{"id":8919,"date":"2017-11-01T13:29:56","date_gmt":"2017-11-01T16:29:56","guid":{"rendered":"http:\/\/sensibilidadedaalma.blog.br\/?p=8919"},"modified":"2017-11-02T23:43:32","modified_gmt":"2017-11-03T02:43:32","slug":"185-sentindo-a-sensibilidade-da-alma-do-escritor-joao-anzanello-carrascoza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sensibilidadedaalma.com.br\/?p=8919","title":{"rendered":"(185) Sentindo a &#8220;Sensibilidade da Alma&#8221;&#8221; do escritor Jo\u00e3o Anzanello Carrascoza."},"content":{"rendered":"<p>Em todas as nossas intera\u00e7\u00f5es expressamos o \u201csentir interior\u201d dos nossos estados emocionais (na alegria, na tristeza, atrav\u00e9s da escrita, da fala, de um olhar e at\u00e9 mesmo pelo nosso sil\u00eancio). Existem pessoas que naturalmente encantam com os seus dons e com as proje\u00e7\u00f5es interiores da sua &#8220;Sensibilidade da Alma&#8221;. Exemplos j\u00e1 citados neste espa\u00e7o virtual: Andrea Bocelli, tenor (059), Anna Muylaert, cineasta (123), Antonio Cicero, escritor (175), Betty Lago, atriz  (043 e 062), Bibi Fereira, atriz e cantora (114), Carminho, cantora portuguesa (036), Charles Einsenstein, escritor (157), Clarice Lispector, escritora (038), Clarice Niskier, atriz (025), Denise Fraga, atriz (054), Domingos de Oliveira, ator e dramaturgo (024), Fernando Brant, compositor (051), Ferreira Gullar, escritor (132), Geraldine Chaplin, atriz (012), Jo\u00e3o Carlos Martins, pianista (075), Leonard Cohen, escritor (129), Louise Hay, escritora (124), Lya Luft, escritora (063), Marck Nepo, escritor (119); Maria Paula, atriz (031 e 102), Marjorie Estiano, atriz (026); Matheus Nachtergaele, ator (161); Miguel Nicolelis, cientista (091); Morena Nascimento, bailarina (081) e Simone de Beauvoir, escritora  e fil\u00f3sofa (039 e 128).<\/p>\n<p>Com esta mensagem vamos conhecer a &#8220;Sensibilidade da Alma&#8221; do escritor Jo\u00e3o Anzanello Corrascoza. Ele acaba de lan\u00e7ar o livro &#8220;Cat\u00e1logo de perdas&#8221;, pela Editora Sesi-SP, selecionado pelo projeto Rumos Ita\u00fa Cultural. Da bela entrevista concedida ao jornalista Gustavo Ranieri, Editor-chefe da Revista da Cultura, publica\u00e7\u00e3o da Livraria Cultura, edi\u00e7\u00e3o 117, destaco o seguinte:<\/p>\n<p>01. Sobre como define a sua escrita:<br \/>\nCarrascoza: Talvez o que fa\u00e7o seja uma literatura de despertamento, de dizer: olha, \u00e9 bom ver essas coisas que movem nossas exist\u00eancias. O que sobra da vida sen\u00e3o elas? (&#8230;) Tudo o que fa\u00e7o traz os aprendizados que tive, porque voc\u00ea acaba sendo escritor trazendo tudo o que voc\u00ea observou, tudo aquilo que voc\u00ea desfrutou tamb\u00e9m, aquilo que voc\u00ea enfrentou. (&#8230;) Por isso que a minha literatura \u00e9 sempre focando no estarmos aqui, focando neste momento.<\/p>\n<p>Coment\u00e1rio: Reproduzo estas palavras do entrevistador: (&#8230;) desde de cedo ele entendeu &#8220;o significado do estar agora. Talvez por isso ele certamente esteja a acessar o passado em sua literatura, mas a narr\u00e1-lo de forma presente.&#8221;<\/p>\n<p>02. Sobre o que subjetivamente representa a perda do outro.<br \/>\nCarrascoza: Perder o outro \u00e9 perder um pouco de si tamb\u00e9m, que desaparece e com ele vai junto uma forma de voc\u00ea entender sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. Voc\u00ea fica sem o ganho dessa presen\u00e7a, uma vis\u00e3o de voc\u00ea por meio de outro, uma media\u00e7\u00e3o de tua exist\u00eancia.