{"id":16656,"date":"2020-11-26T19:40:53","date_gmt":"2020-11-26T22:40:53","guid":{"rendered":"http:\/\/sensibilidadedaalma.blog.br\/?p=16656"},"modified":"2024-12-08T10:59:28","modified_gmt":"2024-12-08T13:59:28","slug":"307-sentindo-a-necessidade-de-repensar-o-significado-existencial-de-todos-nos-seres-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sensibilidadedaalma.com.br\/?p=16656","title":{"rendered":"(307) Sentindo a necessidade de &#8220;repensar&#8221; o significado existencial, de todos n\u00f3s seres humanos."},"content":{"rendered":"<p>Come\u00e7o escrevendo esta mensagem do nosso &#8220;Mundo do Faz de Conta&#8221;, mas com muita dificuldade para lhe transmitir tudo que estou sentindo. \u00c9 triste, muito triste. Um inaceit\u00e1vel, que poderia ter sido evitado:<\/p>\n<p>UM SER HUMANO FOI ESPANCADO E POR ASFIXIA LEVADO \u00c0 MORTE, NA PORTA DE UM SUPERMERCADO.<\/p>\n<p>Neste &#8220;mundo imagin\u00e1rio&#8221;, se pud\u00e9ssemos esquecer todas as leis dos  homens. Se pud\u00e9ssemos esquecer que existe &#8220;cor da pele&#8221;. Se pud\u00e9ssemos acreditar que \u00e9 mentira tudo que n\u00f3s foi mostrado. Se pud\u00e9ssemos n\u00e3o conhecer as motiva\u00e7\u00f5es desse revoltante acontecimento. Se pud\u00e9ssemos n\u00e3o ter que apurar responsabilidades. Se fosse poss\u00edvel ningu\u00e9m esqueceria do nosso mundo, quando no dia 10 de dezembro de 1948 foi proclamada pela Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos que estabelece no seu artigo terceiro:<\/p>\n<p>&#8211; TODO SER HUMANO TEM DIREITO \u00c0 VIDA, \u00c0 LIBERDADE E \u00c0 SEGURAN\u00c7A PESSOAL.<\/p>\n<p>Pergunto para voc\u00ea:<\/p>\n<p>&#8211; Sob uma &#8220;subjetiva&#8221; perspectiva do comportamento humano, como podemos explicar o que aconteceu e que, para mim, considero ter sido um &#8220;retrocesso&#8221; do nosso processo civilizat\u00f3rio de conquistas sociais na hist\u00f3ria da humanidade?<\/p>\n<p>Nesta jornada para o &#8220;autoconhecimento&#8221; (mensagem 001), sempre que fa\u00e7o refer\u00eancia \u00e0s &#8220;realidades&#8221; modeladas pelas nossas percep\u00e7\u00f5es sensoriais de &#8220;subjetividades&#8221;, lembro-me desta interessante informa\u00e7\u00e3o da doutora Ana Maria Haddad Baptista, transmitida nos seus coment\u00e1rios da obra &#8220;Di\u00e1rios&#8221;, de L\u00facio Cardoso, que foi organizada por \u00c9sio Macedo Ribeiro, da Editora Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira:<\/p>\n<p>&#8211; IMMANUEL KANT, ENTRE DEZENAS DE OUTROS QUE PODERIAM SER CITADOS, FOI UM DOS PRINCIPAIS PENSADORES A ESTABELECER BASES S\u00d3LIDAS PARA RECONHECERMOS UM NOVO MODELO DE SUBJETIVIDADE. PARA PERCEB\u00ca-LA MUITO PR\u00d3XIMA DO QUE HOJE A ENTENDEMOS. OU SEJA: EM QUE MEDIDA DIALOGAMOS COM NOSSA INTERIORIDADE? EM QUE MEDIDA TEMOS ACESSO \u00c0 NOSSA VERDADEIRA FORMA DE EXISTIR?