{"id":16857,"date":"2020-12-21T14:02:39","date_gmt":"2020-12-21T17:02:39","guid":{"rendered":"http:\/\/sensibilidadedaalma.blog.br\/?p=16857"},"modified":"2024-12-08T11:02:49","modified_gmt":"2024-12-08T14:02:49","slug":"311-sentindo-a-subjetividade-das-nossas-percepcoes-sensoriais-de-solidao-parte-iii-da-309","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sensibilidadedaalma.com.br\/?p=16857","title":{"rendered":"(311) Sentindo a subjetividade das nossas percep\u00e7\u00f5es sensoriais de &#8220;solid\u00e3o&#8221; (Parte III)."},"content":{"rendered":"<p>&#8220;O QUE IMPORTA \u00c9 CONHECER A SUA REA\u00c7\u00c3O, N\u00c3O APENAS O QUE ACONTECE COM VOC\u00ca.&#8221;<br \/>\nEsta \u00e9 a s\u00edntese de um precioso ensinamento do fil\u00f3sofo estoico Epiteto, tamb\u00e9m conhecido por Epicteto. Esse seu &#8220;sentir&#8221;, no meu entender, deve ser considerado nas avalia\u00e7\u00f5es de todos os nossos sentimentos, com aten\u00e7\u00e3o especial para os de &#8220;solid\u00e3o&#8221;. Mas que n\u00e3o seja para encontrar respostas satisfat\u00f3rias, porque, em n\u00f3s, a &#8220;solid\u00e3o&#8221; se manifesta por um subjetivo processo interior de &#8220;percep\u00e7\u00e3o&#8221; dos nossos estados de necessidades de completudes de todas as naturezas. Compondo, assim, um  mosaico de  variantes sensoriais que nos levam para o mesmo ponto de chegada do nosso &#8220;sentir&#8221; interior, chamado &#8220;SOLID\u00c3O&#8221;. Em &#8220;The Enchiridion&#8221;, tamb\u00e9m aprendi com Epiteto que n\u00e3o somos tocados apenas pelas coisas em si, pelos eventos do nosso viver, mas, e muito mais mesmo, pelos modos como tudo percebemos. Essa  tem sido a sabedoria das minhas caminhadas de &#8220;autoconhecimento&#8221; quando, em muitas delas, procuro significados para as descobertas interiores do meu &#8220;sentir&#8221;.<\/p>\n<p>&#8211; O QUE ACONTECE NOS NOSSOS ESTADOS INTERIORES DE &#8220;SOLID\u00c3O&#8221;?<\/p>\n<p>Explica o psic\u00f3logo Marco Callegaro, que tamb\u00e9m \u00e9 mestre em Neuroci\u00eancias e Comportamento, no seu artigo &#8220;O c\u00e9rebro Solit\u00e1rio&#8221;, publicado na edi\u00e7\u00e3o n. 111, Ano IX, da Revista PSIQUE, da Editora Escala:<\/p>\n<p>&#8211; A solid\u00e3o n\u00e3o \u00e9, apenas, a aus\u00eancia de companhia; \u00e9 uma percep\u00e7\u00e3o de isolamento que tem enormes implica\u00e7\u00f5es para a sa\u00fade, levando a depress\u00e3o, depend\u00eancia qu\u00edmica ou transtornos alimentares. A percep\u00e7\u00e3o de que estamos conectados aos outros \u00e9 algo vital para um ser humano, uma vez que, em nosso passado evolutivo, estar segregado do grupo significava menos acesso a fontes de alimento e a chances de acasalamento, e ainda levava a uma grande vulnerabilidade aos predadores.<br \/>\nNeurocientistas descobriram que a percep\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o usa a mesma rede da dor f\u00edsica no c\u00e9rebro. Ou seja, a solid\u00e3o d\u00f3i, literalmente. O importante neurotransmissor serotonina \u00e9 reduzido quando a pessoa sente solid\u00e3o, dificultando o controle de pensamentos, emo\u00e7\u00f5es e impulsos. Isso diminui as fun\u00e7\u00f5es executivas e aumenta a dificuldade de inibir impulsos de prazer imediato, como comer em excesso, beber ou usar drogas.<br \/>\nNosso c\u00e9rebro social faz compara\u00e7\u00f5es e pode interpretar que se est\u00e1 isolado e em uma posi\u00e7\u00e3o inferior na hierarquia social, mesmo que, de fato, a pessoa esteja muito bem posicionada.<br \/>\nO c\u00e9rebro emocional e social n\u00e3o faz distin\u00e7\u00f5es finas e incorpora a percep\u00e7\u00e3o de isolamento, sem considerar que estamos vendo uma montagem de melhores momentos. Paradoxalmente, uma rede social pode contribuir para a solid\u00e3o, ao induzir uma percep\u00e7\u00e3o exagerada da socializa\u00e7\u00e3o dos outros e um sentimento de estar \u00e0 parte da festa da vida.