<\/p>\n<p>03. Ao ser perguntado se estamos sempre a perder:<br \/>\nCarrascoza. \u00c9 inevit\u00e1vel. O primeiro instante de sua vida \u00e9 o instante que voc\u00ea ganhou, mas perdeu tamb\u00e9m, porque ele vai desaguar no fim. E no fim \u00e9 a mesma coisa, ao mesmo tempo que se ganha se perde. A morte pode ser a perda, mas, se h\u00e1 cren\u00e7a em uma continua\u00e7\u00e3o, \u00e9 um ganho. <\/p>\n<p>Coment\u00e1rio: Ao conhecer o significado subjetivo desse seu &#8220;sentir interior&#8221;, lembrei deste &#8220;pensar&#8221; do poeta ingl\u00eas T. S. Eliot: &#8220;o fim \u00e9 de onde come\u00e7amos&#8221;\/&#8221;no meu in\u00edcio est\u00e1 o meu fim&#8221;. Para Carrascoza, nem sempre a morte dever\u00e1 ser considerada uma &#8220;perda&#8221;, porque, para os que acreditam, a finitude humana \u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o e, portanto, um &#8220;ganho&#8221;. Antes de responder a primeira pergunta da entrevista, ao se referir ao fato de aos 55 anos ser pai de Maria Flor, com ano e meio de idade, Corrascoza declarou que &#8220;com ela aprendeu, novamente, que entre perdas e ganhos s\u00f3 uma coisa interessa: viver&#8221;. Que sabedoria de vida, para a nossa jornada de evolu\u00e7\u00e3o espiritual! Pelo fluir do nosso ciclo de vida, o &#8220;ganho&#8221; do nosso nascer somente tamb\u00e9m dever\u00e1 ser uma &#8220;perda&#8221; (com a inevit\u00e1vel futura e indesejada realidade da chegada da morte), quando n\u00e3o se aceita uma continuidade do nosso &#8220;existir&#8221;, por sucessivas dimens\u00f5es infinitas de necessidades de melhorias e evolu\u00e7\u00e3o espiritual. Gosto do &#8220;sentir&#8221; de Carrascoza, pelo qual a miss\u00e3o do nosso &#8220;viver&#8221; (delimitada pelo &#8220;ganho&#8221; do nascer e a &#8220;perda&#8221; do morrer) \u00e9 explicada para n\u00f3s que acreditamos na &#8220;imortalidade da alma&#8221;. Esse &#8220;sentir&#8221; de Carrascoza  me parece estar em harmonia com esta defini\u00e7\u00e3o de &#8220;karma&#8221; do Dicion\u00e1rio Collins, lan\u00e7ado no Brasil pela Editora Disal:  &#8211; \u00c9 &#8220;a soma das a\u00e7\u00f5es de uma pessoa em uma de suas exist\u00eancias sucessivas, vista como decidindo seu estado na exist\u00eancia seguinte.&#8221;<\/p>\n<p>04. Sobre se a morte est\u00e1 de alguma forma t\u00e3o presente em seus livros.<br \/>\nCarrascoza: Sim, a morte est\u00e1 presente pelo aspecto f\u00edsico ou, \u00e0s vezes, ela simb\u00f3lica. E tamb\u00e9m \u00e9 brusca, marcante, muito forte, porque enseja outro ciclo, destina outros rumos para aqueles que estavam vivendo. Ent\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m uma transforma\u00e7\u00e3o muito vigorosa, vem realmente para a metamorfose. Isso me interessa assim como o tempo, j\u00e1 que a morte \u00e9 o limite do tempo. Acho que quase sempre o tempo figura nos meus textos como personagem, ele est\u00e1 ali organizando a hist\u00f3ria com o narrador ou com personagens secund\u00e1rias. E, curiosamente, narro muito no presente, porque as coisas est\u00e3o acontecendo \u00e0 nossa vista. Ent\u00e3o perceba que, no mesmo momento que elas acontecem, n\u00f3s j\u00e1 estamos perdendo-as. Esse minuto, no momento em que ele se concretiza e a gente o vive plenamente, j\u00e1 \u00e9 perdido.<\/p>\n<p>Coment\u00e1rio: O que mais me tocou na resposta de Carrascoza, foi ele ter considerado a morte tamb\u00e9m ser &#8220;simb\u00f3lica&#8221;. Acredito que todos n\u00f3s devemos elaborar para n\u00f3s mesmos, o nosso significado simb\u00f3lico.<\/p>\n<p>05. Sobre se as &#8220;perdas&#8221; citadas no seu novo livro [Cat\u00e1logo de perdas] s\u00e3o, de alguma forma, parte, mesmo que m\u00ednima, de sua mem\u00f3ria.