{"id":14481,"date":"2020-01-12T13:55:27","date_gmt":"2020-01-12T16:55:27","guid":{"rendered":"http:\/\/sensibilidadedaalma.blog.br\/?p=14481"},"modified":"2024-12-08T10:07:09","modified_gmt":"2024-12-08T13:07:09","slug":"262-sentindo-como-entender-a-solidao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sensibilidadedaalma.com.br\/?p=14481","title":{"rendered":"(272) Sentindo como entender a &#8220;solid\u00e3o&#8221;."},"content":{"rendered":"<p>&#8220;QUEM TEM VIDA INTERIOR JAMAIS PADECER\u00c1 DE SOLID\u00c3O&#8221;.<br \/>\nS\u00e3o palavas do escritor, jornalista e radialista Artur da T\u00e1vola (1936-2008). N\u00e3o tive dificuldade de escolher uma frase sobre &#8220;SOLID\u00c3O&#8221;, para iniciar esta mensagem. Existem muitas, mas nem todas est\u00e3o diretamente relacionadas \u00e0 subjetividade desse estado interior de &#8220;sentir-se s\u00f3&#8221; no sentido, por exemplo, da falta de uma pessoa ao nosso lado.<\/p>\n<p>Como estudioso da arte, lembrei de Pablo Picasso, o g\u00eanio da pintura que sentia a &#8220;solid\u00e3o&#8221; como uma necessidade interior para as suas inspira\u00e7\u00f5es. Ele explicava:<\/p>\n<p>&#8211; Nada pode ser criado sem solid\u00e3o. Criei em meu redor uma solid\u00e3o que ningu\u00e9m calcula. \u00c9 muito dif\u00edcil hoje em dia estar-se sozinho, pois existem rel\u00f3gios. J\u00e1 alguma vez viu um santo com rel\u00f3gio? N\u00e3o consegui encontrar nenhum, mesmo entre os santos que s\u00e3o considerados os santos padroeiros dos relojoeiros.&#8221; At\u00e9 no mostrar o abstrato, existiam no seu imagin\u00e1rio sens\u00f3rias matizes de uma subjetiva e  inspiradora esp\u00e9cie de &#8220;presen\u00e7a&#8221;. Veja:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o existe nenhuma arte abstracta. Tem que se come\u00e7ar sempre com algo. Depois podem-se afastar todos os vest\u00edgios do real. Ent\u00e3o n\u00e3o existe qualquer perigo, pois que a ideia da coisa deixou entretanto um sinal indel\u00e9vel. \u00c9 aquilo que originalmente p\u00f4s o artista em andamento, estimulou suas ideias, animou os seus sentimentos. Ideias e sentimentos ser\u00e3o por fim prisioneiros dentro do seu quadro. Aconte\u00e7a com eles aquilo que acontecer, n\u00e3o podem j\u00e1 fugir da tela. Formam com ele uma \u00edntima uni\u00e3o, mesmo que a sua presen\u00e7a tenha deixado de ser reconhec\u00edvel. Quer o homem queira, quer n\u00e3o, ele \u00e9 a ferramenta da natureza. O artista \u00e9 como um recept\u00e1culo de sentimentos que v\u00eam de toda a parte: do c\u00e9u, da terra, de um peda\u00e7o de papel, de uma figura que passa, ou de uma teia de aranha.<\/p>\n<p>Esta n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que dedico mensagem \u00e0 subjetividade desse sens\u00f3rio estado interior, chamado &#8220;Solid\u00e3o&#8221;. Em janeiro de 2017, sustentei que podemos afastar a &#8220;solid\u00e3o&#8221; do nosso cora\u00e7\u00e3o. Foi quando declarei que as minhas chegavam &#8220;de fora para dentro&#8221; (mensagem 141). Hoje n\u00e3o penso mais assim, porque entendo ser a &#8220;Solid\u00e3o&#8221; manifesta\u00e7\u00e3o de sentimento com natureza dependente da valora\u00e7\u00e3o de cada indiv\u00edduo. Necessariamente, n\u00e3o me parece sempre depender de um est\u00edmulo