<\/p>\n<p>Em dezembro de 2004, ao ser perguntado sobre qual \u00e9 o papel do nosso corpo na emerg\u00eancia da consci\u00eancia&#8221;, o neurocientista Ant\u00f3nio Dam\u00e1sio respondeu em entrevista concedida \u00e0 Revista &#8220;Viver Mente &amp; C\u00e9rebro Scientific Am\u00e9rican&#8221;:<\/p>\n<p>&#8211; A consci\u00eancia de si \u00e9 constru\u00edda a partir de uma imagem do corpo, que decorre por sua vez das sensa\u00e7\u00f5es que experimentamos (frio, calor, palpita\u00e7\u00f5es do cora\u00e7\u00e3o, movimentos etc.). Elaboramos uma imagem de nosso corpo e de suas rea\u00e7\u00f5es em fun\u00e7\u00e3o dos constrangimentos externos. Representa\u00e7\u00e3o do corpo e consci\u00eancia est\u00e3o intimamente ligados.<\/p>\n<p>Em seguida, Dam\u00e1sio explicou como o ser humano desenvolveu uma &#8220;consci\u00eancia de si&#8221;:<\/p>\n<p>&#8211; Penso que o corpo precisa verificar sem cessar que seu equil\u00edbrio (sua homeostase) est\u00e1 sendo respeitado. O c\u00e9rebro deve receber informa\u00e7\u00f5es atualizadas sobre o estado do corpo a fim de regular os mecanismos vitais. Diante de um perigo, o corpo reage por meio de um conjunto de rea\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas, que o c\u00e9rebro converte em atividade neuronal. \u00c9 preciso aceder \u00e0 atividade neuronal e tomar consci\u00eancia dela para agir. Para o organismo, \u00e9 a \u00fanica maneira de sobreviver num meio em perp\u00e9tua mudan\u00e7a. As emo\u00e7\u00f5es, sem sentimentos emocionais conscientes, n\u00e3o bastam.<\/p>\n<p>Sobre os sentimentos em nossas vidas, ensina Dam\u00e1sio no seu mais recente livro &#8220;A estranha ordem das coisas &#8211; as origens biol\u00f3gicas dos sentimentos e da cultura&#8221;, lan\u00e7ado no Brasil pela Editora Companhia Das Letras, com tradu\u00e7\u00e3o de Laura Teixeira Motta (que recomendo para os interessados, como leitura obrigat\u00f3ria):<\/p>\n<p>&#8211; Os sentimentos s\u00e3o a pr\u00f3pria revela\u00e7\u00e3o, a cada mente individual, da condi\u00e7\u00e3o da vida no respectivo organismo, expressa ao longo de uma faixa que vai do positivo ao negativo. (&#8230;) Sentimentos s\u00e3o as experi\u00eancias subjetivas do estado da vida, isto \u00e9, da homeostase, em todas as criaturas dotadas de mente e de um ponto de vista consciente. (&#8230;) Os sentimentos nos dizem o que precisamos saber.<\/p>\n<p>Conclui Dam\u00e1sio, com o seu consistente e did\u00e1tico estilo:<\/p>\n<p>&#8211; Em resumo, sentimentos s\u00e3o experi\u00eancias de certos aspectos do estado da vida dentro de um organismo. Essas experi\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o meramente decorativas. Elas fazem algo extraordin\u00e1rio: um relato, momento a momento, do estado da vida no interior do organismo.<\/p>\n<p>Volto ao in\u00edcio desta mensagem:<\/p>\n<p>UM SER HUMANO FOI ESPANCADO E POR ASFIXIA LEVADO \u00c0 MORTE, NA PORTA DE UM SUPERMERCADO.<\/p>\n<p>Como entender essa triste &#8220;realidade&#8221;?