<br \/>\nCarrascoza: Acho que a mem\u00f3ria, sendo acessada pela escrita ou valendo-se da escrita para buscar o tempo que foi, faz a gente viver esse tempo e o reconstruir por meio de uma sensibilidade da linguagem que a gente n\u00e3o tem mais acesso. Ou seja, o tempo passado \u00e9 o nosso ganho, a gente o viveu, mas ele ainda faz parte de n\u00f3s, da nossa exist\u00eancia, se a gente souber conect\u00e1-lo por meio da mem\u00f3ria. Ao mesmo tempo, a mem\u00f3ria \u00e9 estrat\u00e9gica, porque ela esquece coisas para poder seguir e ao mesmo tempo ela preserva, segura e quer lembrar outras. Ent\u00e3o ela age como um editor; o que fica e o que n\u00e3o fica vai constituindo a sua hist\u00f3ria, a sua escrita pessoal. (&#8230;) mas quando escrevo acesso muito o momento anterior que acabei de viver, ou mem\u00f3rias mais distantes minhas ou de outros, pr\u00f3ximas ou n\u00e3o, que voc\u00ea acaba descobrindo por informa\u00e7\u00f5es que relataram a voc\u00ea. Ent\u00e3o voc\u00ea tenta plasmar essa hist\u00f3ria, enfim, tenta embarcar tamb\u00e9m no que o outro registrou, que est\u00e1 ali no espa\u00e7o-tempo, e no labirinto da mem\u00f3ria que vai ressignificando coisas tamb\u00e9m, porque ela n\u00e3o d\u00e1 sentido sempre igual.<\/p>\n<p>Coment\u00e1rio: Considero ser incab\u00edvel qualquer tentativa de querer comentar essa bela manifesta\u00e7\u00e3o da &#8220;Sensibilidade da Alma&#8221; de Carrascoza, sobre a mem\u00f3ria acessada pela sua escrita. Apenas complemento sugerindo a leitura da mensagem 058, sobre o nosso respeitado neurocientista (naturalizado brasileiro), Ivan Izquierdo. Em julho deste ano ele foi agraciado pelo Pr\u00eamio Internacional para Pesquisa em Ci\u00eancias da Vida, da Unesco. Foi quando, sobre o nosso processo cognitivo de mem\u00f3ria, declarou: &#8220;O que se sabe \u00e9 que ele prioriza sempre a nossa sobreviv\u00eancia. Primeiro porque n\u00e3o podemos guardar tudo. Sem contar que \u00e9 preciso esquecer para poder aprender (&#8230;).&#8221; Com esse coment\u00e1rio, desejo que esta mensagem permane\u00e7a na sua mem\u00f3ria para favorecer o seu autoconhecimento &#8220;existencial&#8221; e &#8220;espiritual&#8221;.<\/p>\n<p>Termino esta mensagem com este &#8220;sentir&#8221; de Carrascoza, sobre o que \u00e9 ser escritor:<\/p>\n<p>&#8211; Acho que \u00e9 justamente trabalhar com essa ideia da mem\u00f3ria, como uma lembran\u00e7a de que o tempo todo estamos nos despedindo daqui, o tempo todo estamos indo embora. E uma vez que voc\u00ea est\u00e1 trabalhando com essa lembran\u00e7a, voc\u00ea est\u00e1 evocando a grandiosidade que parece menor da vida, est\u00e1 mostrando quanto a nossa condi\u00e7\u00e3o \u00e9 maravilhosa, ainda que prec\u00e1ria, mas \u00e9 a \u00fanica que temos.<\/p>\n<p> Notas:<\/p>\n<p>1.A reprodu\u00e7\u00e3o parcial ou total, atrav\u00e9s de qualquer forma, meio ou processo eletr\u00f4nico, depender\u00e1 de pr\u00e9via e expressa autoriza\u00e7\u00e3o do autor deste espa\u00e7o virtual, com indica\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos e link, para os efeitos da Lei 9610\/98, que regulamenta os direitos de autor e conexos.<br \/>\n2.Havendo, neste espa\u00e7o virtual, qualquer cita\u00e7\u00e3o ou reprodu\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos que sejam contr\u00e1rios \u00e0 vontade dos seus autores, ser\u00e3o imediatamente retiradas ap\u00f3s o recebimento de solicita\u00e7\u00e3o feita em \u201ccoment\u00e1rios\u201d no final de cada postagem, ou para edsonbsb@uol.com.br<br \/>\n3. Mensagem autorizada pelo jornalista Gustavo Ranieri, Editor-chefe da Revista da Cultura, uma publica\u00e7\u00e3o da Livraria Cultura.<br \/>\n4. Par ler a entrevista completa, acesse o portal da Livraria Cultura.<\/p>\n<p>Muita paz e harmonia espiritual.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em todas as nossas intera\u00e7\u00f5es expressamos o \u201csentir interior\u201d dos nossos estados emocionais (na alegria, na tristeza, atrav\u00e9s da escrita, da fala, de um olhar e at\u00e9 mesmo pelo nosso sil\u00eancio). Existem pessoas que naturalmente encantam com os seus dons e com as proje\u00e7\u00f5es interiores da sua &#8220;Sensibilidade da Alma&#8221;. 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