externo (com a roupagem de sensa\u00e7\u00e3o de aus\u00eancia) que, em n\u00f3s, enseje o sentimento de &#8220;sentir-se s\u00f3&#8221;. \u00c9 por isso que existem pessoas que vivem sozinhas, sem nunca ter reclamado de &#8220;solid\u00e3o&#8221;; ou convivendo com algu\u00e9m ao seu lado que, ao contr\u00e1rio, vivencia intenso e doloroso sentimento de &#8220;solid\u00e3o&#8221;. Parecendo-me refor\u00e7ar este meu entendimento, explica a doutora Daniela Benzecry:<\/p>\n<p>&#8211; Todos os sentimentos s\u00e3o imagens relacionadas ao corpo. Eles processam-se na mente, mas alguma no\u00e7\u00e3o corporal \u00e9 essencial para existirem. A consci\u00eancia \u00e9 necess\u00e1ria para que ocorra o sentimento, pois ele \u00e9 a pr\u00f3pria viv\u00eancia consciente das ocorr\u00eancias, incluindo das manifesta\u00e7\u00f5es que ocorrem no corpo ao se reagir aos est\u00edmulos (objetos e situa\u00e7\u00f5es), as emo\u00e7\u00f5es. Para Jung, essa viv\u00eancia consciente \u00e9 subordinada ao entendimento dado pela raz\u00e3o segundo os valores do objeto para o indiv\u00edduo no sentido de<br \/>\nprovocar uma aceita\u00e7\u00e3o (do que d\u00e1 prazer) ou rejei\u00e7\u00e3o (do que d\u00e1 dor\/&#8221;desprazer&#8221;).<\/p>\n<p>Agora, preste aten\u00e7\u00e3o: Se podemos criar percep\u00e7\u00f5es de &#8220;solid\u00e3o&#8221;, principalmente no sentido de isolamento, precisamos estar conscientes das suas consequ\u00eancias negativas para sa\u00fade. Esclarece o psic\u00f3logo Marco Callegaro, que tamb\u00e9m \u00e9 mestre em Neuroci\u00eancias e Comportamento:<\/p>\n<p>&#8211; Numerosos estudos t\u00eam mostrado que a solid\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel por um leque de problemas de sa\u00fade, contribuindo para a doen\u00e7a de alzheimer, transtornos do sono, aumenta o risco de dem\u00eancia e morte prematura, e \u00e9 uma das principais causas de depress\u00e3o.<br \/>\nUm estudo revelou que a solid\u00e3o causa uma express\u00e3o exagerada nos genes em c\u00e9lulas card\u00edacas, e estas produzem uma rea\u00e7\u00e3o inflamat\u00f3ria que lesiona o tecido do cora\u00e7\u00e3o. Neurocientistas descobriram que a percep\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o usa a mesma rede da dor f\u00edsica no c\u00e9rebro. Ou seja, a solid\u00e3o d\u00f3i, literalmente.<\/p>\n<p>Pergunto:<\/p>\n<p>&#8211; COMO EXPLICAR A &#8220;SOLID\u00c3O&#8221; EM NOSSAS VIDAS?<\/p>\n<p>S\u00e3o muitas as respostas poss\u00edveis, porque somos &#8220;seres \u00fanicos&#8221; e com as suas individualizadas percep\u00e7\u00f5es de &#8220;Solid\u00e3o&#8221;. Talvez tenha sido este mesmo meu &#8220;sentir&#8221; que inspirou o escritor alem\u00e3o Hermann Hesse (1877-1962), ao definir a &#8220;Solid\u00e3o&#8221; como sendo o modo que o destino encontrou para levar o homem a si mesmo. Certo \u00e9 que, pelo fluir existencial da nossa experi\u00eancia de viver, o significado de todos os caminhos \u00e9 o &#8220;solit\u00e1rio&#8221;. O meu \u00e9 diferente do seu; os nossos, diferentes de todos os outros. N\u00f3s somos  &#8220;viajantes solit\u00e1rios&#8221; por destinos desconhecidos, onde as circunst\u00e2ncias, inclusive de uni\u00f5es, n\u00e3o escondem a nossa \u00edntima sensa\u00e7\u00e3o de que estamos s\u00f3s para n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>Para voc\u00ea que gosta de astrologia trago este entendimento de Oscar Quiroga, que foi publicado em 29\/12\/2019 na Revista do Correio, Ano 15, n. 763, do Jornal Correio Braziliense:<\/p>\n<p>&#8211; A estranha experi\u00eancia da solid\u00e3o.