<\/p>\n<p>Gosto destas considera\u00e7\u00f5es do psic\u00f3logo e fil\u00f3sofo Jos\u00e9 Mauricio de Carvalho, sobre o seu livro &#8220;O Homem e a Filosofia&#8221;, publicado pela  Editora Mikelis (j\u00e1 citado, na mensagem 250):<\/p>\n<p>&#8211; Podemos procurar entender a vida do homem de v\u00e1rias formas: contrapondo o que a Ci\u00eancia diz ao que a Filosofia ensina, articulando iman\u00eancia e transcend\u00eancia da consci\u00eancia ou das rela\u00e7\u00f5es pessoais ou, ainda, pura e simplesmente descrevendo o viver. S\u00e3o formas v\u00e1lidas, complementares e interessantes de enfrentar a quest\u00e3o. Aqui se vai faz\u00ea-lo a partir de dois eixos de articula\u00e7\u00e3o: exist\u00eancia e cultura. \u00c9 razo\u00e1vel articular conceitos t\u00e3o diferentes para o enfrentamento desse problema? O que eles significam? Exist\u00eancia descreve algo, ou melhor, diz que algo tem realidade. Cultura, por sua vez, se refere ao trato de alguma coisa, a um produto ou, at\u00e9 mesmo, a certa conduta ou cria\u00e7\u00e3o humana. A quest\u00e3o da exist\u00eancia, j\u00e1 o dissemos, relaciona-se com a realidade, e realidade \u00e9 problema que h\u00e1 s\u00e9culos desperta a curiosidade humana.<\/p>\n<p>Sobre o que \u00e9 &#8220;realidade&#8221;, ele esclarece:<\/p>\n<p>&#8211; Podemos dizer que realidade \u00e9 o que se experimenta pelos sentidos, em contraposi\u00e7\u00e3o ao que pensamos. \u00c9 algo que toca a sensibilidade em contraposi\u00e7\u00e3o ao racioc\u00ednio. Por\u00e9m, para falar de realidade \u00e9 preciso que o percebido pela sensibilidade chegue \u00e0 consci\u00eancia e ali seja examinado, porque n\u00e3o basta experimentar sem entender ou referenciar  o que sentimos. No entanto, realidade tamb\u00e9m \u00e9 o que op\u00f5e resist\u00eancia a nossas a\u00e7\u00f5es e n\u00e3o s\u00f3 f\u00edsica. Um outro eu que pensa ou age diferente tamb\u00e9m ajuda a entender a realidade. (&#8230;) O estar &#8220;no mundo&#8221; ou o &#8220;ser a\u00ed&#8221; em meio \u00e0s coisas tornou-se condi\u00e7\u00e3o para pensar a realidade, conforme resumiu Roger Garaudy mencionando Martin Heidegger (1966, p.53): &#8220;O ser humano, diz Heidegger, s\u00f3 pode definir-se a partir de seu existir, isto \u00e9, de sua possibilidade de ser ou n\u00e3o ser o que ele \u00e9&#8221;. E o que essa condi\u00e7\u00e3o revela? Existir significa um modo especial de ser, que contempla o pr\u00f3prio problema da realidade. Ao tentar descrever a realidade que \u00e9 a sua vida, o indiv\u00edduo fica perplexo, pois n\u00e3o consegue entender perfeitamente o que ele \u00e9. Ele se lan\u00e7a num futuro incerto, em dire\u00e7\u00e3o ao que ainda n\u00e3o existe, e est\u00e1 cercado do nada. Ele se sente perdido na inseguran\u00e7a de suas escolhas, incorre em culpas, angustia-se com sua incompletude e percebe  seus limites. Al\u00e9m dos limites individuais percebe-se em meio a crises da civiliza\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m perturbam o modo como ele vive e as raz\u00f5es que ele mobiliza para viver. Nos momentos de crise de civiliza\u00e7\u00e3o cren\u00e7as e valores s\u00e3o mais profundamente questionados e o homem se v\u00ea com novos problemas. Nestas ocasi\u00f5es, o que ele deve fazer e como pensar se torna especialmente complicado.<\/p>\n<p>Agora sintam esta sua primorosa s\u00edntese:<\/p>\n<p>&#8211; PARA FALAR DE REALIDADE \u00c9 PRECISO QUE O PERCEBIDO PELA SENSIBILIDADE CHEGUE \u00c0 CONSCI\u00caNCIA E ALI SEJA EXAMINADO, PORQUE N\u00c3O BASTA EXPERIMENTAR SEM ENTENDER OU REFERENCIAR O QUE SENTIMOS.