(233) Sentindo, em nossas vidas, os sentimentos que tornam o cérebro saudável.

“A VIDA É SÓ UMA SEQUÊNCIA DE MOMENTOS. SE ENCADEARMOS ESSAS SEQUÊNCIAS, A VIDA MUDA”.
Em agosto de 2013 tomei conhecimento desta notícia, que resumo: – Orientados pelo professor Fabio Gagliardi Cozman, do Departamento de Engenharia Mecatrônica da Faculdade Politécnica (Poli) da USP, dois engenheiros especialistas da chamada Computação Afetiva (que estuda a representação da emoção humana em robôs), procuram desenvolver um algoritmo capaz de reconhecer a emoção de seres humanos em diferentes meios (vídeo, áudio e até redes sociais). O desafio reside no fato de que a frase “Eu sou um homem”, por exemplo, pode ter cento e quarenta significados diferentes, dependendo do contexto, momento e emoção com que for pronunciada. Segundo o professor Marcos Pereira Barretto, coordenador do Laboratório de Robôs Sociáveis, o objetivo é fazer parte da coalizão brasileira no esforço mundial em criar robôs capazes de compreender e agir de acordo, diferente da Siri, o assistente eletrônico da Apple para celulares e tablets, promovendo diálogos inteiros com as máquinas em vez de frases curtas e pontuadas (Fonte: Usp Online).
Passados exatamente cinco anos, não tenho informações sobre os resultados alcançados. Trata-se de mais uma iniciativa que comprova o surpreendente progresso tecnológico que estamos vivenciando em diversos ramos de pesquisas do conhecimento humano. Faço esse registro inicial porque, de acordo com a proposta desta jornada para o “autoconhecimento” (mensagem 001), nós temos condições de favorecer (em benefício próprio) o conhecimento da nossa “subjetividade interior” e, assim, melhor ressignificar o nosso “viver”. Exemplo a ser seguido, é o de Richard J. Davidson (autor da primeira frase desta mensagem). Amigo de Dalai Lama, Davidson é professor da Universidade de Winsconsin-Madison, PhD em neuropsicologia e pesquisador na área de neurociência afetiva, dedicando-se ao estudo dos sentimentos humanos, das bases neuronais da emoção, inclusive meditação e práticas contemplativas. Enriqueço esta mensagem, destacando da sua conhecida entrevista publicada originalmente no site do jornal espanhol La Vanguardia, em 27/03/2017, com as suas seguintes considerações sobre este seu entendimento – “A base de um cérebro saudável é a bondade, e nós podemos treinar a gentileza e a ternura em qualquer idade” (Tradução: Tibet House Brasil):

1. Sobre a nossa mente.
Davidson. Descobri que uma mente calma pode produzir bem-estar em qualquer tipo de situação. E quando me dediquei a investigar, por meio da neurociência, quais as bases para as emoções, fiquei surpreso por ver como as estruturas do cérebro podem mudar em tão somente duas horas.

2. Sobre a mudança da expressão dos genes.
Davidson. Levamos meditadores ao laboratório e, antes e depois da meditação, tiramos uma amostra de sangue deles para analisar a expressão dos genes. As mudanças são percebidas com precisão. Percebe-se como as zonas com inflamação ou tendência à inflamação tinham uma abrupta redução. Foram descobertas muito importantes para o tratamento da depressão.

3. Sobre empatia e compaixão.
Davidson. Há uma diferença substancial entre empatia e compaixão. A empatia é a capacidade de sentir o que sentem os demais. A compaixão é um estado superior. É ter o compromisso e as ferramentas para aliviar o sofrimento. Uma das coisas mais interessantes que tenho visto nos circuitos neurais da compaixão é que a área motora do cérebro é ativada: a compaixão capacita a pessoa a agir para aliviar o sofrimento do outro.

4. Sobre a ternura.
Davidson. Forma uma parte do circuito da compaixão. Uma das coisas mais importantes que descobri sobre a gentileza e a ternura é que se pode treiná-la em qualquer idade. Os estudos nos dizem que estimular a ternura em crianças e adolescentes melhora os resultados acadêmicos, o bem-estar emocional e a saúde deles.

5. Sobre como poderá ser feito esse treinamento.
Davidson. Primeiro, levando a mente deles até uma pessoa que eles amam. Depois, pedindo que revivam um momento em que essa pessoa estava sofrendo e que cultivem o desejo de livrar essa pessoa do sofrimento. Logo, ampliamos o foco para as pessoas não tão importantes e, por fim, para aquelas que os irritam. Estes exercícios reduzem substancialmente o bullying nas escolas.

6. Sobre o seu programa Healthy Minds (“Mentes Saudáveis”).
Davidson. Foi outro desafio que o Dalai Lama me deu. Temos elaborado uma plataforma mundial para disseminá-lo. O programa tem quatro pilares: a atenção; o cuidado e a conexão com os outros; o contentamento de ser uma pessoa saudável (fechar-se nos próprios sentimentos e pensamentos é uma das causas da depressão)… Por último, ter um propósito na vida, que é algo que está intrinsecamente relacionado ao bem-estar. Tenho visto que a base para um cérebro saudável é a bondade. Treinamos a bondade em um ambiente científico, algo que nunca tinha sido feito antes.

7. Sobre se a “mindfulness” (“atenção plena”), tornou-se um negócio.
Davidson. Cultivar a gentileza é muito mais efetivo do que centrar em si mesmo. São circuitos cerebrais distintos. A meditação em si não interessa para mim. O que me importa é como acessar os circuitos neurais para mudar o seu dia a dia, e sabemos como fazer isso.

Termino esta mensagem, refletindo sobre o “sentir” de Davidson que foi escolhido para iniciá-la:

– A VIDA É SÓ UMA SEQUÊNCIA DE MOMENTOS. SE ENCADEARMOS ESSAS SEQUÊNCIAS, A VIDA MUDA.

Convido você para fazer o mesmos, juntando-se nesta nossa jornada virtual para o “autoconhecimento”.

