{"id":15426,"date":"2020-06-21T19:24:59","date_gmt":"2020-06-21T22:24:59","guid":{"rendered":"http:\/\/sensibilidadedaalma.blog.br\/?p=15426"},"modified":"2024-12-08T10:38:38","modified_gmt":"2024-12-08T13:38:38","slug":"289-sentindo-a-necessidade-de-criar-um-sentido-simbolico-para-o-tempo-do-nosso-existir-nesta-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sensibilidadedaalma.com.br\/?p=15426","title":{"rendered":"(289) Sentindo a necessidade de criar um sentido simb\u00f3lico para o tempo do nosso existir, nesta pandemia."},"content":{"rendered":"<p>&#8220;PARA MIM, O IMPORTANTE EM POESIA \u00c9 A QUALIDADE DA ETERNIDADE QUE UM POEMA PODER\u00c1 DEIXAR EM QUEM O L\u00ca SEM A IDEIA DE TEMPO.<br \/>\nS\u00e3o palavras do poeta espanhol Juan Ram\u00f3n Jim\u00e9nez (1881-1958), que em 1956 foi merecidamente laureado com o Nobel de Literatura. Nestes momentos dif\u00edceis da pandemia, tenho buscado ref\u00fagio na sua sensibilidade po\u00e9tica. Ela me fortalece e tem me ajudado acreditar no &#8220;despertar&#8221; de um novo renascer &#8220;p\u00f3s-pandemia&#8221;, com mais uni\u00e3o e solidariedades humanistas. Jim\u00e9nez \u00e9 um dos meus preferidos poetas estrangeiros, porque temos muitas identidades no nosso modo de sentir o &#8220;BELO&#8221; e de vivenciar a abstra\u00e7\u00e3o ilus\u00f3ria  da &#8220;passagem do tempo&#8221; em nossas vidas. Para ele, o que importa nas suas poesias \u00e9 a eternidade das suas perman\u00eancias sem condicionamento de temporalidade. Para mim (que tamb\u00e9m considero ser ilus\u00f3ria a passagem do tempo), eternidade \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o de perpetua\u00e7\u00e3o sensitiva de um &#8220;para sempre atemporal&#8221; dos nossos sucessivos &#8220;agora&#8221; que novamente podemos vivenciar, assim como s\u00e3o, para n\u00f3s, as imagens simb\u00f3lica da linguagem do nosso psiquismo inconsciente.<\/p>\n<p>De acordo com o fil\u00f3sofo franc\u00eas Henri Bergson (citado pelo Psic\u00f3logo Daniel Lascani, no seu artigo &#8220;Eixo Mente-Tempo&#8221;), o tempo \u00e9 um fen\u00f4meno mental e n\u00e3o espacial. \u00c9 apenas uma percep\u00e7\u00e3o humana, uma constru\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica. A consci\u00eancia, atrav\u00e9s da mem\u00f3ria, produz o tempo passado e, tamb\u00e9m, a no\u00e7\u00e3o de tempo futuro. Qualquer lembran\u00e7a est\u00e1 presente, podendo ser atualizada em nosso c\u00e9rebro, relativamente, em qualquer momento. O passado \u00e9 representado por nossas lembran\u00e7as, mem\u00f3rias, conhecimentos, habilidades, raz\u00f5es; nosso futuro s\u00e3o nossas esperan\u00e7as, encantamentos, ansiedades, cria\u00e7\u00f5es e emo\u00e7\u00f5es. J\u00e1 o presente \u00e9 apenas um constante sentir, atrav\u00e9s da consci\u00eancia. Nossa mente cria essa divis\u00e3o cartesiana entre passado, presente e futuro, que denominamos de tempo.<\/p>\n<p>Complementa o doutor Daniel Lascani, p\u00f3s-graduado em Psicologia Junguiana pela PUC-Rio:<\/p>\n<p>&#8211; A psique humana consegue, claramente, observar que o presente est\u00e1 sempre passando, que o passado est\u00e1 sempre presente, se acumulando, e que o futuro \u00e9 um tempo presente que est\u00e1 sempre chegando, em cada instante no cont\u00ednuo espa\u00e7o-tempo. Tudo \u00e9 um constante tempo presente. Temos percep\u00e7\u00f5es produzidas, relativamente, pela nossa mem\u00f3ria. Para uns, um dia pode passar r\u00e1pido, para outros, nem tanto, dependendo do eixo mente-tempo que tamb\u00e9m se relativiza, inconscientemente, em cada um.