<\/p>\n<p>Complemento com esta informa\u00e7\u00e3o da psic\u00f3loga Luiza Elena L. Ribeiro do Valle, especialista em aprendizagem, reproduzida da sua abordagem &#8220;Boa mem\u00f3ria em qualquer idade&#8221;, publicada na edi\u00e7\u00e3o n. 112, Ano IX, da mesma revista acima:<\/p>\n<p>&#8211; O c\u00e9rebro \u00e9 uma estrutura flex\u00edvel, que se desenvolve conforme o n\u00edvel de solicita\u00e7\u00e3o. Entretanto, a solicita\u00e7\u00e3o do ambiente encontra limites no pr\u00f3prio indiv\u00edduo, que atuar\u00e1 conforme seus interesses e\/ou necessidades e possibilidades que est\u00e3o dispostas ao seu redor. \u00c9 preciso integrar informa\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias para interferir na capacidade do sistema nervoso central de modificar algumas propriedades morfol\u00f3gicas e funcionais em respostas aos est\u00edmulos. Esse fen\u00f4meno define a plasticidade cerebral. \u00c9 quando se aprende.<\/p>\n<p>Muitas outras perguntas poderiam ser feitas neste nosso encontro. Principalmente agora, nesta pandemia, por causa dos efeitos psicol\u00f3gicos que podem ser em n\u00f3s causados pelo necess\u00e1rio isolamento social e pelas restri\u00e7\u00f5es de perman\u00eancias em determinados locais p\u00fablicos. No passado, em setembro de 2019, muito antes desta triste e preocupante realidade que estamos vivenciando, a psic\u00f3loga Maria Am\u00e9lia Penido j\u00e1 explicava em entrevista citada na mensagem anterior:<\/p>\n<p>&#8211; Somos seres sociais e quanto mais isolados mais ativamos nosso sistema de autopreserva\u00e7\u00e3o, olhando o mundo como mais amea\u00e7ador. Algumas habilidades s\u00e3o importantes para um comportamento social, como a empatia. Para ser emp\u00e1tico preciso ter a capacidade de flexibilidade cognitiva, tomada de perspectiva, escuta sem julgamento. Nunca ser confrontado com informa\u00e7\u00f5es diferentes das que j\u00e1 tenho pode potencializar uma inflexibilidade de pensamento e rigidez, tornando mais dif\u00edcil me colocar no lugar de um outro que pensa e sente diferente de mim. Para conviver com outros preciso estar aberto e flex\u00edvel. Logo, tudo que me deixa mais r\u00edgido e fechado acaba dificultando a conex\u00e3o.<\/p>\n<p>Sentir &#8220;solid\u00e3o&#8221; \u00e9 um sentimento. N\u00e3o uma sensa\u00e7\u00e3o. Ensina Daniela Benzecry, no seu belo livro &#8220;Sentimentos, valores e espiritualidade &#8211; Um caminho junguiano para o desenvolvimento espiritual, da Editora VOZES (resumido, com minhas palavras):<\/p>\n<p>&#8211; Jung definiu as fun\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas, classificando-as como sendo irracionais e racionais. As irracionais (sensa\u00e7\u00e3o e intui\u00e7\u00e3o), ocorrem diretamente na consci\u00eancia sem passar pela reflex\u00e3o. As racionais (pensamento e sentimento), demandam a reflex\u00e3o. A fun\u00e7\u00e3o sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel por dizer para n\u00f3s que &#8220;algo \u00e9&#8221;, que &#8220;algo existe&#8221;. A fun\u00e7\u00e3o sentimento determina o &#8220;valor de algo&#8221; para a pessoa, interpreta &#8220;se algo \u00e9 bom ou n\u00e3o&#8221; para a pessoa.<\/p>\n<p>Para esta mensagem, acrescento:<\/p>\n<p>O &#8220;conhecimento consciente&#8221; dos nossos sentimentos (sejam de que natureza forem) \u00e9 muito importante para as nossas pr\u00e1ticas de &#8220;autoconhecimento&#8221;. No seu livro, esclarece a doutora Daniela (resumido, com minhas palavras):<br \/>\n1. N\u00f3s somos respons\u00e1veis pelos nossos sentimentos, porque dependem da nossa vis\u00e3o de mundo.<br \/>\n2. Os sentimentos podem e devem ser por n\u00f3s analisados, principalmente porque dizem respeito de n\u00f3s mesmos.<br \/>\n3. Eles s\u00e3o imagens de &#8220;viv\u00eancias conscientes&#8221; do que se passa no interior da pessoa. Cada um de n\u00f3s expressa do seu jeito, das formas mais diversas.