{"id":17051,"date":"2021-01-09T23:55:47","date_gmt":"2021-01-10T02:55:47","guid":{"rendered":"http:\/\/sensibilidadedaalma.blog.br\/?p=17051"},"modified":"2024-12-08T11:05:08","modified_gmt":"2024-12-08T14:05:08","slug":"313-sentindo-a-subjetividade-das-nossas-percepcoes-sensoriais-de-solidao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sensibilidadedaalma.com.br\/?p=17051","title":{"rendered":"(313) Sentindo a subjetividade das nossas percep\u00e7\u00f5es sensoriais de &#8220;solid\u00e3o&#8221; (Parte IV)."},"content":{"rendered":"<p>&#8220;AS IMAGENS SENSORIAIS DE &#8220;SOLID\u00c3O&#8221; S\u00c3O DEFINIDAS PELAS PERCEP\u00c7\u00d5ES DOS NOSSOS ESTADOS EMOCIONAIS. MANIFESTAM-SE EM N\u00d3S PELAS EXPERI\u00caNCIAS SUBJETIVAS DE REALIDADES ABSTRATAS, COM SEUS SIGNIFICADOS MODELADOS PELO NOSSO MODO DE SENTIR.&#8221;<br \/>\nS\u00e3o palavras que me foram intu\u00eddas para transmitir este meu atual entendimento: Em todas as nossas realidades de intera\u00e7\u00f5es, sejam de que natureza forem, somos n\u00f3s que criamos os nossos \u201cestados de solid\u00e3o\u201d. Estou plenamente convencido de que todos os nossos \u201csentimentos de solid\u00e3o\u201d s\u00e3o \u201cexperi\u00eancias subjetivas de realidades abstratas\u201d. Mas como acontece com tudo em nossas vidas, somos n\u00f3s que \u201ccriamos&#8221; todas as nossas realidades. Principalmente as nossas &#8220;realidades imagin\u00e1rias\u201d, com os seus significados elaborados e definidos por n\u00f3s e para n\u00f3s mesmos. O que n\u00e3o podemos esquecer \u00e9 que &#8220;a linguagem da consci\u00eancia \u00e9 literal, mas a da alma \u00e9 simb\u00f3lica&#8221;. Esse conhecido ensinamento faz parte desta explica\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico e psicoterapeuta junguiano Carlos S\u00e3o Paulo, na sua an\u00e1lise liter\u00e1ria da obra \u201cSegredo e Mentiras\u201d, da escritora americana Diane Chamberlain, publicada pela Editora Arqueiro:<\/p>\n<p>&#8211; O funcionamento da consci\u00eancia nos leva a dizer: eu tenho um corpo. Esse EU \u00e9 uma dimens\u00e3o ps\u00edquica que rege as experi\u00eancias conscientes e se relaciona com a ALMA. A linguagem da consci\u00eancia \u00e9 literal, mas a da alma \u00e9 simb\u00f3lica. (&#8230;) A psicologia anal\u00edtica \u00e9 uma ci\u00eancia dos processos inconscientes. Ficamos atentos \u00e0 maneira em que o oculto se revela. (&#8230;) Quando algu\u00e9m conta ao analista o seu sofrimento, ele apenas escuta e procura encontrar um significado de como foram constru\u00eddas aquelas ideias por tr\u00e1s desse significado. \u00c9 como a vida de uma semente: expressa-se em vegeta\u00e7\u00e3o depois que a enterramos. \u00c9 assim que o oculto se revela, plantado, cuidado e fertilizado. O oculto \u00e9 a necessidade da alma para se revelar em momentos especiais e de grande significado. Os problemas podem ser solucionados; os mist\u00e9rios apenas vividos.<\/p>\n<p>Pergunto:<\/p>\n<p>&#8211; QUE &#8220;OCULTO&#8221; \u00c9 ESSE, RESPONS\u00c1VEL PELAS CRIA\u00c7\u00d5ES DOS NOSSOS &#8220;ESTADOS DE SOLID\u00c3O&#8221;?<\/p>\n<p>Somente cada um de n\u00f3s, por suas buscas de &#8220;autoconhecimento&#8221;, ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de responder para &#8220;si mesmo&#8221; essa pergunta, avaliando as suas conhecidas (ou poss\u00edveis) necessidades de completudes interiores e existenciais. Mas na primeira parte desta mensagem, reconheci: &#8220;S\u00e3o muitas as moradas da &#8220;Solid\u00e3o&#8221;. Umas existem dentro de n\u00f3s, outras fora. \u00c0s vezes sentimos &#8220;Solid\u00f5es&#8221; vestidas de &#8220;saudade&#8221;, com as cores dos nossos &#8220;quero mais&#8221;, &#8220;quero de novo&#8221;, &#8220;quero para sempre&#8221;. Delas n\u00e3o gosto quando suas vestes s\u00e3o de &#8220;tristezas&#8221; e de &#8220;perdas indesejadas&#8221;, porque machucam o nosso cora\u00e7\u00e3o. As que mais incomodam s\u00e3o as que se acomodam em n\u00f3s, torturando-nos a todo instante porque delas \u00e9 dif\u00edcil nos livrar.