<\/p>\n<p>Gosto desta explica\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico e psicoterapeuta junguiano, Carlos S\u00e3o Paulo:<\/p>\n<p>&#8211; Somos a ponte entre a percep\u00e7\u00e3o do mundo em nosso entorno &#8211; o mundo da luz &#8211; e o da percep\u00e7\u00e3o inconsciente &#8211; o mundo das trevas. Como resultado temos a imagem do mundo em que vivemos, o qual nos orienta na adapta\u00e7\u00e3o da nossa realidade. O mundo da luz nos deixa alheios ao que acontece na escurid\u00e3o da alma, mas \u00e9 na combina\u00e7\u00e3o dessas duas condi\u00e7\u00f5es que nasce o &#8220;esp\u00edrito do tempo&#8221;. O fil\u00f3sofo Hegel difundiu zeitgeist como o &#8220;esp\u00edrito do tempo&#8221;. Trata-se da alma de uma \u00e9poca que se expressa no clima intelectual e cultural do mundo. (&#8230;) Estamos entre o &#8220;esp\u00edrito do tempo&#8221; e o &#8220;esp\u00edrito das profundezas&#8221;. Para dialogar com essas condi\u00e7\u00f5es, precisamos respeitar nossas figuras da imagina\u00e7\u00e3o e saber dar sentido simb\u00f3lico a esses acontecimentos para que o eu consciente possa acolh\u00ea-lo. Essa \u00e9 a tarefa que faz o homem perceber seu ritmo interior e seguir o seu caminho \u00fanico. Marchar com o seu ritmo pessoal, resistindo bravamente ao barulho infernal dos tambores que rufam l\u00e1 fora. Esse \u00e9 o desafio para evoluir.<\/p>\n<p>Pergunto:<\/p>\n<p>NO P\u00d3S-PANDEMIA, QUAL SER\u00c1 O &#8220;SENTIDO SIMB\u00d3LICO&#8221; DO SEU ATUAL EXISTIR?<\/p>\n<p>O meu est\u00e1 sendo constru\u00eddo com a mesma esperan\u00e7a do timoneiro que, navegando pelas \u00e1guas agitadas desta pandemia, acredita na chegada da sua embarca\u00e7\u00e3o em um porto seguro em \u00e1guas tranquilas dos novos mares das nossas vidas. Ser\u00e1 quando, livres do covid-19 nunca vamos esquecer deste &#8220;sentir&#8221; de Juan Ram\u00f3n Jim\u00e9nez.<\/p>\n<p>&#8220;MARES&#8221;<br \/>\nSinto que o meu barco<br \/>\nencontrou algo grande<br \/>\nl\u00e1 no fundo.<br \/>\nE nada acontece!<br \/>\nNada&#8230;<br \/>\nSil\u00eancio&#8230; Ondas&#8230;<br \/>\nNada acontece?<br \/>\nOu tudo aconteceu<br \/>\ne estamos tranquilos no novo&#8230;<\/p>\n<p>Notas:<br \/>\n1.A reprodu\u00e7\u00e3o parcial ou total, atrav\u00e9s de qualquer forma, meio ou processo eletr\u00f4nico, depender\u00e1 de pr\u00e9via e expressa autoriza\u00e7\u00e3o do autor deste espa\u00e7o virtual, com indica\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos e link, para os efeitos da Lei 9610\/98, que regulamenta os direitos de autor e conexos.<br \/>\n2.As cita\u00e7\u00f5es dos artigos do psic\u00f3logo Daniel Lascani e do doutor Carlos S\u00e3o Paulo foram reproduzidas, respectivamente, das edi\u00e7\u00f5es ns. 143 e 129 da Revista PSIQUE, lan\u00e7ada no Brasil pela Editora Escala.<br \/>\n3.Havendo, neste espa\u00e7o virtual, qualquer cita\u00e7\u00e3o ou reprodu\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos que sejam contr\u00e1rios \u00e0 vontade dos seus autores, ser\u00e3o imediatamente retiradas ap\u00f3s o recebimento de solicita\u00e7\u00e3o feita em \u201ccoment\u00e1rios\u201d no final de cada postagem, ou para edsonbsb@uol.com.br<\/p>\n<p>Muita paz e harmonia espiritual.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;PARA MIM, O IMPORTANTE EM POESIA \u00c9 A QUALIDADE DA ETERNIDADE QUE UM POEMA PODER\u00c1 DEIXAR EM QUEM O L\u00ca SEM A IDEIA DE TEMPO. 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