{"id":16211,"date":"2020-10-18T12:36:40","date_gmt":"2020-10-18T15:36:40","guid":{"rendered":"http:\/\/sensibilidadedaalma.blog.br\/?p=16211"},"modified":"2024-12-08T10:56:16","modified_gmt":"2024-12-08T13:56:16","slug":"302-sentindo-para-o-seu-pos-pandemia-que-ja-podemos-modular-a-percepcao-dos-nossos-sentimentos-parte-vii-da-296","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sensibilidadedaalma.com.br\/?p=16211","title":{"rendered":"(302) Sentindo, para o seu &#8220;p\u00f3s-pandemia&#8221;, que j\u00e1 podemos modular a percep\u00e7\u00e3o dos nossos sentimentos (Parte VII da 296)."},"content":{"rendered":"<p>&#8220;O &#8220;TEMPO&#8221; \u00c9 UMA ABSTRA\u00c7\u00c3O, UM MOSAICO DE APARENTES PERCEP\u00c7\u00d5ES SENSORIAIS DE &#8220;IMPERMAN\u00caNCIAS\u201d, QUE VIVENCIAMOS COM A SUBJETIVA SENSA\u00c7\u00c3O DE \u201cPASSAGEM&#8221; EM NOSSAS VIDAS.&#8221;<br \/>\nS\u00e3o minhas palavras sobre a nossa percep\u00e7\u00e3o de &#8220;tempo&#8221;. Nesta pandemia, escutei de algumas pessoas que para elas o &#8220;tempo&#8221; parou. S\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es  que tamb\u00e9m podem ser explicadas por rea\u00e7\u00f5es emocionais causadas pelas necess\u00e1rias medidas de prote\u00e7\u00e3o em isolamento social e de controle de perman\u00eancias e circula\u00e7\u00e3o p\u00fablica em diversos lugares. Certo \u00e9 que somos respons\u00e1veis pelas nossas a\u00e7\u00f5es, porque temos a capacidade de definir, para n\u00f3s mesmos, realidades existenciais e imagin\u00e1rias. S\u00e3o prefer\u00eancias de escolhas que fazemos, por caminhos diversos. Muitos deles, concebidos e modelados com expectativas de destinos ainda desconhecidos. O meu &#8220;tempo&#8221;, n\u00e3o me condiciona. Por vezes, at\u00e9 parece n\u00e3o existir. Dos meus &#8220;tempos de descobertas&#8221;, guardo os aprendizados que me fortalecem e ajudam ressignificar o meu &#8220;viver&#8221;.<\/p>\n<p>O que motivou esta mensagem foi o interessante e bem elaborado artigo &#8220;Tempos Suspensos&#8221;, da doutora Ana Maria Haddad Baptista, publicado na Edi\u00e7\u00e3o 137 da Revista Humanitas, lan\u00e7ada no Brasil pela Editora Escala. Ana  Maria \u00e9 graduada em Letras, possui mestrado e doutorado em Comunica\u00e7\u00e3o e Semi\u00f3tica pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC-SP), p\u00f3s-doutoramento em Hist\u00f3ria da Ci\u00eancia pela Universidade de Lisboa e PUC\/SP,  autora de diversos livros publicados no Brasil e no exterior. H\u00e1 muito fiquei esperando uma oportunidade como esta, para enriquecer a nossa jornada para o &#8220;autoconhecimento&#8221; (mensagem 001). A minha leitura do seu curriculum, confesso, me deu orgulho de ser brasileiro. Com esmerada sensibilidade de estilo, Ana assim manifestou parte do seu &#8220;sentir&#8221; sobre o &#8220;tempo&#8221; de pandemia:<\/p>\n<p>&#8211; A experi\u00eancia do isolamento social tornou ainda mais urgente a compreens\u00e3o do tempo, esse senhor cuja biografia foi explorada por muitos pensadores. Invis\u00edvel, ele sempre escancara a nossa finitude.<\/p>\n<p>A verdade sempre teve uma rela\u00e7\u00e3o essencial com o tempo, por lembrar uma vez mais de Deleuze. E aqui a velha pergunta: o que \u00e9 o tempo? Como falar a respeito de algo que \u00e9 invis\u00edvel?  Mas todos sentimos, de alguma forma, certa dimens\u00e3o que flui internamente e ao nosso redor. O tempo. Eterno mist\u00e9rio. O tempo! Um processo que nos conduz \u00e0 finitude pelos caminhos mais diversos. Heidegger lembra que o rel\u00f3gio n\u00e3o \u00e9 o tempo. O rel\u00f3gio \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o indireta com o tempo. Mede-o. Apenas isso. Um mero indicador de que alguma coisa passa. Uma apreens\u00e3o. Nada mais do que isso.