Notas:

1.A reprodução parcial ou total, através de qualquer forma, meio ou processo eletrônico, dependerá de prévia e expressa autorização do autor deste espaço virtual, com indicação dos créditos e link, para os efeitos da Lei 9610/98, que regulamenta os direitos de autor e conexos.
2.Havendo, neste espaço virtual, qualquer citação ou reprodução de vídeos que sejam contrários à vontade dos seus autores, serão imediatamente retiradas após o recebimento de solicitação feita em “comentários” no final de cada postagem, ou para edsonbsb@uol.com.br
3.Mensagem feita com base na matéria publicada na Edição n. 4, Ano II, da Revista “Por um mundo melhor”, publicação trimestral da Editora Palomitas, de Brasília, e sem fins lucrativos.

Muita paz e harmonia espiritual.

(232) Sentindo um mergulhar interior, na sua”Sensibilidade da Alma”.

‘UM VERDADEIRO ENCONTRO DE ALMAS”
Esse interior elo de interação humana, foi assim sugerido pelo psiquiatra e psicoterapeuta Carl Gustav Jung (1875-1961):

– QUANDO ESTIVERMOS DIANTE DO OUTRO SER HUMANO, DEVEMOS PROCURAR QUE OCORRA SOMENTE UM VERDADEIRO ENCONTRO DE ALMAS.

O mesmo desejo para você, nesta jornada para o “autoconhecimento”. Aqui, os encontros são diferentes, singulares, únicos, porque só nos pertencem. São encontros com a nossa “subjetividade”, com a nossa “essência espiritual” e, portanto, com a nossa “Sensibilidade da Alma” (mensagem 001). Como acredito, são eles que nos une a uma totalidade maior de espiritualidade, porque a consciência de todo ser humano é “transpessoal”. Foi essa transcendência que fortaleceu esta certeza de Jung, por ele assim transmitida de modo conclusivo (OC 14/II, § 442):

– QUE O MUNDO, TANTO POR FORA COMO POR DENTRO, É SUSTENTADO POR BASES TRANSCENDENTAIS, É ALGO TÃO CERTO QUANTO A NOSSA PRÓPRIA EXISTÊNCIA.

Aliás, acrescento, que talvez sejam esses nossos encontros individuais de “buscas interiores”, de “descobertas” significativas, que no estudo da etimologia das palavras podem ajudar entender o porquê “Psico”, que vem do grego “psyché”, significa “ALMA”.

Certo é que o ser humano, em sintonia de quietude interior, precisa se harmonizar com a essência espiritual da sua “Sensibilidade da Alma”. Precisa aprender a olhar para “dentro de si mesmo”. É com esse “olhar” que será possível “sentir” o esplendor transcendente da nossa “individualidade espiritual”. É com esse “olhar” que nós vamos poder contemplar a maravilha do fluir existencial pela nossa jornada de ser humano (mensagem 195).

Nem todas as “imagens sensórias” da nossa “ALMA” poderão ser interiormente projetadas para nós, porque muitas delas ainda pertencem a dimensões desconhecidas do nosso atual ciclo de evolução espiritual. A “alma humana”, assim como a nossa “mente”, pode ser comparada à imensidão de um “grande oceano”. Foi o que aprendi com esta bela idealização da psicóloga clínica e mestre em psicologia pela USP, Laura Carmilo Granado, publicada com o título “Eu sou normal?”, na primeira edição da Revista PSIQUE, lançada no Brasil pela Editora Escala [referindo-se a questionamentos de normalidade no estudo de doenças mentais]:

– Nenhum ser humano é igual ao outro. Cada mente tem a grandeza de um oceano e não é possível reduzir tal imensidão a um padrão com limites tão circunscritos como o de “normalidade”. (…) Quando, com muita calma e tranqüilidade colocamos um pé e depois o outro dentro do mar, aos poucos vemos que a força das ondas pode ser usada a nosso favor. Olhando de perto, o estranho se torna familiar. Quando olhamos nossa alma com veracidade, com disposição, os redemoinhos que pareciam mortíferos mostram-se como aspectos da grandiosidade humana.
Quando questionada sobre se a terapia torna as pessoas “normais”, respondo que o mar, em muitos momentos, pode se mostrar bravio, com redemoinhos e correntezas, mas suas riquezas e belezas não deixam de existir por isso.
Mesmo na tempestade, não é preciso sair de um oceano para enxergar sua beleza. Basta vê-lo de outro ponto, dar um mergulho mais fundo e vê-lo por inteiro, como o faz a terapia em nossas almas. A braveza do mar é apenas um movimento que ele apresenta em um dado momento. Todos os elementos de um oceano – braveza, redemoinhos, correntezas, calmaria, riquezas, belezas – servem, então, para torná-lo pleno e imenso.

Em seguida conclui:

– O ser humano, em determinado momento da vida, manifesta-se em tristeza, sofrimento, dúvida, confusão e dor, tais como os redemoinhos estão para o mar. Isso é “anormal”? Respondo que não, que esses são apenas alguns movimentos possíveis. O mergulhar na própria alma mostra que todas as riquezas, os tesouros e brilhos continuam lá, independente do movimento atual. O psicoterapeuta é uma corda que se tem à mão e que nos assegura a possibilidade de ir fundo, ver tudo o que há, emergir e enxergar-se pleno.

Termino, com este meu pedido:

– NOS SEUS ENCONTROS DE BUSCAS DE “AUTOCONHECIMENTO”, MERGULHE NA IMENSIDÃO DA ESSÊNCIA ESPIRITUAL DA SUA “SENSIBILIDADE DA ALMA”.

Notas:

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Muita paz e harmonia espiritual.

(231) Sentido a percepção interior das nossas realidades, como fonte de “autoconhecimento”.

“TEM HORAS ANTIGAS QUE FICARAM MUITO MAIS PERTO DA GENTE DO QUE OUTRAS, DE RECENTE DATA. O SENHOR MESMO SABE.”
Gosto desse belo fraseado de brincar com as palavras, do poeta Guimarães Rosa. A passagem ilusória do tempo, em nossas vidas, perpetua lembranças marcantes das nossas “realidades existenciais”. Assim, também acontece com todas as vivências de “interações sensórias” (sejam elas por nós escolhidas, ou não). Para o pensador Kierkegaard (1813-1855), considerado o pai da “filosofia da existência”, somos nós que escolhemos o tipo de vida que desejamos (não há, portanto, imposições). Ele concebeu três dimensões para o nosso viver: a estética, a ética e a religiosa (esta última, considerada a mais elevada da existência humana). Como somos seres com “essência existencial” de origem transcendente, entendo que através das conhecidas práticas de “autoconhecimento” favorecemos o despertar interior do nosso “buddhi” (“intuição espiritual”, em sânscrito).