<br \/>\n\u00c9 humano experimentar o denso sentimento de solid\u00e3o, essa \u00e9 uma experi\u00eancia pela qual todos passamos, alguns ficando nela e nos identificando com a solid\u00e3o; outros a tratando com desd\u00e9m e nos lan\u00e7ando \u00e0 vida louca dos contatos sociais. Do ponto de vista do funcionamento c\u00f3smico, a solid\u00e3o humana \u00e9 imposs\u00edvel, porque estamos todos intimamente conectados numa s\u00f3 mente, que nos faz sentir e perceber em tempo real o somat\u00f3rio do que acontece no mundo. A solid\u00e3o, por isso, \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o que resulta de uma imposi\u00e7\u00e3o conceitual que fazemos a n\u00f3s mesmos, a de que nossas vidas interiores s\u00e3o impenetr\u00e1veis e inviol\u00e1veis, o que tampouco \u00e9 real, porque nossos olhos expressam, \u00e0 nossa revelia, o que nos emociona. Temos a\u00ed um enigma, apesar de n\u00e3o sermos isolados, mesmo assim experimentamos a solid\u00e3o. Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>Termino esta mensagem, com este &#8220;sentir&#8221; da escritora Martha Medeiros:<\/p>\n<p>QUANDO DOU PRA TI, SOU MULHER. QUANDO DOU POR MIM, SOLID\u00c3O.<\/p>\n<p>Pense nisso e volte sempre neste novo ano que se inicia, que quero para todos n\u00f3s sem sentimentos de &#8220;solid\u00e3o&#8221; no cora\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Notas:<br \/>\n1.A reprodu\u00e7\u00e3o parcial ou total, atrav\u00e9s de qualquer forma, meio ou processo eletr\u00f4nico, depender\u00e1 de pr\u00e9via e expressa autoriza\u00e7\u00e3o do autor deste espa\u00e7o virtual, com indica\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos e link, para os efeitos da Lei 9610\/98, que regulamenta os direitos de autor e conexos.<br \/>\n2.A cita\u00e7\u00e3o de Pablo Picasso foi reproduzida do livro &#8220;PICASSO&#8221;, de Ingo F. Walther, lan\u00e7ado no Brasil pela Editora TASCHEN com tradu\u00e7\u00e3o de Ana Maria Cortes Kollert; a da doutora Daniela Benzecry foi reproduzida do seu livro &#8220;Sentimentos, valores e espiritualidade\/Um caminho junguiano para o desenvolvimento espiritual, lan\u00e7ado no Brasil pela Editora VOZES; a do psic\u00f3logo Marco Callegaro, do seu artigo &#8220;O C\u00e9rebro Solit\u00e1rio, publicado na Edi\u00e7\u00e3o n. 111, Ano IX, da Revista PSIQUE, lan\u00e7ada no Brasil pela Editora Escala.<br \/>\n3.Havendo, neste espa\u00e7o virtual, qualquer cita\u00e7\u00e3o ou reprodu\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos que sejam contr\u00e1rios \u00e0 vontade dos seus autores, ser\u00e3o imediatamente retiradas ap\u00f3s o recebimento de solicita\u00e7\u00e3o feita em \u201ccoment\u00e1rios\u201d no final de cada postagem, ou para edsonbsb@uol.com.br<\/p>\n<p>Muita paz e harmonia espiritual.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;QUEM TEM VIDA INTERIOR JAMAIS PADECER\u00c1 DE SOLID\u00c3O&#8221;. 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