{"id":11237,"date":"2018-06-24T16:26:00","date_gmt":"2018-06-24T19:26:00","guid":{"rendered":"http:\/\/sensibilidadedaalma.blog.br\/?p=11237"},"modified":"2024-12-08T09:27:56","modified_gmt":"2024-12-08T12:27:56","slug":"220-sentindo-o-espelhar-interior-das-imagens-sensorias-do-deficiente-visual-parte-final","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sensibilidadedaalma.com.br\/?p=11237","title":{"rendered":"(230) Sentindo o espelhar interior das imagens sens\u00f3rias do deficiente visual (Parte Final)."},"content":{"rendered":"<p>&#8220;N\u00d3S N\u00c3O VEMOS O QUE VEMOS, N\u00d3S VEMOS O QUE SOMOS. S\u00d3 VEEM AS BELEZAS DO MUNDO, AQUELES QUE T\u00caM BELEZAS DENTRO DE SI&#8221; (Rubem Alves).<br \/>\nAs imagens do nosso &#8220;mundo interior&#8221;, nem sempre s\u00e3o por n\u00f3s conhecidas ou definidas pelas &#8220;impress\u00f5es sens\u00f3rias&#8221; que nos causam. \u00c9 diferente do que acontece com as &#8220;imagens sensitivas&#8221; dos nossos &#8220;sentimentos, que podem ser por n\u00f3s avaliadas quando conhecemos a natureza perceptiva das nossas experi\u00eancias vivenciais. Por sua vez, as imagens recebidas do nosso &#8220;mundo exterior&#8221; s\u00e3o elaboradas pelos conceitos cerebrais subjetivamente emergentes do nosso modo de &#8220;sentir&#8221;. \u00c9 por esta raz\u00e3o que para muitos, a realidade n\u00e3o existe fora da mente. Muitas delas s\u00e3o cria\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias. Ali\u00e1s, sobre essa nossa capacidade de &#8220;imaginar&#8221; a realidade, esclarece Suzanne Langer nos seus &#8220;Ensaios Filos\u00f3ficos&#8221;: &#8220;Embora a imagina\u00e7\u00e3o constitua nosso mundo, isso n\u00e3o quer dizer que o mundo seja uma fantasia e nossa vida um sonho. O que significa que o mundo \u00e9 maior que os est\u00edmulos que o cercam.&#8221;<\/p>\n<p>Gosto deste &#8220;sentir&#8221; do escritor Mia Couto, nascido na Beira, em Mo\u00e7ambique, mostrado no conto &#8220;O Cego Estrelinho&#8221;, do seu livro &#8220;Est\u00f3rias Abensonhadas&#8221;, lan\u00e7ado no Brasil pela Editora Companhia das Letras, que recomendo a leitura para todos os deficientes visuais:<\/p>\n<p>&#8211; PARA VIVERMOS O ENCANTO DA VIDA, PRECISAMOS REAPRENDER A USAR A IMAGINA\u00c7\u00c3O.<\/p>\n<p>Entendo que para melhor entender a percep\u00e7\u00e3o interior das &#8220;imagens sensoriais&#8221; criadas pelos deficientes visuais (principalmente, pelos de nascen\u00e7a), merece aten\u00e7\u00e3o esta descoberta sobre &#8220;neuroplasticidade&#8221;: o nosso c\u00e9rebro n\u00e3o consegue diferenciar a &#8220;realidade&#8221;, da &#8220;imagina\u00e7\u00e3o&#8221;. Esclarece o neurocientista Joe Dispenza:<\/p>\n<p>&#8211; O c\u00e9rebro, longe de ser est\u00e1tico e imut\u00e1vel, est\u00e1 em constante transforma\u00e7\u00e3o e comporta-se como poderoso instrumento de cria\u00e7\u00e3o da realidade, mesmo imaginada. (&#8230;) as c\u00e9lulas cerebrais s\u00e3o constantemente remodeladas e reorganizadas por experi\u00eancias e pensamentos.