Que sensação gostosa eu sinto quando leio estas manifestações da “Sensibilidade da Alma” do filósofo e teósofo Barry Bowden, contidas no seu artigo “O Caminho do autoconhecimento”, publicado na edição n. 60, Ano 14, da Revista SOPHIA, Mar/Abr 2016, lançada no Brasil pela Editora Teosófica:

– A beleza da senda interna é uma maravilha que, quando vivenciada, parece iluminar a mente. Começamos a compreender que todas as expressões da vida, desencadeadas por eventos externos, na verdade estão dentro de nós, e transcendemos uma das grandes ilusões do ser humano. (…) Logo que começamos a observar os sentimentos, passamos a ver que sempre há uma ligação com o pensamento, em todas as coisas que fazemos. Uma vez notados, os sentimentos podem também ser observados sem apego, como um pássaro que passa voando.

Nesta jornada para o “autoconhecimento”, iniciei a quarta parte da série anterior de mensagens citanto este “sentir” do filósofo alemão Arthur Schopenhauer – “O MUNDO É REPRESENTAÇÃO”. Nele, os significados de tudo que existe, se mostram para nós modelados pelas matizes das percepções do nosso “sentir interior”, elaborados pelos processos cognitivos de “interpretação”. Esclarece a Psicóloga Lilian Graziano, no seu interessante artigo sobre o nosso “Poder do Foco”, publicado na edição 99, Ano VIII, da Revista PSIQUE, lançada no Brasil pela Editora Escala:

– A Psicologia Cognitiva (e antes dela o próprio budismo) sempre soube que o ser humano não se comporta em relação à realidade objetiva, mas, sim, em relação à sua percepção acerca dessa realidade. Isso significa que o foco para o qual direcionamos nossa atenção se torna a nossa própria realidade.

Enriqueço o enfoque inicial desta mensagem, com as seguintes considerações do psicólogo, pedagogo e filósofo José Mauricio de Carvalho, selecionadas do comentário do seu livro “O homem e a Filosofia, pequenas meditações sobre a existência e a cultura, cuja terceira edição revisada e atualizada se encontra no prelo (matéria de capa da edição 139, Ano X, da Revista Filosofia, também lançada no Brasil pela conceituada Editora Escala, com esta chamada: “VIDAS que importam – Como a Filosofia pode dar significado à existência, revelando quem somos e no nosso lugar no mundo”):

1. Somos seres relacionais, estando em constante conexão com diversos aspectos da existência, dentre eles, a cultura. Viver torna-se parte de um projeto, com riscos em que fazem parte o incerto e o inesperado.
2. Para falar de realidade é preciso que o percebido pela sensibilidade chegue à consciência. Não basta experimentar sem entender o que sentimos.
3. Existência descreve algo, ou melhor, diz que algo tem realidade. (…) A questão da existência, já o dissemos, relaciona-se com a realidade, e realidade é problema que há séculos desperta a curiosidade humana. E o que é realidade? O termo foi entendido de muitos modos na história. Podemos dizer que a realidade é o que se experimenta pelos sentidos, em contraposição ao que pensamos. É algo que toca a sensibilidade em contraposição ao raciocínio. Porém, para falar de realidade é preciso que o percebido pela sensibilidade chegue à consciência e ali seja examinado, porque não basta experimentar sem entender ou referenciar o que sentimos.
4. A Filosofia contemporânea considerou a existência como categoria para descrever o ser do homem: ele, como existente, não se separa do mundo.

Termino, com este “sentir” de Spinoza, grande pensador do século XVII:

– A fonte de tudo é a mesma, infinita e eterna. E nós somos manifestações dessa fonte, em constante movimento de interação.

Complemento:

– NESTA DIMENSÃO DE NECESSIDADES DE EVOLUÇÃO ESPIRITUAL, O SIGNIFICADO EXISTENCIAL DAS NOSSAS REALIDADES É FONTE PRECIOSA E INDIVIDUAL DE “AUTOCONHECIMENTO”.

Notas:

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Muita paz e harmonia espiritual.

(230) Sentindo o espelhar interior das imagens sensórias do deficiente visual (Parte Final).

“NÓS NÃO VEMOS O QUE VEMOS, NÓS VEMOS O QUE SOMOS. SÓ VEEM AS BELEZAS DO MUNDO, AQUELES QUE TÊM BELEZAS DENTRO DE SI” (Rubem Alves).
As imagens do nosso “mundo interior”, nem sempre são por nós conhecidas ou definidas pelas “impressões sensórias” que nos causam. É diferente do que acontece com as “imagens sensitivas” dos nossos “sentimentos, que podem ser por nós avaliadas quando conhecemos a natureza perceptiva das nossas experiências vivenciais. Por sua vez, as imagens recebidas do nosso “mundo exterior” são elaboradas pelos conceitos cerebrais subjetivamente emergentes do nosso modo de “sentir”. É por esta razão que para muitos, a realidade não existe fora da mente. Muitas delas são criações imaginárias. Aliás, sobre essa nossa capacidade de “imaginar” a realidade, esclarece Suzanne Langer nos seus “Ensaios Filosóficos”: “Embora a imaginação constitua nosso mundo, isso não quer dizer que o mundo seja uma fantasia e nossa vida um sonho. O que significa que o mundo é maior que os estímulos que o cercam.”

Gosto deste “sentir” do escritor Mia Couto, nascido na Beira, em Moçambique, mostrado no conto “O Cego Estrelinho”, do seu livro “Estórias Abensonhadas”, lançado no Brasil pela Editora Companhia das Letras, que recomendo a leitura para todos os deficientes visuais:

– PARA VIVERMOS O ENCANTO DA VIDA, PRECISAMOS REAPRENDER A USAR A IMAGINAÇÃO.

