{"id":12171,"date":"2018-11-27T16:45:18","date_gmt":"2018-11-27T19:45:18","guid":{"rendered":"http:\/\/sensibilidadedaalma.blog.br\/?p=12171"},"modified":"2024-12-08T09:46:38","modified_gmt":"2024-12-08T12:46:38","slug":"237-sentindo-a-percepcao-interior-que-ressignificou-a-vida-de-frida-kahlo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sensibilidadedaalma.com.br\/?p=12171","title":{"rendered":"(247) Sentindo a resiliente percep\u00e7\u00e3o interior, que ressignificou a vida de Frida Kahlo."},"content":{"rendered":"<p>&#8220;A PERCEP\u00c7\u00c3O DELIMITA O QUE SOMOS CAPAZES DE SENTIR E COMPREENDER, PORQUANTO CORRESPONDE A UMA ORDENA\u00c7\u00c3O SELETIVA DOS EST\u00cdMULOS E CRIA UMA BARREIRA ENTRE O QUE PERCEBEMOS E O QUE N\u00c3O PERCEBERMOS. ARTICULA O MUNDO QUE NOS ATINGE, O MUNDO QUE CHEGAMOS A CONHECER E DENTRO DO QUAL NOS CONHECEMOS&#8221;<br \/>\nS\u00e3o palavras da artista pl\u00e1stica Fayga Ostrower (1920-2001). Foram selecionadas do seu livro &#8220;Criatividade e Processo da Cria\u00e7\u00e3o&#8221;, lan\u00e7ado no Brasil em 1977 pela Editora Vozes.<\/p>\n<p>Todas as minhas leituras dessa obra, s\u00e3o como viagens contagiantes por profundas reflex\u00f5es sobre o interior processo de &#8220;manifesta\u00e7\u00f5es sens\u00f3rias&#8221; da criatividade humana. Manifesta\u00e7\u00f5es, que para Fayga n\u00e3o se restringem \u00e0s conhecidas express\u00f5es de arte.<\/p>\n<p>Com admir\u00e1vel e agu\u00e7ada percep\u00e7\u00e3o do seu &#8220;sentir&#8221; e &#8220;pensar&#8221;, ela sustenta que o processo de cria\u00e7\u00e3o ocorre no \u00e2mbito da &#8220;intui\u00e7\u00e3o&#8221;, encontrando-se intimamente interligado com o nosso &#8220;ser sens\u00edvel&#8221;. Isto porque, mesmo no \u00e2mbito conceitual ou intelectual, a cria\u00e7\u00e3o se articula principalmente atrav\u00e9s da sensibilidade. Concordo,  porque explica o processo intuitivo que ensejou a cria\u00e7\u00e3o deste espa\u00e7o virtual, bem como a inspira\u00e7\u00e3o e o estilo da escrita de quase todas as suas mensagens (mensagens 017 e 020).<\/p>\n<p>Para iniciar esta mensagem, as palavras de Fayga foram escolhidas porque enriquecem esta nossa jornada para o &#8220;autoconhecimento&#8221;. \u00c9 atrav\u00e9s de uma silenciosa &#8220;percep\u00e7\u00e3o de si mesmo&#8221; que podemos favorecer o &#8220;despertar sens\u00f3rio&#8221; de imagens significativas da nossa subjetiva singularidade interior (seja qual for a preferida pr\u00e1tica de mindfulness). A respeito, esclarece o m\u00e9dico e psicoterapeuta junguiano Carlos S\u00e3o Paulo, ao comentar o conto &#8220;O Homem da Areia&#8221;, de E.T.Hoffmann, lan\u00e7ado no Brasil pela Editora Rocco:<\/p>\n<p>&#8211; JUNG NOS EXPLICA QUE FATORES INTERIORES, EM CONJUN\u00c7\u00c3O COM FATORES EXTERIORES, REGISTRADOS PELA PERCEP\u00c7\u00c3O, RECEBEM FORMA E SENTIDO AO PROJETAR IMAGENS. TODO PRODUTO PS\u00cdQUICO SE REVELA EM IMAGENS.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, no livro citado no in\u00edcio desta mensagem, Fryda assim reafirma a capacidade de transmitir as nossas &#8220;imagens sens\u00f3rias&#8221; de &#8220;autoconhecimento&#8221;:<\/p>\n<p>&#8211; O HOMEM PODE FALAR COM EMO\u00c7\u00c3O, MAS ELE PODE FALAR TAMB\u00c9M SOBRE SUAS EMO\u00c7\u00d5ES.