caso, por meio dos estímulos emocionais recebidos das nossas realidades (interiores e exteriores), serem favorecidas as desejadas buscas de significados para as nossas subjetivas percepções sensoriais de “solidão”. No seu livro “O mistério da consciência – do corpo e das emoções ao conhecimento de si”, lançado no Brasil pela Editora Companhia das Letras com tradução de Laura Teixeira Motta, em síntese conclusiva esclarece o neurocientista António Damásio (recomendo a leitura):

– EU SUMA, A CONSCIÊNCIA TEM DE ESTAR PRESENTE PARA QUE OS SENTIMENTOS INFLUENCIEM O INDIVÍDUO QUE OS TEM, ALÉM DO AQUI E AGORA IMEDIATO.

Espero você no nosso encontro, desejando que tenha gostado desta mensagem.

Notas:
1. A reprodução parcial ou total, através de qualquer forma, meio ou processo eletrônico, dependerá de prévia e expressa autorização do autor deste espaço virtual, com indicação dos créditos e link, para os efeitos da Lei 9610/98, que regulamenta os direitos de autor e conexos.
2. Havendo, neste espaço virtual, qualquer alegação que mereça ser melhor avaliada ou contrária aos interesses dos seus autores, mande a sua solicitação para edsonbsb@uol.com.br
Muita paz e harmonia espiritual.

Muita paz e harmonia espiritual.

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