Entendo que para melhor entender a percepção interior das “imagens sensoriais” criadas pelos deficientes visuais (principalmente, pelos de nascença), merece atenção esta descoberta sobre “neuroplasticidade”: o nosso cérebro não consegue diferenciar a “realidade”, da “imaginação”. Esclarece o neurocientista Joe Dispenza:

– O cérebro, longe de ser estático e imutável, está em constante transformação e comporta-se como poderoso instrumento de criação da realidade, mesmo imaginada. (…) as células cerebrais são constantemente remodeladas e reorganizadas por experiências e pensamentos.

Ora, se por meio dessa comprovada “plasticidade cerebral” ocorrem reorganizações neuronais que decorrem das nossas experiências e pensamentos, sugiro que todos os familiares e pessoas que convivem com deficientes visuais, sempre que possível, procurem evitar sucessivas interações meramente repetitivas. É importante, na nossa comunicação com eles, despertar novos estímulos (interiores e exteriores) de “interesse” e de “curiosidade”. Viabiliza-se, assim, o surgimento interior de uma valiosa “percepção imaginárias” das suas realidades ainda desconhecidas. Explico: essas “percepções
imaginárias”representam o sentir interior de uma “sensação” vinda da sua ambientação existencial, de “algo que existe” e ainda é desconhecido do deficiente visual de nascença. Com clareza, esclarece a doutora Daniela Benzecry, no seu livro “Sentimento, valores e espiritualidade”, lançado no Brasil pela Editora VOZES:

– Quando toco num objeto, por exemplo, sinto pelo tato imediatamente que ele é áspero; se há um barulho, percebo-o pela audição; se há um odor perfumado, o olfato permite que eu o sinta, assim por diante; os órgãos dos sentidos informam que algo é. A sensação apenas diz que algo é, que existe, e para isso a reflexão não é necessária. A sensação não define o que é, não denomina a superfície de áspera, nem denomina o barulho assim, nem o odor de perfumado, isso é feito pela função pensamento passando pela reflexão.

Destaco da excelente matéria sobre Neurofisiologia, publicada na edição 46, Ano IV, da Revista PSIQUE, assinada pela jornalista Sucena Shkrada Resk com o título “Uma leitura das Imagens Interiores”, o seguinte:

1. Processo cognitivo permite às pessoas com baixa visão encontrar na fotografia um caminho para resgatar valores e transmitir para o mundo a possibilidade de enxergar além do consciente.
2. Toda imagem visual é projetiva, pois se trata de energia neuroelétrica e ganha forma pela modulação emocional e intelectual. Por isso o deficiente visual tem capacidade de interpretar uma imagem, uma vez que ele despeja emoção para interpretá-la.
3. A neurofisiologia explica que os cegos têm a capacidade de enxergar mentalmente, em situações imaginativas, assim como as pessoas de membro amputado que, por vezes, registram sentir os membros fantasmas.
4. A fotografia pode ajudar na descoberta da autoestima do deficiente visual. Desta forma, ele se sente mais encorajado a sair, ter maiores relações sociais e enfrentar situações que antes traziam dor, como caminhar nas ruas.

Essa bela e esclarecedora abordagem da jornalista Sucena, foi enriquecida pela colaboração de dois fotógrafos deficientes, com baixa visão adquirida na fase adulta: João Batista Maia da Silva, piauiense, e Marco Aurélio Pereira Oton, de São Paulo. Segundo eles, “a fotografia representa, para nós, um grito pela acessibilidade. É uma forma de mostrar aos videntes (pessoas que enxergam), que o nosso mundo não é restrito à escuridão. A gente vive, namora, estuda e está presente na sociedade.” Por sua vez, esclarece o biólogo e doutor em Neurofisiologia da Memória e Atenção, André Frazão Helene:

– De uma pessoa com baixa visão, dependendo da origem e de quando houve a perda ou redução, podemos esperar padrões de visão mental bem diferentes. A capacidade de imaginar é resultado da atividade das áreas visuais do cérebro. Isso quer dizer que, em casos em que a cegueira foi causada por uma lesão das áreas cerebrais dedicadas à visão, seria esperada a redução da capacidade de imaginar imagens. No entanto, a maioria dos casos de perda da visão envolve problemas que não estão no cérebro da pessoa, mas sim em seus olhos. (…) O cérebro por não receber estímulos do olho, parece estar cego também, mas pode enxergar, em situações imaginativas.

Termino esta série de mensagens, com este entendimento do neurocientista António Damásio, publicado no seu livro “O mistério da consciência do corpo e das emoções ao conhecimento de si”, lançado no Brasil pela Editora Companhia Das Letras, com tradução de Laura Teixeira Motta e Revisão Técnica de Luiz Henrique Martins Castro:

– A palavra imagem não se refere apenas a imagem “visual”, e também não há nada de estático nas imagens. A palavra também se refere a imagens sonoras, como as causadas pela música e pelo vento, e às imagens somatossensitivas [para Damásio, são as que incluem várias formas de percepção: tato, temperatura, dor, e muscular, visceral e vestibular]. Em seguida, sobre como são construídas as imagens, esclarece Damásio de modo conclusivo:

– As imagens podem ser conscientes ou inconscientes. Cabe notar, que nem todas as imagens que o cérebro constrói se tornam conscientes.

Notas:

1.A reprodução parcial ou total, através de qualquer forma, meio ou processo eletrônico, dependerá de prévia e expressa autorização do autor deste espaço virtual, com indicação dos créditos e link, para os efeitos da Lei 9610/98, que regulamenta os direitos de autor e conexos.
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Muita paz e harmonia espiritual.

(229) Sentindo o espelhar interior das imagens sensórias do deficiente visual (Parte VI).