&#8221;<\/p>\n<p>Merecedor da minha indica\u00e7\u00e3o de leitura, no seu mais recente livro \u201cA estranha ordem das coisas \u2013 as origens biol\u00f3gicas dos sentimentos e da cultura\u201d, publicado no Brasil pela Editora Companhia das Letras com tradu\u00e7\u00e3o de Laura Teixeira Motta, explica o neurocientista Ant\u00f3nio Dam\u00e1sio:<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 comum encontrarmos explica\u00e7\u00f5es sobre a vida mental \u2013 percep\u00e7\u00f5es, sentimentos, ideias, mem\u00f3rias com as quais percep\u00e7\u00f5es e ideias podem ser registradas, imagina\u00e7\u00e3o e racioc\u00ednio, palavras usadas para traduzir narrativas internas, inven\u00e7\u00f5es etc. \u2013 nas quais essas coisas s\u00e3o vistas como produtos do c\u00e9rebro. (&#8230;) Nossas percep\u00e7\u00f5es e as ideias que elas evocam geram continuamente uma descri\u00e7\u00e3o paralela baseada em linguagem. Essa descri\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 constru\u00edda com imagens. Todas as palavras que usamos, em qualquer linguagem \u2013 falada, escrita ou percebida pelo tato, como no braile -, s\u00e3o feitas mentalmente de imagens. Isso vale para as mensagens auditivas dos sons de letras, palavras e inflex\u00f5es e tamb\u00e9m para os correspondentes c\u00f3digos visuais de s\u00edmbolos\/letras que representam esses sons. (&#8230;) A cole\u00e7\u00e3o de imagens tipicamente relacionadas a um objeto ou evento equivale \u00e0 \u201cideia\u201d desse objeto ou evento, seu \u201cconceito\u201d, seu significado, sua sem\u00e2ntica. Ideias \u2013 conceitos e seus significados \u2013 podem ser traduzidas no idioma dos s\u00edmbolos e permitir o pensamento simb\u00f3lico.<\/p>\n<p>Pergunto:<\/p>\n<p>QUAL A IMPORT\u00c2NCIA DA LINGUAGEM PARA, QUANDO POSS\u00cdVEL, NOS AJUDAR ENTENDER AS NOSSAS PERCEP\u00c7\u00d5ES SENSORIAIS DE &#8220;SOLID\u00c3O&#8221;?<\/p>\n<p>Gosto destas considera\u00e7\u00f5es da doutora Mihele M\u00fcller, pesquisadora e especialista em Neuroci\u00eancias, Neuropsicologia Educacional e Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o, apresentadas no seu artigo &#8220;Mat\u00e9ria-prima do pensamento&#8221; (por mim numeradas):<\/p>\n<p>1. A linguagem vai al\u00e9m do campo cognitivo. Ela auxilia na identifica\u00e7\u00e3o de sensa\u00e7\u00f5es e na constru\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia emocional.<br \/>\n2. Estudos neurocient\u00edficos apontam uma nova perspectiva na compreens\u00e3o dos sentimentos, n\u00e3o como respostas pr\u00e9-programadas, mas como constru\u00e7\u00f5es sociais &#8211; o que leva a uma vis\u00e3o mais flex\u00edvel sobre a forma como podemos lidar com  elas, saindo do papel de ref\u00e9ns das emo\u00e7\u00f5es para ganhar o poder de desconstru\u00ed-las.<br \/>\n3. A linguagem tem um papel fundamental no desenvolvimento da intelig\u00eancia emocional. Sua fun\u00e7\u00e3o, portanto, n\u00e3o se limita \u00e0 express\u00e3o das nossas experi\u00eancias e emo\u00e7\u00f5es, com a finalidade de influenciar de incont\u00e1veis maneiras aqueles com os quais interagimos. \u00c9 a mat\u00e9ria-prima do pensamento, o conjunto de pe\u00e7as que molda a forma como percebemos o  ambiente, como interpretamos o outro e como compreendemos as pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es.<br \/>\n4. Diferentemente de palavras que representam elementos concretos, os conceitos abstratos geralmente dependem do contexto para serem definidos e explicados. E \u00e9 nessa maleabilidade que est\u00e1 a riqueza de uma l\u00edngua &#8211; e tamb\u00e9m, de acordo com Barrett, do repert\u00f3rio emocional que cada um carrega [Michele est\u00e1 se referindo \u00e0 neurocientista Lisa Barrett, autora de How Emotions Are Made, conhecida por suas pesquisas sobre a constru\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es].