<\/p>\n<p>Ora, se por meio dessa comprovada \u201cplasticidade cerebral\u201d ocorrem reorganiza\u00e7\u00f5es neuronais que decorrem das nossas experi\u00eancias e pensamentos, sugiro que todos os familiares e pessoas que convivem com  deficientes visuais, sempre que poss\u00edvel, procurem evitar sucessivas intera\u00e7\u00f5es meramente repetitivas. \u00c9 importante, na nossa comunica\u00e7\u00e3o com eles, despertar novos est\u00edmulos (interiores e exteriores) de \u201cinteresse\u201d e de \u201ccuriosidade\u201d. Viabiliza-se, assim, o surgimento interior de uma valiosa \u201cpercep\u00e7\u00e3o imagin\u00e1rias\u201d das suas realidades ainda desconhecidas. Explico: essas &#8220;percep\u00e7\u00f5es<br \/>\nimagin\u00e1rias&#8221;representam  o sentir interior de uma &#8220;sensa\u00e7\u00e3o&#8221; vinda da sua ambienta\u00e7\u00e3o existencial, de &#8220;algo que existe&#8221; e ainda \u00e9 desconhecido do deficiente visual de nascen\u00e7a. Com clareza, esclarece a doutora Daniela Benzecry, no seu livro &#8220;Sentimento, valores e espiritualidade&#8221;, lan\u00e7ado no Brasil pela Editora VOZES:<\/p>\n<p>&#8211; Quando toco num objeto, por exemplo, sinto pelo tato imediatamente que ele \u00e9 \u00e1spero; se h\u00e1 um barulho, percebo-o pela audi\u00e7\u00e3o; se h\u00e1 um odor perfumado, o olfato permite que eu o sinta, assim por diante; os \u00f3rg\u00e3os dos sentidos informam que algo \u00e9. A sensa\u00e7\u00e3o apenas diz que algo \u00e9, que existe, e para isso a reflex\u00e3o n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria. A sensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o define o que \u00e9, n\u00e3o denomina a superf\u00edcie de \u00e1spera, nem denomina o barulho assim, nem o odor de perfumado, isso \u00e9 feito pela fun\u00e7\u00e3o pensamento passando pela reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>Destaco da excelente mat\u00e9ria sobre Neurofisiologia, publicada na edi\u00e7\u00e3o 46, Ano IV, da Revista PSIQUE, assinada pela jornalista Sucena Shkrada Resk com o t\u00edtulo &#8220;Uma leitura das Imagens Interiores&#8221;, o seguinte:<\/p>\n<p>1. Processo cognitivo permite \u00e0s pessoas com baixa vis\u00e3o encontrar na fotografia um caminho para resgatar valores e transmitir para o mundo a possibilidade de enxergar al\u00e9m do consciente.<br \/>\n2. Toda imagem visual \u00e9 projetiva, pois se trata de energia neuroel\u00e9trica e ganha forma pela modula\u00e7\u00e3o emocional e intelectual. Por isso o deficiente visual tem capacidade de interpretar uma imagem, uma vez que ele despeja emo\u00e7\u00e3o para interpret\u00e1-la.<br \/>\n3. A neurofisiologia explica que os cegos t\u00eam a capacidade de enxergar mentalmente, em situa\u00e7\u00f5es imaginativas, assim como as pessoas de membro amputado que, por vezes, registram sentir os membros fantasmas.<br \/>\n4. A fotografia pode ajudar na descoberta da autoestima do deficiente visual. Desta forma, ele se sente mais encorajado a sair, ter maiores rela\u00e7\u00f5es sociais e enfrentar situa\u00e7\u00f5es que antes traziam dor, como caminhar nas ruas.<\/p>\n<p>Essa bela e esclarecedora abordagem da jornalista Sucena, foi enriquecida pela colabora\u00e7\u00e3o de dois fot\u00f3grafos deficientes, com baixa vis\u00e3o adquirida na fase adulta: Jo\u00e3o Batista Maia da Silva, piauiense, e Marco Aur\u00e9lio Pereira Oton, de S\u00e3o Paulo. Segundo eles, &#8220;a fotografia representa, para n\u00f3s, um grito pela acessibilidade. \u00c9 uma forma de mostrar aos videntes (pessoas que enxergam), que o nosso mundo n\u00e3o \u00e9 restrito \u00e0 escurid\u00e3o. A gente vive, namora, estuda e est\u00e1 presente na sociedade.