“O QUE NOS ENSINA UM IOGUE DEFICIENTE VISUAL?”
Em relação ao seu aprendizado exterior, explica o professor de Yoga Luiz Albertini, em matéria publicada na edição de junho de 2009, com o título “Escuridão iluminada”, da Revista “Go Outside”, lançada no Brasil pela Editora Rocky Mountain:

– A ioga ajuda a despertar o equilíbrio verdadeiro: o equilíbrio interior. As pessoas que enxergam têm a tendência de se agarrarem a algum objeto quando vão cair ou precisam de apoio, sempre com a ajuda dos olhos. E quando este indivíduo é cego? Como sobreviver sem tais referências? Além de outros benefícios também acessíveis aos que veem, a ioga ajuda os deficientes visuais a se adaptar a sua nova realidade, criando novas referências que lhe outorguem autonomia. Percebi que a questão da percepção do próprio corpo é o mais importante para esses alunos. Um exemplo: o deficiente está caminhando quando de repente esbarra em algum objeto e cai. A ioga desenvolve a coordenação motora, a psicomotora e a percepção de si próprio para que, quando isto aconteça, ele consiga retomar mais rápido o equilíbrio. O indivíduo vai ter um andar mais definido, objetivo e seguro.

a) Sobre os exercícios de percepções, usados nas suas aulas.
Albertini. O “emocional” e o “vibracional” são aplicados para o deficiente visual sentir as cores quentes e frias, por meio das mãos. O “corporal”, para se conscientizar das partes do seu corpo. O “mental”, para ajudar na memorização. O “telepático e espiritual”, são aplicados para o deficiente visual aprender evitar pensamentos ruins. Se somos capazes de expandir as percepções além dos cinco sentidos, é porque elas possuem outras funções úteis ao nosso ser para o caminho da espiritualidade.

b) Sobre uma aluna com pouca visão, que começou a participar das suas aulas sabendo que ficaria cega por causa da diabete:
Albertini. Primeiro ela aprendeu a dominar a respiração e, consequentemente, a se sentir mais calma para entender e questionar o que estava acontecendo. Depois, o trabalho de percepção do corpo a ajudou a se adaptar mais rápido ao processo de andar com a bengala.

c) Sobre as suas aulas de concentração.
Albertini. Outra característica desenvolvida por meio da ioga – fundamental a todos em tempos de excesso de informação, porém essencial aos deficientes visuais – é a concentração, principalmente nos sons à sua volta. Por isto, em uma aula para quem não vê – eu a fiz, mas de olhos abertos na maior parte do tempo, por causa da minha incapacidade de tê-los fechados – os alunos necessitam de um senso auditivo mais aguçado para entender o que o professor solicita. Os que perderam a visão mais recentemente geralmente têm pouca concentração. Com o tempo, eles aprendem a ouvir mais e a interpretar melhor.

d) Sobre se existe alguma restrição quanto às posturas, em uma aula a que se refere o seu esclarecimento anterior.
Albertini. É necessário entender que a ioga é um termo genérico para uma fórmula espiritual oriental, adaptável a todos os sujeitos, e que pode ser executada a qualquer momento, independente das limitações físicas. A ioga tem a função de purificar o indivíduo, aproximando-o das virtudes internas adormecidas, que todos temos dentro de nós. Por isto, pouco importa se a pessoa consegue se contorcer de forma perfeita ou não – no caso de uma aula com cegos, o colega do lado está se lixando se você faz a postura de forma certa ou errada. Isso torna a aula mais introspectiva, como a atividade requer. E a evolução vem de uma forma progressiva, sem o tempero da competição. O que vale é se a pessoa está concentrada em sua respiração e em si de uma forma geral. Se sim, ela está praticando ioga.

Abordagem da próxima mensagem: “o mundo interior do deficiente visual”.

Notas:

1.A reprodução parcial ou total, através de qualquer forma, meio ou processo eletrônico, dependerá de prévia e expressa autorização do autor deste espaço virtual, com indicação dos créditos e link, para os efeitos da Lei 9610/98, que regulamenta os direitos de autor e conexos.
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3.A reprodução fiel do sentido da literalidade de algumas explicações do Professor Luiz Albertini, foram reproduzidas da melhor forma possível e de acordo com as condições expositivas deste espaço virtual.
4.Endereço do Professor Luiz Albertini, no Estado de São Paulo: HATHA YOGA Studio, Al. Santos, 2516, CEP. 01418-200, Contato: (11) 30620831.

Muita paz e harmonia espiritual.

(228) Sentindo o espelhar interior das imagens sensórias do deficiente visual (Parte V).

“A IMAGINAÇÃO É A VISÃO DA ALMA”
Foram as palavras do escritor francês Joseph Joubert, sobre a visão vinda do nosso “sentir interior”.

Terminei a mensagem anterior, com esta pergunta: “Como o deficiente visual de nascença interpreta as suas “imagens sensórias”, recebidas de uma “percepção interior”, por ele ainda não conhecida?” Respondo: Uma importante descoberta das neurociências, é a comprovação de que os nossos processos cognitivos e emocionais estão vinculados à áreas distintas e específicas do cérebro. É o caso da redução ou perda total da visão, superada por uma aguçada compensação sensória de outro(s) sentido(s). Aliás, referindo-se ao enriquecimento interior alcançado pela meditação, esclarece o monge budista Matthieu Ricard no seu livro “Cérebro e Meditação”, em coautoria com o neurobiologista Wolf Singer, lançado no Brasil pela Editora ALAÚDE, com tradução de Fernando Santos:

– O objetivo do esforço da meditação é desenvolver um enriquecimento interior, não uma aptidão física. Sei que o desenvolvimento das funções do cérebro decorre da exposição ao mundo exterior. Nos indivíduos que nascem cegos, as áreas cerebrais ligadas à visão não irão se desenvolver, sendo “colonizadas pelas funções auditivas, que são extremamente úteis para eles. (…) Nessas circunstâncias, o enriquecimento exterior é quase nulo, mas o enriquecimento interior é máximo.