<\/p>\n<p>Para Paul Ricoeur existem duas leituras a respeito do tempo que se apresentam com mais clareza. Complementam-se. Uma cosmol\u00f3gica e outra psicol\u00f3gica. Admite, o pensador franc\u00eas, que n\u00e3o h\u00e1 como unificar o tempo em termos conceituais. Tal perspectiva deve nos conduzir a quest\u00f5es mais amplas. Em outras palavras: o tempo cosmol\u00f3gico se desdobra pelas cronologias, e o tempo psicol\u00f3gico, de alma, mergulha em subjetividades. Tempo quantitativo. Tempo qualitativo.<\/p>\n<p>Tempos suspensos, ou seja, aqueles que imprevis\u00edveis rompem com nosso cotidiano social e subjetivo, na maioria das vezes, preenchidos pelo t\u00e9dio. (&#8230;) Nessa perspectiva nos colocam, talvez, em face de reflex\u00f5es mais amplas a respeito de n\u00f3s mesmos. Em que medida nossas frequ\u00eancias subjetivas podem ser ativadas e potencializadas? Em que medida nossos abismos, sempre vertiginosos, podem e devem ser acionados? Em que medida temos a capacidade e disposi\u00e7\u00e3o para viver, de fato, o instante?<\/p>\n<p>FOME DE SENTIDO<br \/>\nE finalmente, pensando, em parte, com Jean-Luc Nancy, a nossa identidade, individual e coletiva, quando em situa\u00e7\u00e3o de tempos em descontinuidade, tempos suspensos, vacilam. Oscilam. Com isso as contradi\u00e7\u00f5es que nos cercam se tornam, sobretudo, mais exponenciais. O que nos leva \u00e0 busca de um sentido para a vida. Na verdade, imersos em um tempo que nos exp\u00f5e \u00e0 pr\u00f3pria exposi\u00e7\u00e3o, ou seja, espa\u00e7os e valores que eram identific\u00e1veis, de repente, se tornam inconsistentes. A exist\u00eancia se torna opaca a si mesma. Como existir sem clareza de um sentido para a vida? Ou nas palavras de Nancy: &#8220;Como fazer ver que o sentido se exp\u00f5e impenetr\u00e1vel, e  nos exp\u00f5e a esta compacidade?&#8221; Precisamos, com urg\u00eancia, de um pensamento que materialmente seja poroso a ponto de estar disposto a se desfazer em prol da cria\u00e7\u00e3o de um mundo novo. Que realmente convoque a nossa, t\u00e3o em vias de falir, capacidade de admira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para mim s\u00e3o reflex\u00f5es que merecem a nossa aten\u00e7\u00e3o, no sentido de valora\u00e7\u00e3o das nossas vidas, principalmente nesta triste e preocupante realidade que estamos vivenciando.<\/p>\n<p>Espero voc\u00ea no nosso pr\u00f3ximo encontro.<\/p>\n<p>Notas:<br \/>\n1.A reprodu\u00e7\u00e3o parcial ou total, atrav\u00e9s de qualquer forma, meio ou processo eletr\u00f4nico, depender\u00e1 de pr\u00e9via e expressa autoriza\u00e7\u00e3o do autor deste espa\u00e7o virtual, com indica\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos e link, para os efeitos da Lei 9610\/98, que regulamenta os direitos de autor e conexos.<br \/>\n2.Havendo neste espa\u00e7o virtual qualquer alega\u00e7\u00e3o que mere\u00e7a ser melhor avaliada, mande o seu coment\u00e1rio no final de cada postagem, ou para edsonbsb@uol.com.br<\/p>\n<p>Muita paz e harmonia espiritual<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;O &#8220;TEMPO&#8221; \u00c9 UMA ABSTRA\u00c7\u00c3O, UM MOSAICO DE APARENTES PERCEP\u00c7\u00d5ES SENSORIAIS DE &#8220;IMPERMAN\u00caNCIAS\u201d, QUE VIVENCIAMOS COM A SUBJETIVA SENSA\u00c7\u00c3O DE \u201cPASSAGEM&#8221; EM NOSSAS VIDAS.&#8221; S\u00e3o minhas palavras sobre a nossa percep\u00e7\u00e3o de &#8220;tempo&#8221;. 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