<br \/>\n5. A linguagem abstrata permite enxergarmos coisas que antes se encontravam em um ponto cego da percep\u00e7\u00e3o. Como se fossem lanternas da mente, as palavras expandem os limites do nosso mundo interno, como defendeu o fil\u00f3sofo alem\u00e3o Wittgenstein. Um mundo que \u00e9 inteiramente guiado pelas emo\u00e7\u00f5es e sentimentos &#8211; das grandes conquistas \u00e0s piores decis\u00f5es. Para conseguir identific\u00e1-los \u00e9 necess\u00e1rio nome\u00e1-los. Com a consci\u00eancia dos ingredientes que os comp\u00f5em, a partir da clareza trazida pelas palavras certas damos ao c\u00e9rebro a capacidade de categorizar, perceber e predizer as emo\u00e7\u00f5es &#8211; ferramentas fundamentais para que possamos lidar melhor com eles e responder aos est\u00edmulos de forma mais flex\u00edvel e funcional. Quanto maior o vocabul\u00e1rio, portanto, maior o que Barrett chama de &#8220;granularidade emocional\u201d. Um repert\u00f3rio que possibilita expressar da forma mais acurada poss\u00edvel o leque de nuances emocionais que as diversas situa\u00e7\u00f5es e est\u00edmulos podem evocar est\u00e1 relacionado \u00e0 capacidade de construir experi\u00eancias emocionais mais refinadas, levando a melhores predi\u00e7\u00f5es e inst\u00e2ncias de emo\u00e7\u00f5es que s\u00e3o modeladas de acordo com a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por sua vez, como no in\u00edcio desta mensagem manifestei o meu entendimento de que &#8220;sentir solid\u00e3o&#8221; s\u00e3o experi\u00eancias subjetivas de realidades abstratas, merece registro a seguinte explica\u00e7\u00e3o da doutora Michele M\u00fcller, reproduzida da sua interessante e consistente abordagem sobre a \u201cConstru\u00e7\u00e3o Abstrata na Mente\u201d:<\/p>\n<p>&#8211; A linguagem cumpre um papel fundamental n\u00e3o apenas na comunica\u00e7\u00e3o, como na interpreta\u00e7\u00e3o do ambiente e na identifica\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es, o que possibilita a formula\u00e7\u00e3o consciente de respostas mais apropriadas. Se, por um lado, a amplia\u00e7\u00e3o do vocabul\u00e1rio permite a amplia\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria consci\u00eancia e modifica a forma como as pessoas processam suas experi\u00eancias no mundo, por outro s\u00e3o as pr\u00f3prias experi\u00eancias que d\u00e3o sentido \u00e0 palavra, em uma rela\u00e7\u00e3o rec\u00edproca e interdependente. No entanto, a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o a forma como a linguagem \u00e9 compreendida e desenvolvida ao trabalhar uma s\u00e9rie de conte\u00fados que, no decorrer no ensino fundamental, v\u00e3o ficando cada vez mais abstratos e distantes do universo dos aluno.<\/p>\n<p>Conclui a doutora Michele:<\/p>\n<p>&#8211; A utiliza\u00e7\u00e3o de met\u00e1foras e analogias no entendimento de conceitos abstratos, ao descrev\u00ea-los em termos mais concretos, est\u00e1 diretamente relacionada \u00e0 forma como o c\u00e9rebro processa a linguagem. Muito mais que um recurso po\u00e9tico ou liter\u00e1rio, ensinando de forma isolada, \u00e9 essencial para se compreender mensagens que dependem de rela\u00e7\u00f5es com o mundo f\u00edsico ou que, muitas vezes, est\u00e3o inconscientemente relacionadas a diferentes sensa\u00e7\u00f5es e emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No nosso pr\u00f3ximo encontro, vamos aproveitar esses conhecimentos para nos ajudar entender a subjetividade das nossas percep\u00e7\u00f5es sensoriais de &#8220;solid\u00e3o&#8221;. Conto com voc\u00ea.<\/p>\n<p>Notas:<br \/>\n1. A reprodu\u00e7\u00e3o parcial ou total, atrav\u00e9s de qualquer forma, meio ou processo eletr\u00f4nico, depender\u00e1 de pr\u00e9via e expressa autoriza\u00e7\u00e3o do autor deste espa\u00e7o virtual, com indica\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos e link, para os efeitos da Lei 9610\/98, que regulamenta os direitos de autor e conexos.<br \/>\n2. As cita\u00e7\u00f5es da an\u00e1lise liter\u00e1ria do doutor Carlos S\u00e3o Paulo, bem com as duas da doutora Michele M\u00fcller, foram reproduzidas das edi\u00e7\u00f5es 161 e 162 da Revista PSIQUE, da Editora Escala.<br \/>\n3. Havendo, neste espa\u00e7o virtual, qualquer alega\u00e7\u00e3o que mere\u00e7a ser melhor avaliada ou contr\u00e1ria aos interesses dos seus autores,  mande a sua solicita\u00e7\u00e3o para edsonbsb@uol.com.br<\/p>\n<p>Muita paz e harmonia espiritual para todos.<\/p>\n<p>Muita paz e harmonia espiritual.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;AS IMAGENS SENSORIAIS DE &#8220;SOLID\u00c3O&#8221; S\u00c3O DEFINIDAS PELAS PERCEP\u00c7\u00d5ES DOS NOSSOS ESTADOS EMOCIONAIS. 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