Certo é que o cérebro se adapta às nossas necessidades de interações sensitivas e ambientais. Em recente entrevista publicada na Edição 147 da Revista PSIQUE, lançada no Brasil pela Editora Escala, esclarece o professor de neurociência Vasco Manuel Martins do Amaral:

– O cérebro mantém suas áreas em prontidão e apoio entre si, interagindo pelas necessidades ou solicitações externas ou internas. As principais envolvem os sentidos, os sentimentos, a cognição e a formação da mente do sujeito, levando-se em consideração os neurotransmissores envolvidos no estado de vigília e os sistemas de consciência, ou seja, dependendo da solicitação, áreas mais baixas, como o bulbo e a ponte, sistema límbico e funções especializadas no neocórtex se intercalam ou se conjugam. Quanto ao que se refere à consciência e à mente, nos seres humanos, podemos afirmar que o cérebro aprende em áreas diferentes com os estímulos do ambiente, que aspectos culturais e bases genéticas podem potencializar ou restringir habilidades.

Complemento com estas interessantes informações da doutora Daniela Benzecry, médica clínica, homeopata e analista junguiana, contida no seu livro “Sentimento, valores e espiritualidade”, lançado no Brasil pela Editora VOZES:

– A função sensação é a função responsável por dizer o que algo é, ela “proporciona a percepção de um estímulo físico” (JUNG, OC, vol 6, § 889) e relaciona-se, segundo Jung, tanto aos estímulos externos, passando pelos órgãos dos sentidos (da visão, do olfato, do tato, do paladar, da audição), quanto aos estímulos internos que vêm do corpo e de seus órgãos. (…) A função pensamento é a função responsável por interpretar o que é percebido, ou seja, “exprime o que uma coisa é, dá-lhe nome e conceitua-a, pois pensar é perceber e julgar” (JUNG, OC, vol. 18/1, § 22); o pensamento ordena os conteúdos da consciência em forma de conceitos.

Antecipo que na próxima mensagem desta série, será mostrado o que podemos aprender com os deficientes visuais que praticam Yoga (técnica contemplativa de “autoconhecimento”).

Notas:

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Muita paz e harmonia espiritual.

(227) Sentindo o espelhar interior das imagens sensórias do deficiente visual (Parte IV).

“O MUNDO É REPRESENTAÇÃO”
Assim foi definido pelo filósofo alemão Arthur Schopenhauer, como se apresentam as nossas “realidades exteriores”, sujeitas à elaboração de significados que individualmente podemos atribuir com as vivências das nossas experiências de interações.

Explica o Psicólogo e Mestre em Filosofia pela PUC-Campinas, Arlindo Ferreira Jr., na sua abordagem sobre “Fotografia e realidade”, publicada na edição 87, Ano VII, de outubro de 2013, da Revista Filosofia, na época lançada pela EBR- Empresa Brasil de Revistas:

– A representação está associada ao que Jean-Paul Sartre (1905-1980) concebe como o “para si” da consciência. É o processo cognitivo de interpretar as imagens impressas na nossa mente, atribuindo-lhes sentido e compreendendo-as a partir da nossa perspectiva valorativa e simbólica.

Sob outro enfoque, esclarece Deepack Chopra no seu livro “A Cura Quântica”, lançado no Brasil pela Editora BestSeller, com tradução de Evelyn Kay Massaro e Marcília Britto:

– O pensamento é o espelho do mundo, nada menos do que isso. Pensar é formar dentro de nós padrões tão complexos, rápidos e de uma riqueza tão variada quanto a própria realidade. Todos possuímos o poder de criar realidade.

Também merece atenção este entendimento do neurobiologista Wolf Singer, manifestado no seu livro “Cérebro e Meditação”, em coautoria com o monge budista Matthieu Ricard, lançado no Brasil pela Editora Alaúde, com tradução de Fernando Santos:

– Na verdade, sustento que perceber equivale sempre a interpretar e, portanto, a atribuir características a sinais sensoriais. As percepções, portanto, são sempre construções mentais.

Gosto desta análise da doutora Daniela Benzecry, médica clínica, homeopata e analista junguiana, feita no seu belo livro “Sentimentos, valores e espiritualidade”, lançado no Brasil pela Editora VOZES:

– É a visão de mundo que determina como alguém vê o mundo; ela orienta a vida da pessoa e, assim, as suas escolhas. A visão de mundo não é simplesmente como um indivíduo pensa o mundo ou acha que pensa o mundo, embora ela interfira nos conceitos e julgamentos que a pessoa faça (pensamento). (…) A visão de mundo relaciona-se mais ao direcionamento do ponto de vista do indivíduo, ou melhor, se o ponto de vista é de onde parte o olhar, a visão de mundo seria para aonde vai esse olhar, para onde se está olhando: Em qual direção e sentido? Portanto, a visão de mundo indica o sentido da vida da pessoa, em função do que ela vive.

Considerando que os resultados advindos das nossas “percepções sensórias” podem estar subjetivamente associados a “conceitos cognitivos” ensejados por construções mentais de antigas experiências, pergunto:

– COMO O DEFICIENTE VISUAL DE NASCENÇA INTERPRETA AS SUAS “IMAGENS SENSÓRIAS”, RECEBIDAS DE UMA “PERCEPÇÃO INTERIOR”, POR ELE AINDA NÃO CONHECIDA?

Antecipo que este será um dos temas da próxima mensagem desta série. Conto com você.

Notas:

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Muita paz e harmonia espiritual.

(226) Sentindo o espelhar interior das imagens sensórias dos deficientes visuais (Parte III).

Para Amit Goswami, Professor de Física da Universidade de Oregon, a consciência é a base de todo ser humano. Ela cria o que nós vemos como manifesto no universo (mensagem 214). Por sua vez, esclarece a doutora Susan Greenfield, pesquisadora da Universidade de Oxford, na Edição 368 da Revista Superinteressante, lançada no Brasil pela Editora Abril:

– A consciência não é um lampejo, mas um contínuo de conexões dos seus neurônios, que vão ocorrendo do momento em que você nasce até o fim da sua vida. A cada nova experiência, seu cérebro faz uma representação mental que é armazenada em sua memória. Quanto mais o mundo passa a ter significado para você, mais conexões são feitas em seu cérebro.”