<\/p>\n<p>Assim complemento, com este meu &#8220;sentir&#8221;:<br \/>\n1. Acredito que nem tudo est\u00e1 perdido, porque entendo que existem muitas fontes de inspira\u00e7\u00f5es de &#8220;realidades&#8221;. As minhas s\u00e3o definidas pela ess\u00eancia da &#8220;abstra\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica&#8221; dos meus sentimentos. S\u00e3o, portanto,  proje\u00e7\u00f5es recebidas da minha &#8220;Sensibilidade da Alma&#8221;.<br \/>\n2. Entendo que tudo que se manifesta de &#8220;dentro de n\u00f3s&#8221; e muito do que vem &#8220;de fora&#8221; para dentro n\u00f3s, nos proporciona sintonias de harmoniza\u00e7\u00f5es de envolvimentos interiores com os nossos &#8220;estados de esp\u00edrito&#8221;.<br \/>\n3. N\u00e3o devemos querer &#8220;separar&#8221;, querer &#8220;dissociar&#8221; a pessoa, da subjetividade das representa\u00e7\u00f5es cognitivas das suas &#8220;experi\u00eancias de vida&#8221;. S\u00e3o as nossas &#8220;subjetividades&#8221; que espelham a nossa &#8220;singularidade existencial&#8221;. Somos n\u00f3s que constru\u00edmos as nossas manifesta\u00e7\u00f5es de &#8220;realidades&#8221;. Vejam estes exemplos: Para Plat\u00e3o, n\u00f3s vivemos no mundo do irreal onde tudo o que vemos \u00e9 somente uma sombra imperfeita de uma realidade mais perfeita. Fernando Pessoa, entendia que precisamos ser realista, para descobrir a realidade. Rom\u00e2ntico, para cri\u00e1-la&#8221;. John Lennon, afirmava que a realidade deixa muito espa\u00e7o \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o&#8221;. Para Albert Einsten, a realidade \u00e9 meramente uma ilus\u00e3o, apesar de ser uma ilus\u00e3o muito persistente.<\/p>\n<p>Termino esta mensagem, com esta perguntas que merecem serem refletidas por todos n\u00f3s:<br \/>\n1. Como podemos construir para as nossas gera\u00e7\u00f5es futuras, um novo modelo sociocultural que impe\u00e7a a banaliza\u00e7\u00e3o da vida por um &#8220;n\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia&#8221;, \u00e0 &#8220;discrimina\u00e7\u00e3o do seu semelhante&#8221; para, assim, consolidar e perpetuar o respeito \u00e0 vida e \u00e0 dignidade da pessoa humana?<br \/>\n2. O que \u00e9 &#8220;ser humano&#8221; (e n\u00e3o o que \u00e9 o &#8220;ser humano&#8221;)?<br \/>\n3. Voc\u00ea acredita que h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para o &#8220;renascer&#8221; de um novo progresso humano, principalmente em termos de mais demonstra\u00e7\u00f5es de civilidade humanista?<br \/>\nPara esta \u00faltima pergunta, a minha resposta \u00e9 ACREDITO.<\/p>\n<p>Muita paz e harmonia espiritual, para todos n\u00f3s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Come\u00e7o escrevendo esta mensagem do nosso &#8220;Mundo do Faz de Conta&#8221;, mas com muita dificuldade para lhe transmitir tudo que estou sentindo. \u00c9 triste, muito triste. Um inaceit\u00e1vel, que poderia ter sido evitado: UM SER HUMANO FOI ESPANCADO E POR ASFIXIA LEVADO \u00c0 MORTE, NA PORTA DE UM SUPERMERCADO. 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