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia do &#8220;conhecimento consciente&#8221; dos nossos sentimentos \u00e9 manifesta principalmente para, se for o caso, por meio dos est\u00edmulos emocionais recebidos das nossas realidades (interiores e exteriores), serem favorecidas as desejadas buscas de significados para as nossas subjetivas percep\u00e7\u00f5es sensoriais de &#8220;solid\u00e3o&#8221;. No seu livro &#8220;O mist\u00e9rio da consci\u00eancia &#8211; do corpo e das emo\u00e7\u00f5es ao conhecimento de si&#8221;, lan\u00e7ado no Brasil pela Editora Companhia das Letras com tradu\u00e7\u00e3o de Laura Teixeira Motta, em s\u00edntese conclusiva esclarece o neurocientista Ant\u00f3nio Dam\u00e1sio (recomendo a leitura):<\/p>\n<p>&#8211; EU SUMA, A CONSCI\u00caNCIA TEM DE ESTAR PRESENTE PARA QUE OS SENTIMENTOS INFLUENCIEM O INDIV\u00cdDUO QUE OS TEM, AL\u00c9M DO AQUI E AGORA IMEDIATO.<\/p>\n<p>Espero voc\u00ea no nosso encontro, desejando que tenha gostado desta mensagem.<\/p>\n<p>Notas:<br \/>\n1. A reprodu\u00e7\u00e3o parcial ou total, atrav\u00e9s de qualquer forma, meio ou processo eletr\u00f4nico, depender\u00e1 de pr\u00e9via e expressa autoriza\u00e7\u00e3o do autor deste espa\u00e7o virtual, com indica\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos e link, para os efeitos da Lei 9610\/98, que regulamenta os direitos de autor e conexos.<br \/>\n2. Havendo, neste espa\u00e7o virtual, qualquer alega\u00e7\u00e3o que mere\u00e7a ser melhor avaliada ou contr\u00e1ria aos interesses dos seus autores,  mande a sua solicita\u00e7\u00e3o para edsonbsb@uol.com.br<br \/>\nMuita paz e harmonia espiritual.<\/p>\n<p>Muita paz e harmonia espiritual.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;O QUE IMPORTA \u00c9 CONHECER A SUA REA\u00c7\u00c3O, N\u00c3O APENAS O QUE ACONTECE COM VOC\u00ca.&#8221; Esta \u00e9 a s\u00edntese de um precioso ensinamento do fil\u00f3sofo estoico Epiteto, tamb\u00e9m conhecido por Epicteto. Esse seu &#8220;sentir&#8221;, no meu entender, deve ser considerado nas avalia\u00e7\u00f5es de todos os nossos sentimentos, com aten\u00e7\u00e3o especial para os de &#8220;solid\u00e3o&#8221;. Mas &hellip; <a href=\"https:\/\/sensibilidadedaalma.com.br\/?p=16857\" class=\"more-link\">Continuar lendo <span class=\"screen-reader-text\">(311) Sentindo a subjetividade das nossas percep\u00e7\u00f5es sensoriais de &#8220;solid\u00e3o&#8221; (Parte III).<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-16857","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-busca-interior"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pfkQEa-4nT","jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sensibilidadedaalma.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/16857","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sensibilidadedaalma.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sensibilidadedaalma.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sensibilidadedaalma.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sensibilidadedaalma.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=16857"}],"version-history":[{"count":127,"href":"https:\/\/sensibilidadedaalma.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/16857\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17268,"href":"https:\/\/sensibilidadedaalma.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/16857\/revisions\/17268"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sensibilidadedaalma.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=16857"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sensibilidadedaalma.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=16857"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sensibilidadedaalma.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=16857"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}