Gosto deste “sentir” do monge budista Matthieu, mostrado no seu livro “Cérebro e Meditação”, lançado no Brasil pela Editora ALAÚDE, com tradução de Fernando Santos, que recomendo para todos que se interessam pela filosofia de vida oriental:

– Ela [a consciência] se baseia no raciocínio e na experiência introspectiva. Se considerarmos os pensamentos, as emoções e as sensações, assim como todos os outros eventos mentais, constataremos que todos eles têm um denominador comum: a capacidade de conhecer. De acordo com o budismo, essa capacidade fundamental da consciência é chamada de natureza fundamental da mente. Essa natureza é “luminosa”, no sentido de que ela permite conhecer o mundo exterior por intermédio das nossas percepções e de que ela ilumina nosso mundo interior por meio de nossas sensações, pensamentos, lembranças, previsões e consciência do momento presente. Ela é luminosa em comparação a um objeto inanimado, que é opaco, isto é, privado de qualquer capacidade cognitiva. (…) A mente pode estar consciente de si mesma sem precisar recorrer a outra mente para exercer essa função. Um dos aspectos da mente, na verdade seu aspecto mais fundamental – a consciência pura -, consiste em estar consciente de si mesma, sem que seja necessária a interferência de outro observador. (…) Os pensamentos são a manifestação da presença pura desperta, como as ondas que se elevam do oceano e se dissolvem novamente. O oceano e as ondas não são duas coisas fundamentalmente distintas.

Em síntese:

– A CONSCIÊNCIA DO DEFICIENTE VISUAL É “PURA” E “ILUMINADA”.

Complemento, com este poema do místico Angelus Silesius, citado por Rubem Alves na sua crônica “Memória da Infância”:

– TEMOS DOIS OLHOS. COM UM, NÓS VEMOS AS COISAS DO TEMPO, EFÊMERAS, QUE DESAPARECEM. COM O OUTRO, NÓS VEMOS AS COISAS DA ALMA, ETERNAS, QUE PERMANECEM.

Em seguida, comenta Rubem Alves:

– Na memória do primeiro olho estão guardadas coisas que realmente aconteceram. Mas as memórias do segundo olho são diferentes. E isso porque elas moram na alma. E a alma é uma artista. Artistas não aceitam a realidade. Essas reflexões me vieram no meu esforço de recuperar o meu tempo perdido. Talvez seja esse o jeito de se escrever sobre a alma em cuja memória se encontram as coisas eternas, que permanecem…

Estou convencido (e sempre acreditei) que “visão sensitiva” do deficiente visual é a da “ALMA”. Uma “luz interior” que envolve todas as suas “representações sensoriais”, definindo-as pelas “imagens cognitivas” dos seus imaginários. É assim que são construídas as suas realidades, existencial e espiritual.

É através dos órgãos dos sentidos que todos nós “entendemos” e “vivenciamos” as nossas realidades, que são interpretadas pelo cérebro mediante conectividades neuronais. Surgem, assim, o mosaico da percepção interior das nossas “sensações”. O esplendor de uma “totalidade sensória”, individualizada por nós e para nós, percebida de acordo com os nossos conceitos cerebrais de elaboração cognitiva.

Termino, com esta explicação do médico neurologista e conceituado neurocientista português, António Damásio, selecionado do seu livro “O mistério da consciência: do corpo e das emoções ao conhecimento de si”, lançado no Brasil pela Editora Companhia das letras, com tradução de Laura Teixeira Motta:

– As imagens também permitem inventar novas ações a serem aplicadas a situações inéditas e fazer planos para ações futuras – a capacidade de transformar e combinar imagens de ações e cenários é fonte da criação. (…) A consciência permite saber que as imagens existem dentro do indivíduo que as forma, situa as imagens na perspectiva do organismo, relacionando-as a uma representação integrada do organismo, e, com isso, permite a manipulação das imagens em favor dele. No processo de evolução, ela anuncia o despontar da antevisão no indivíduo.

Notas:

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Muita paz e harmonia espiritual.

(225) Sentindo o espelhar interior das imagens sensórias dos deficientes visuais (Parte II).

“MEU SONHO É TOCAR A LINHA DO HORIZONTE”
Esta “bela” e “expressiva” manifestação de “Sensibilidade da Alma”, é do imaginário de Lara Mara, uma deficiente visual de nascença. Vinda do seu “sentir” a escuridão exterior (mas certamente iluminada por suas subjetivas e interiores “matizes sensórias” de espiritualidade), foi um dos destaques da Mostra de Arte de Ricardo Barcellos, realizada em São Paulo, no mês de dezembro de 2015, e por ele idealizada com base em entrevistas com cegos congênitos. Ele explica: “O trabalho é uma investigação sobre como pessoas que nunca enxergaram constroem um mundo sem exposição de imagens.”

Para você que está iniciando a leitura desta mensagem, antecipo o meu convencimento de que para se entender a “subjetividade humana”, devemos aprender muito com os deficientes visuais. Eles sabem reconstruir, por meio das suas sensibilidades, a linguagem dos significados das suas “imagens cognitivas”, das suas “experiências”, dos seus “sentimentos” e “emoções”.

Se este é o nosso primeiro encontro nesta jornada para o “autoconhecimento”, peço que você também leia a proposta de criação deste espaço virtual (mensagem 001). Dela, destaco apenas este meu propósito:

– Com você quero, em sintonia de harmonização com os nossos “estados de alma”, “sentir” a manifestação sensória da subjetividade das nossas “realidades interiores”. Quero favorecer o “autoconhecimento” e, assim, poder melhor “sentir” a nossa a “Sensibilidade da Alma”.

Nesta oportunidade, merecem atenção as seguintes considerações:

1. Cada pessoa é única. Todos nós temos definida a nossa singularidade existencial, em todos os sentidos. Somos nós que construímos e elaboramos os significados cognitivos das representações das nossas “realidades”, sempre de acordo com o modo de vivenciar as nossas experiências. É assim que mostramos a nossa identidade existencial de “Ser Pessoa”, ou a de “Tornar-se Pessoa” de acordo com a contribuição humanista de Carl Rogers através da sua Abordagem Centrada na Pessoa (processo terapêutico que facilita o indivíduo crescer e se modificar, de acordo com a concepção que faz de si mesmo).