<\/p>\n<p>Certo \u00e9 que todos n\u00f3s somos &#8220;seres \u00fanicos&#8221;, com necessidades de completudes de intera\u00e7\u00f5es existenciais. Pe\u00e7o aten\u00e7\u00e3o para este coment\u00e1rio do Doutor Carlos S\u00e3o Paulo, sobre uma bela obra do  escritor americano Daniel Wallace (tamb\u00e9m lan\u00e7ada no Brasil pela Editora Rocco):<\/p>\n<p>&#8211; PEIXE GRANDE: UMA F\u00c1BULA DE AMOR ENTRE PAI E FILHO \u00c9 COMO A VIDA. H\u00c1 PESSOAS QUE SE AGARRAM AO CONCRETO E OUTRAS QUE P\u00d5EM \u00caNFASE NO SENTIDO OCULTO DAS COISAS, APROXIMANDO-SE DESTAS, DE ANTEM\u00c3O, COM UMA DISPOSI\u00c7\u00c3O SIMB\u00d3LICA.<br \/>\n[O livro de Daniel Wallace] conta a hist\u00f3ria de uma rela\u00e7\u00e3o entre pai e filho que coloca um confronto entre a narrativa literal dos fatos e as hist\u00f3rias fant\u00e1sticas. Will Bloom \u00e9 um jornalista que se preocupa com o que acha verdadeiro, enquanto seu pai, Edward Bloom, vive uma vida de sonhos e fantasias em que conta pequenas hist\u00f3rias fant\u00e1sticas, encantando a vida das pessoas que as escutam. O filho condena essas hist\u00f3rias por entender que s\u00e3o mentiras, enquanto o pai lhe explica: &#8220;Somos contadores de hist\u00f3rias n\u00f3s dois. Eu falo as minhas e voc\u00ea escreve as suas. \u00c9 a mesma coisa&#8221;.<\/p>\n<p>[O &#8220;todo misterioso&#8221;], que \u00e9 o mundo imaterial da psique, brotou o que Jung nomeou de complexo do &#8220;EU&#8221;. Enquanto o &#8220;EU&#8221; \u00e9 respons\u00e1vel pelo pensamento dirigido e l\u00f3gico que nos ajuda a compartilhar e ser entendido pelo outro, o &#8220;todo misterioso&#8221; se expressa por meio de um pensamento n\u00e3o  dirigido e simb\u00f3lico, que \u00e9 a linguagem de nossa natureza. Na primeira metade da vida, estamos t\u00e3o ocupados com nossas realiza\u00e7\u00f5es no mundo que esse &#8220;Eu&#8221; se distancia desse &#8220;todo misterioso&#8221; que fala uma outra linguagem.<\/p>\n<p>Cada homem experimenta sua hist\u00f3ria pessoal, mas tamb\u00e9m a hist\u00f3ria da humanidade em si. O &#8220;Eu&#8221; que lhe d\u00e1 a identidade \u00e9 uma bricolagem de tudo que existe em todos os outros homens, e \u00e9 a combina\u00e7\u00e3o entre esses fragmentos da psique coletiva que forma o indiv\u00edduo como singular.<\/p>\n<p>Quando contamos hist\u00f3rias com frases que oferecem um gradiente energ\u00e9tico entre a fala normal e a cria\u00e7\u00e3o do fant\u00e1stico, produzimos uma for\u00e7a que nos arrebata do mundo comum para um universo que encanta a vida. Edward Bloom diz ao filho: &#8220;A maioria das pessoas conta a hist\u00f3ria direta. \u00c9 menos complicado, mas perde-se o interesse&#8221;. Enquanto a narrativa direta \u00e9 bruta, desinteressante e ef\u00eamera, a narrativa traduzida das profundezas da alma humana \u00e9 simb\u00f3lica e corrige essa dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Os s\u00edmbolos, revelados pelas fantasias, comp\u00f5em a linguagem da psique e \u00e9 por meio deles que a rela\u00e7\u00e3o entre a consci\u00eancia e o inconsciente se manifesta. Por isso, na psicoterapia, enquanto nossos clientes relatam os acontecimentos, ficamos atentos \u00e0s fantasias, s\u00e3o elas que trazem e desvendam qual a verdade que se esconde por tr\u00e1s dos relatos.