&#8221; Por sua vez, esclarece o bi\u00f3logo e doutor em Neurofisiologia da Mem\u00f3ria e Aten\u00e7\u00e3o, Andr\u00e9 Fraz\u00e3o Helene:<\/p>\n<p>&#8211; De uma pessoa com baixa vis\u00e3o, dependendo da origem e de quando houve a perda ou redu\u00e7\u00e3o, podemos esperar padr\u00f5es de vis\u00e3o mental bem diferentes. A capacidade de imaginar \u00e9 resultado da atividade das \u00e1reas visuais do c\u00e9rebro. Isso quer dizer que, em casos em que a cegueira foi causada por uma les\u00e3o das \u00e1reas cerebrais dedicadas \u00e0 vis\u00e3o, seria esperada a redu\u00e7\u00e3o da capacidade de imaginar imagens. No entanto, a maioria dos casos de perda da vis\u00e3o envolve problemas que n\u00e3o est\u00e3o no c\u00e9rebro da pessoa, mas sim em seus olhos. (&#8230;) O c\u00e9rebro por n\u00e3o receber est\u00edmulos do olho, parece estar cego tamb\u00e9m, mas pode enxergar, em situa\u00e7\u00f5es imaginativas.<\/p>\n<p>Termino esta s\u00e9rie de mensagens, com este entendimento do neurocientista  Ant\u00f3nio Dam\u00e1sio, publicado no seu livro &#8220;O mist\u00e9rio da consci\u00eancia do corpo e das emo\u00e7\u00f5es ao conhecimento de si&#8221;, lan\u00e7ado no Brasil pela Editora Companhia Das Letras, com tradu\u00e7\u00e3o de Laura Teixeira Motta e Revis\u00e3o T\u00e9cnica de Luiz Henrique Martins Castro:<\/p>\n<p>&#8211; A palavra imagem n\u00e3o se refere apenas a imagem &#8220;visual&#8221;, e tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 nada de est\u00e1tico nas imagens. A palavra tamb\u00e9m se refere a imagens sonoras, como as causadas pela m\u00fasica e pelo vento, e \u00e0s imagens somatossensitivas [para Dam\u00e1sio, s\u00e3o as que incluem v\u00e1rias formas de percep\u00e7\u00e3o: tato, temperatura, dor, e muscular, visceral e vestibular]. Em seguida, sobre como s\u00e3o constru\u00eddas as imagens, esclarece Dam\u00e1sio de modo conclusivo:<\/p>\n<p>&#8211; As imagens podem ser conscientes ou inconscientes. Cabe notar, que nem todas as imagens que o c\u00e9rebro constr\u00f3i se tornam conscientes.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>1.A reprodu\u00e7\u00e3o parcial ou total, atrav\u00e9s de qualquer forma, meio ou processo eletr\u00f4nico, depender\u00e1 de pr\u00e9via e expressa autoriza\u00e7\u00e3o do autor deste espa\u00e7o virtual, com indica\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos e link, para os efeitos da Lei 9610\/98, que regulamenta os direitos de autor e conexos.<br \/>\n2.Havendo, neste espa\u00e7o virtual, qualquer cita\u00e7\u00e3o ou reprodu\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos que sejam contr\u00e1rios \u00e0 vontade dos seus autores, ser\u00e3o imediatamente retiradas ap\u00f3s o recebimento de solicita\u00e7\u00e3o feita em \u201ccoment\u00e1rios\u201d no final de cada postagem, ou para edsonbsb@uol.com.br<\/p>\n<p>Muita paz e harmonia espiritual.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;N\u00d3S N\u00c3O VEMOS O QUE VEMOS, N\u00d3S VEMOS O QUE SOMOS. 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