2. Como sustentei na primeira mensagem desta série, todas as práticas de “autoconhecimento” são possibilidades de “expansão de consciência”. Sendo assim, em relação ao fluir das nossas inteirações existenciais com o “mundo exterior”, devemos exercitar um permanente e natural estado sensório de “expansão de percepção”. Aliás, talvez tenha sido por isso que o filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860) defendia que “o mundo é representação” (entenda-se como tudo se mostra para a nossa “consciência”).

Gosto desta explicação do médico Gilberto Katayana, também especialista em terapia regressiva e com formação em Psicologia Transpessoal, publicada na edição 112, Ano IX, da Revista PSIQUE, lançada no Brasil pela Editora Escala:

– Poucas pessoas estão conscientes de que experimentamos a vida (o mundo exterior) a partir do nosso mundo interior. A maioria acredita que a forma como percebe o mundo exterior é a única realidade. Assim, acredita que a qualidade de vida depende das mudanças que ocorrerem no mundo exterior e passam uma vida tentando mudar o mundo. Mal sabem que o segredo do sucesso e da felicidade está no despertar consciente para sua realidade interna, para a autoconsciência. A consciência de quem verdadeiramente somos nos proporciona o pleno exercício do poder da escolha: do que queremos, com quem queremos conviver, onde queremos estar e, principalmente, o que queremos fazer, visando o nosso bem-estar e o bem-estar dos outros.

Em seguida, adverte:

– Uma das funções do sistema cérebro/mente é processar adequadamente, atribuindo significados e manifestando comportamentos socialmente aceitos às informações provenientes do meio externo, enviadas pelos órgãos do sentido. Quando isso não acontece, temos as disfunções psíquicas que podem ser de fundo psicopatológico.

De todas as mensagens desta nossa jornada para o “autoconhecimento” (mais de duzentas), foi esta que mais me envolveu por um forte “sentir interior” de “emoção”. Ainda não sei explicar. Penso que também seja, com a criação deste espaço virtual, ensejado por um incansável desejo de querer ajudar meus seguidores descobrir as suas potencialidades de interiorização e, principalmente, as nossas necessidades de “elevação espiritual”.

Notas:

1.A reprodução parcial ou total, através de qualquer forma, meio ou processo eletrônico, dependerá de prévia e expressa autorização do autor deste espaço virtual, com indicação dos créditos e link, para os efeitos da Lei 9610/98, que regulamenta os direitos de autor e conexos.
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Muita paz e harmonia espiritual.

(224) Sentindo o espelhar interior das imagens sensoriais dos deficientes visuais (Parte I).

É muito conhecida a parábola dos cegos e um elefante. Cada um deles toca uma parte diferente do animal, definem os significados das suas interpretações sensórias, comparam entre si, procuram imaginar e descrever uma totalidade representativa do conjunto das suas avaliações. Finalmente, descobrem que não existe concordância sobre o que realmente seja, para eles, um elefante.

ESCLARECIMENTO PRELIMINAR NECESSÁRIO:
Com esta série de mensagens, sempre ressalvando que não sou da área de saúde, envolvido por sentimento humanista de ajuda, desejo apenas mostrar o meu antigo interesse pela compreensão das percepções sensórias das “imagens cognitivas” dos deficientes visuais, principalmente dos de nascença, sob o enfoque da proposta de criação deste espaço virtual (mensagem 001). Algumas partes desta série de mensagens serão enriquecidas com citações do “sentir” de deficientes visuais.

Nesta nossa jornada para o “autoconhecimento”, iniciei a mensagem 195 esclarecendo que a principal finalidade deste espaço virtual é lhe proporcionar condições que favoreçam a “percepção” de uma subjetiva descoberta da sua interiorização “existencial” e “espiritual”.
Entendendo que todas as práticas de “autoconhecimento” são possibilidades de “expansão de consciência”, por dimensões sensórias da nossa “realidade interior”. Gosto de significar esse silencioso encontro, como sendo um “estado sensório” de plenitude de integração com a essência espiritual do nosso “eu interior (o “Atman”, em sânscrito). Essa minha convicção foi assim explicada por Deepak Chopra, no seu livro “O Poder da Consciência”, lançado no Brasil pela Editora LeYa, com tradução de Carlos Szlak:

– Se você for capaz de entrar em contato com seu verdadeiro eu, a consciência não tem limite. (…) A espiritualidade lida com seu estado de consciência. (…) Ao basear a vida na realidade da alma, você mantém crenças espirituais.

Conclui Deepak Chopra:

– Ao ir além e assumir o nível da alma como base da vida – o verdadeiro fundamento da existência -, a espiritualidade se torna um princípio ativo. A alma é despertada. Na realidade, ela nunca dorme, pois a consciência pura se impregna em cada um dos nossos pensamentos, sentimentos e ações.

Esta mensagem me foi intuída pelo meu convencimento da necessidade de se complementar as práticas interiores de “autoconhecimento”, com um permanente e natural estado sensório de “expansão de percepção”, durante o fluir das nossas vivências de interações existenciais com o “mundo exterior”. Esse insight surgiu com esta explicação de Deepak Chopra, encontrada no capítulo “Não há mundo objetivo independente do observador”, do seu livro “Corpo sem idade, mente sem fronteiras”, lançado no Brasil pela Editora Rocco, com tradução de Haroldo Netto (que recomendo como leitura obrigatória para todo idoso e seus cuidadores):

– O mundo que você aceita como real parece ter qualidades definidas. Algumas coisas são grandes, outras pequenas; umas duras, outras, moles. No entanto, nenhuma dessas qualidades significa qualquer coisa que não seja a sua percepção. (…) Por não existirem qualidades absolutas no mundo material, é inclusive falso dizer que há um mundo independente “lá fora”. O mundo é um reflexo do mecanismo sensorial que o registra. (…) Tudo o que há realmente “lá fora” são dados informes, em estado natural, esperando para serem interpretados por você, o sujeito que vai captá-los.

Termino com esta conclusão de Deepack Chopra:

– Por mais perturbador que possa parecer, é incrivelmente libertador perceber que você pode mudar o seu mundo – inclusive seu corpo – simplesmente por mudar a sua percepção. O modo como você vê a si mesmo está causando imensas mudanças no seu corpo neste exato momento.

Notas:

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Muita paz e harmonização interior.

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