<\/p>\n<p>A realidade objetiva, que compartilhamos com o outro, nos engana e at\u00e9 conseguimos abandonar as certezas absolutas. \u00c9 s\u00f3 dessa forma que poderemos compreender o outro. De acordo com Jung, nossa psique traduz, filtra, alegoriza, desfigura e at\u00e9 falsifica tudo que nos \u00e9 transmitido e nada \u00e9 absolutamente verdadeiro, nem mesmo isso \u00e9 totalmente verdadeiro. Vivemos imediatamente apenas no mundo das imagens. \u00c9 atrav\u00e9s dos s\u00edmbolos que damos sentido ao existir. (&#8230;) Precisamos que a vida tenha significado e, para isso, o &#8220;Eu&#8221; necessita voltar a se relacionar com o &#8220;todo misterioso&#8221; ou o Deus dentro de cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Conclui o Doutor Carlos S\u00e3o Paulo:<\/p>\n<p>Em sua hora derradeira, Edward Bloom \u00e9 levado pelo filho a viver o mito de tornar-se o peixe grande e experimentar sua passagem embalado pelo amor desse filho que aprendeu a se relacionar com o mundo maravilhoso do &#8220;todo misterioso&#8221; e entendeu a beleza da linguagem liter\u00e1ria, ou a linguagem da alma. Para Edward Bloom, um homem conta tantas vezes sua hist\u00f3ria que se torna uma delas. Acontece que elas continuam vivendo ap\u00f3s ele e, desse modo, ele se torna imortal.<\/p>\n<p>Plagiando desse coment\u00e1rio a express\u00e3o &#8220;a linguagem da alma&#8221;, estou convencido ser por ela que mostramos e transmitimos a ess\u00eancia &#8220;sens\u00f3ria&#8221; e &#8220;espiritual&#8221; do nosso &#8220;EU&#8221; interior, por meio dos subjetivos significados das &#8220;imagens&#8221; recebidas da nossa &#8220;Sensibilidade da Alma&#8221;. S\u00e3o essas &#8220;imagens&#8221; (acima explicadas por Jung, pela conjuga\u00e7\u00e3o de fatores interiores e exteriores registrados pela nossa percep\u00e7\u00e3o), que  atrav\u00e9s das nossas buscas de &#8220;autoconhecimento&#8221; revelam para n\u00f3s &#8220;quem somos&#8221; ou ainda &#8220;precisamos ser&#8221;. Assim como existem as &#8220;imagens&#8221; que podem ressignificar nossas vidas. Como aconteceu com Frida Kahlo, que tendo a sua perna amputada, fortalecida por sua determina\u00e7\u00e3o resiliente proferiu esta pergunta &#8220;para si mesmo&#8221;::<\/p>\n<p>&#8211; PARA QUE PRECISO DE P\u00c9S QUANDO TENHO ASAS PARA VOAR?<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>1.A reprodu\u00e7\u00e3o parcial ou total, atrav\u00e9s de qualquer forma, meio ou processo eletr\u00f4nico, depender\u00e1 de pr\u00e9via e expressa autoriza\u00e7\u00e3o do autor deste espa\u00e7o virtual, com indica\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos e link, para os efeitos da Lei 9610\/98, que regulamenta os direitos de autor e conexos.<br \/>\n2.Havendo, neste espa\u00e7o virtual, qualquer cita\u00e7\u00e3o ou reprodu\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos que sejam contr\u00e1rios \u00e0 vontade dos seus autores, ser\u00e3o imediatamente retiradas ap\u00f3s o recebimento de solicita\u00e7\u00e3o feita em \u201ccoment\u00e1rios\u201d no final de cada postagem, ou para edsonbsb@uol.com.br<\/p>\n<p>Muita paz e harmonia espiritual.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;A PERCEP\u00c7\u00c3O DELIMITA O QUE SOMOS CAPAZES DE SENTIR E COMPREENDER, PORQUANTO CORRESPONDE A UMA ORDENA\u00c7\u00c3O SELETIVA DOS EST\u00cdMULOS E CRIA UMA BARREIRA ENTRE O QUE PERCEBEMOS E O QUE N\u00c3O PERCEBERMOS. 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